Abusos: Grupo Vita recebeu 39 pedidos de reparação financeira

Foto: Agência Ecclesia

A coordenadora do Grupo Vita, Rute Agulhas, fez um balanço sobre o acompanhamento de situações de violência sexual de crianças e adultos vulneráveis na Igreja Católica. O organismo recebeu 105 denúncias.

“Até ao dia de hoje temos 39 pedidos de reparação financeira”, refere Rute Agulhas em entrevista à Agência Ecclesia. A coordenadora do Grupo Vita lembra que este processo decorre de 1 de junho a 31 de dezembro.

“O processo das reparações financeiras como sabemos iniciou-se agora entre 1 de junho e 31 de dezembro. Até ao dia de hoje temos 39 pedidos de reparação financeira. A maior parte destas pessoas são situações que já conhecemos e acompanhamos. E depois há um número mais pequeno de pessoas que não conhecemos e que nos contactaram apenas com esse objetivo”, afirma.

O Grupo Vita tem por missão acompanhar situações de violência sexual de crianças e adultos vulneráveis na Igreja Católica e divulgou o seu segundo relatório de atividades no dia 18 de junho em Fátima. Em entrevista à Agência Ecclesia a psicóloga Rute Agulhas declara que recebeu 105 denúncias, nos primeiros 12 meses de funcionamento.

“São pessoas que, na sua maioria, não são anónimas e este é um dado importante: a maior parte destas pessoas, a esmagadora maioria, dá a cara, dá o nome”, destaca Rute Agulhas.

Em termos de apoio às vítimas, o apoio psicológico é um dos mais solicitados, com 23 vítimas em “acompanhamento regular” por psicólogos da bolsa de profissionais criada pelo Grupo Vita, em consultas que “inteiramente pagas pelas estruturas da Igreja”. Há também pedidos de apoio psiquiátrico e espiritual”, revela.

Para Rute Agulhas esta experiência tem sido desafiante porque há uma mudança de paradigma a acontecer sobre este tema dos abusos sexuais. Um tema tabu que está a ser tirado da gaveta, sendo agora possível falar de “forma clara”. “Há aqui uma mudança de paradigma que é importante, esta cultura de desocultar o tema, tirá-lo da gaveta dos tabus e passarmos a falar dele de uma forma clara”, assinala a responsável.

A responsável revela que o Grupo Vita está a promover um estudo “pioneiro”, sob anonimato, relativamente à forma como é vivido o celibato, por parte de seminaristas, membros do clero e de institutos religiosos, masculinos e femininos. O objetivo é perceber “de que maneira é que estas pessoas podem ser ajudadas na integração desta sua opção”. No entanto, Rute Agulhas sublinha que “confundir celibato com violência sexual é um erro”.

Os pedidos de ajuda sobre abusos podem ser dirigidos ao Grupo Vita ou às Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis. A linha telefónica do Grupo Vita é: 00351 915 090 000.Também há um formulário disponível no site http://www.grupovita.pt.

RS