Domingo XVI do Tempo Comum

21 de Julho de 2024

 

Indicação das leituras

Leitura do Livro de Jeremias                                                                              Jer 23,1-6

«Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as terras onde se dispersaram e as farei voltar às suas pastagens, para que cresçam e se multipliquem».

 

Salmo Responsorial                                            Salmo 22 (23)

O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios                                     Ef 2,13-18

«Por Ele, uns e outros podemos aproximar-nos do Pai, num só Espírito».

 

Aclamação ao Evangelho            Jo 10,27

As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor;

Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos                                    Mc 6,30-34

«Os Apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado».

«Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco».

«Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor».

 

Viver a Palavra

O Evangelho deste Domingo parece colocar-nos em sintonia com o tempo de férias que se avizinha. Poderia ser até um bom slogan para uma agência de viagens: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». Contudo, não se trata da instituição bíblica das férias, nem uma canonização do nada fazer, mas a certeza de que Deus quer que todo o trabalhador conheça o merecido repouso e que todo aquele que se gasta possa descansar.

Os apóstolos regressam da sua primeira grande missão! Tinham sido enviados por Jesus com uma missão muito concreta e indicações precisas. Tinham partido dois a dois e, seguindo as instruções de Jesus, contemplaram maravilhas e milagres que, efectivamente, nunca tinham pensado realizar: «os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos» (Mc 6,12). Agora é hora de regressar a Jesus e começam a contar tudo quanto tinham feito e ensinado. Como foi bela esta partilha! Cada a um a seu modo a narrar as maravilhas que Deus tinha realizado através deles. Com certeza, acontecimentos e milagres tão diferentes mas todos preenchidos pela alegria da missão, pela certeza de que é Deus quem opera através das suas frágeis mãos.

Jesus não é indiferente aos trabalhos e canseiras daqueles que são enviados em missão. Escutando paciente e atenciosamente a partilha que faz cada um deles, desafia-os a um tempo de repouso num lugar isolado. Jesus quer o nosso merecido repouso. Jesus deseja que cada um possa encontrar o merecido tempo de serenidade e tranquilidade para renovar as forças e partir de novo em missão. Mas, mais do que isso, que cada um saiba fazer do tempo de repouso um tempo privilegiado de encontro com Deus, nosso rochedo seguro onde podemos encontrar abrigo e conforto.

Diante da missão que o Senhor deposita em nossas mãos, é fácil e tentador deixarmo-nos levar por um activismo estéril que cria em nós a ilusão de estarmos sempre em trabalho indispensável e imprescindível, esquecendo que o descanso é querido por Deus e condição necessária para a missão que realizamos: «devemos conceber a nossa vida como um serviço por amor. As vinte e quatro horas do nosso dia. Porque mesmo quando estamos a dormir estamos em serviço de Deus que depois do nosso trabalho quer o nosso merecido repouso» (Padre Virginio Rotondi). Descansar é um modo de servir o Senhor, quando o tempo de repouso é lugar para ganhar forças para o caminho e tempo privilegiado de encontro com Aquele que é o refúgio e conforto para as nossas fadigas e feridas.

Como seria belo se o nosso tempo de repouso e descanso pudesse ser tempo e lugar para contar a Jesus quanto temos feito e ensinado como fizeram os discípulos. Neste tempo de férias que se aproxima, poderia ser este o nosso compromisso: encontrar tempo para estar com Jesus, para reler a nossa vida à luz da Sua palavra e da Sua graça. Jesus conhece a nossa vida e sabe bem o que temos feito. Contudo, mais do que Ele, somos nós que precisamos de tomar consciência quais as prioridades da nossa vida, o que tem marcado o ritmo dos nossos dias, ao serviço de quem temos colocado as nossas forças…

Que o olhar compassivo de Jesus sobre as multidões que são como «ovelhas sem pastor» eduque o nosso olhar, afine o nosso coração e marque o ritmo da nossa existência. E nos dias mais exigentes e difíceis sintamos este olhar de Jesus ser derramado sobre nós e encontremos no Seu coração manso e humilde o alento e conforto de que precisamos.

 

Homiliário patrístico

Início do Sermão de São Leão Magno, papa,

sobre as Bem-aventuranças (Séc. V)

Irmãos caríssimos: Quando Nosso Senhor Jesus Cristo pregava o Evangelho do reino e percorria toda a Galileia curando as mais diversas enfermidades, a fama dos seus milagres divulgou-se por toda a Síria, e de toda a Judeia afluíam grandes multidões ao médico divino. Porque a ignorância humana é tão lenta para acreditar no que não vê e esperar o que não conhece, era necessário que aqueles que deviam ser confirmados nos ensinamentos divinos fossem estimulados com benefícios corporais e milagres visíveis; e assim, experimentando o poder benéfico do Senhor, não duvidariam da sua doutrina salvadora.

Por isso o Senhor, para converter os dons exteriores em medicina interior e passar da cura dos corpos à saúde das almas, separou-Se das multidões que O rodeavam e subiu para um sítio isolado de um monte próximo, levando consigo os Apóstolos a fim de os instruir nos mais sublimes ensinamentos.

 

Indicações litúrgico-pastorais

  1. «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». As palavras de Jesus no Evangelho deste Domingo são um bom mote para este período estival em que muitas famílias aproveitam para gozar um tempo de férias e descanso. Que as merecidas férias do trabalho e do frenesim diário não permitam um tempo de férias para a fé e para a nossa relação com Cristo. Pelo contrário, que este tempo possa ser uma ocasião privilegiada para um renovado encontro com Cristo quer a nível pessoal, quer em família e em comunidade. Descansar com Jesus, encontrar Nele descanso e como os discípulos aproveitar esse tempo para lhe dizer «tudo o que tinham feito e ensinado»: eis um bom programa para férias que em nada diminui o lazer e o descanso mas que oferece novo sentido ao tempo. Que possa ser um tempo de reler a vida com Jesus e ganhar um novo folgo e entusiasmo para o regresso ao trabalho e aos afazeres quotidianos.

 

  1. Para os leitores: na primeira leitura, é importante ter presente a mensagem que Jeremias dirige aos maus pastores em nome do Senhor Deus, mas deve evitar-se um tom exageradamente dramático e acusatório. Além disso, deve haver um especial cuidado na pronunciação da expressão «oráculo do Senhor». Deve ser dito num tom diferente, mas deve haver o cuidado de não parecer a conclusão final do texto, evitando que as pessoas respondam antes da conclusão da leitura. Na segunda leitura, temos algumas frases mais longas, orações curtas, muitas vírgulas. Deste modo, este texto para ser bem proclamado deve ser preparado tendo em conta as diversas pausas e respirações que são fundamentais para a compreensão do texto.

 

Sugestões de cânticos:

Entrada: Deus vem em meu auxílio – F. Santos (CEC II, p. 81-82); Salmo Responsorial: O Senhor é meu pastor: nada me faltará (Sl 22) – M. Luís (SRML, p. 48-49); F. Santos (BML 41); Aclamação ao Evangelho: Aleluia | As minhas ovelhas escutam a minha voz –  I. Rodrigues (CN, 59); Ofertório: Eu cuidarei das minhas ovelhas – F. Silva (NRMS 123| XVIII ENPL, p. 42-45); Comunhão: O Senhor é meu Pastor – F. Santos (CN 716); Pós-Comunhão: Quando Te encontro descanso – Popular (CN 325); Final: Louvado seja o meu Senhor – J. Santos (CN 586).