Domingo XV do Tempo Comum

Foto: Rui Saraiva

14 de Julho de 2024

 

Indicação das leituras

Leitura da Profecia de Amós                                                                              Amós 7,12-15

«Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: ‘Vai profetizar ao meu povo de Israel’».

 

Salmo Responsorial                                            Salmo 84 (85)

Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor

e dai-nos a vossa salvação.

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios                                     Ef 1,3-14

«O Espírito Santo prometido é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória».

 

Aclamação ao Evangelho            cf. Ef 1,17-18

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,

ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos                                    Mc 6,7-13

«Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois».

«Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro».

«Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos».

 

Viver a Palavra

Ser amado, escolhido e destinatário da predilecção de alguém é sempre momento de um contentamento humano profundo e de uma alegria e felicidade que nos calam fundo no coração. Se nas nossas relações interpessoais esta experiência é consoladora e gratificante, bem maior deveria ser a nossa alegria e júbilo por tomarmos consciência de que somos homens e mulheres profundamente amados por Deus. Além disso, não somos amados por Deus como recompensa pelos nossos méritos, pelas nossas boas acções ou pela atenção que lhe dispensamos. O amor de Deus é infinito, gratuito e prévio a qualquer iniciativa da nossa parte.

No belíssimo hino que a Liturgia da Palavra nos oferece na segunda leitura, S. Paulo recorda-nos que somos abençoados por Deus por meio de Jesus Cristo e que Nele fomos escolhidos antes da criação do mundo. Somos obra das mãos de Deus e fomos inscritos desde o início no Seu desígnio universal de salvação. Deus escolhe-nos como escolheu Amós, Maria, os Doze Apóstolos, Paulo e tantos outros ao longo da história, porém a Sua escolha e eleição não é uma imposição, mas uma escolha da nossa liberdade, da nossa vida prenhe de possibilidades e decisões.

Deus escolhe a nossa liberdade, retira-nos de uma vida autocentrada e egocêntrica e desafia o nosso comodismo e as nossas seguranças. Convoca-nos para a missão porque livremente O aceitamos seguir, nos deixamos seduzir pelo Seu amor e fizemos a experiência do encontro único, intimo e decisivo com a Sua misericórdia.

Ele envia-nos dois a dois como enviou os Doze Apóstolos, libertando-nos de uma opção missionária autocentrada. S. Gregório Magno, no seu comentário aos Evangelhos, ensina-nos que os discípulos são enviados dois a dois, porque são dois os mandamentos da caridade e só o amor a Deus e aos irmãos entrelaçados como um único amor numa dupla direcção, poderá ser protagonista da nossa missão. Na verdade, estando sozinho, o homem é levado a duvidar até de si próprio. Ao invés, caminhar juntos, percorrer unidos a mesma estrada e levar o mesmo Senhor no coração constitui a primeira e grande pregação. A comunhão e unidade constroem e estruturam a missão. O enviado não é um aventureiro isolado, mas um promotor da comunhão.

As indicações de Jesus para o caminho são precisas e radicais: «ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas». Nestas palavras de Jesus encontramos a certeza que na missão evangelizadora o mais importante a levar não são os bens materiais ou as nossas seguranças, mas a Palavra de Jesus que antecede, acompanha e aponta a missão. Contudo, que o sentido espiritual deste envio de Jesus não impeça de ver a radicalidade que estas palavras encerram. Jesus envia os discípulos desprovidos não apenas do supérfluo, mas mesmo do essencial que poderia tornar a missão humanamente mais eficiente e produtiva: provisões de comida para o alforge ou dinheiro na bolsa para fazer frente a qualquer necessidade urgente. Jesus situa a missão cristã dentro do radicalismo evangélico que testemunha que a nossa única segurança e providência se encontra em Jesus Cristo.

Amados, escolhidos e enviados como testemunhas do amor e da misericórdia do Pai só podemos proclamar como Paulo: «Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo».

 

Homiliário patrístico

Das Homilias de São Gregório Magno, papa,

sobre os Evangelhos (Séc. VI)

Irmãos caríssimos: Nosso Senhor e Salvador ensina-nos umas vezes por palavras e outras por acções. Com efeito, as suas próprias obras são preceitos, pois com elas nos dá a conhecer tacitamente o que devemos fazer.

Ele envia os seus discípulos em pregação dois a dois, porque são dois os mandamentos da caridade, a saber, o amor de Deus e do próximo. O Senhor manda os seus discípulos em pregação dois a dois, para nos indicar isto sem palavras: quem não tiver caridade para com os outros de modo algum deve assumir o ofício da pregação.

Apropriadamente se diz que os mandou à sua frente a todas as cidades e lugares aonde Ele próprio havia de ir. Na verdade, o Senhor segue os seus pregadores, porque a pregação prepara a sua vinda. O momento em que o Senhor vem habitar no nosso espírito é justamente quando as palavras de exortação aparecem antes d’Ele e por meio delas a verdade é recebida na alma. É por isso que Isaías diz aos mesmos pregadores: Preparai o caminho do Senhor, aplanai as veredas para o nosso Deus. Também o Salmista lhes diz: Abri caminho Àquele que sobe sobre o ocaso. É o Senhor que sobe sobre o ocaso, porque a sua morte Lhe serviu de pedestal para manifestar mais esplendorosamente a sua glória na ressurreição.

 

Indicações litúrgico-pastorais

  1. O Domingo XV do Tempo Comum será dia de ordenações presbiterais na Diocese do Porto. O dia de ordenações para uma diocese é sempre dia de louvor e acção de graças ao Senhor da Messe que não cessa de enviar pastores para a Sua seara e que continua a conduzir a Igreja através de homens escolhidos para serem para os seus irmãos sinal de Cristo Cabeça e Pastor. As comunidades cristãs são convidadas a unirem-se neste dia de júbilo e de festa através da oração. É imperioso e necessário preparar este dia em comunhão orante, invocando sobre os neo-presbíteros o dom do Espírito Santo, podendo realizar-se momentos de oração comunitária agradecendo o dom dos que serão ordenados e pedindo ao Senhor que continue a despertar no coração dos jovens a docilidade de coração para o seguirem no ministério ordenado. As comunidades cristãs, sobretudo nas actividades de encerramento do ano catequético, podem organizar momentos de reflexão e testemunho vocacional, que ajudem as crianças, adolescentes e jovens a conhecer os diversos caminhos que o Senhor propõe para o serviço da Igreja e do Mundo.

 

  1. Para os leitores: na primeira leitura ter em atenção as palavras de mais difícil pronunciação e menos usuais: Amasias (deve ler-se: Amazias); Betel (deve ler-se: Betél) e Sicómoros (deve acentuar-se apenas a sílaba tónica: ). A segunda leitura é um hino litúrgico das primeiras comunidades cristãs de louvor e acção de graças. A sua proclamação deve ser feita com a solenidade de um hino mas também com atenção às pausas e respirações sobretudo nas frases mais longas e com diversas orações.

 

Sugestões de cânticos:

Entrada: Eu venho, Senhor – A. Cartageno (CEC II, 77); Salmo Responsorial: Mostrai-nos o vosso amor, dai-nos a vossa salvação  (Sl 84) – M. Luís (SRML 144-145); Aclamação ao Evangelho: Aleluia | Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo – M. Carneiro (CN 51); Ofertório: O Senhor enviou os seus Apóstolos – F. Silva (IC 703); Comunhão: Quem come a minha carne – C. Silva (CEC II 78); Pós-Comunhão: O Amor de Deus repousa em mim – M. Luís (CN 670); Final: Ide por todo o mundo – A. Cartageno (CN 538).