“Irmão sol” – nova carta de Francisco

Por Joaquim Armindo

“Precisamos de fazer uma transição para um modelo de desenvolvimento sustentável que reduza as emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera, estabelecendo o objetivo da neutralidade climática. A humanidade dispõe dos meios tecnológicos necessários para enfrentar esta transformação ambiental e as suas perniciosas consequências éticas, sociais, económicas e políticas e, entre estas, a energia solar desempenha um papel fundamental.”, numa recente “Carta Apostólica”, Francisco dirige-se aos encarregados do Vaticano defendendo a colocação de tecnologia no seu Estado do Vaticano, combatendo, assim, o aquecimento global. Para tal escreve: “Por isso confio a vocês, queridos Irmãos, nas suas respetivas qualidades de Presidente do Governo do Estado da Cidade do Vaticano e de Presidente da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica, a tarefa de construir uma oficina agrivoltaica [a palavra agrivoltaica define a utilização do solo tanto para a produção de energia fotovoltaica, graças à instalação de painéis solares, como para a realização de atividades agrícolas] localizada na área extraterritorial de ​​Santa Maria de Galeria que garante não só o fornecimento elétrico da estação de rádio ali existente, mas também o sustento energético completo do Estado da Cidade do Vaticano.”

Francisco relembra a sua Carta Encíclica “Laudato Sì”: “sobre o cuidado da nossa casa comum, de 24 de maio de 2015, convidei toda a humanidade a tomar consciência da necessidade de mudar os seus estilos de vida, produção e consumo, a fim de combater o aquecimento global que vê, entre as suas principais causas, o uso generalizado de combustíveis fósseis.” Lembra que: “Em 6 de julho de 2022, o Observador Permanente junto à ONU depositou junto à Secretária-geral da ONU o instrumento com o qual a Santa Sé, em nome e por conta do Estado da Cidade do Vaticano, acessa à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Com este instrumento pretendi contribuir para os esforços de todos os Estados para oferecer, de acordo com as respetivas responsabilidades e capacidades, uma resposta adequada aos desafios colocados à humanidade e à nossa casa comum pelas alterações climáticas.”

Ora aqui está, o bispo de Roma e papa Francisco dá um passo gigante para garantir a sua contribuição para a redução da emissão de gases de estufa e a neutralidade carbónica. Se este exemplo for seguido em todas as dioceses e comunidades paroquiais teremos certamente a redução do carbono. Para tal é necessário determinar a sua pegada carbónica. A Diocese do Porto pode, e deve, ser pioneira neste necessário esforço – não só na colocação de painéis solares em alguns pontos, como o faz -, mas em todo o seu território. Não só plantar árvores, por exemplo uma por cada batismo, mas também em ousadas determinações públicas e na sua redução.