Sínodo: “Uma Igreja viva e em movimento”

Decorreram no Vaticano neste mês de junho trabalhos de preparação do documento para a próxima sessão do Sínodo que recolherá as reflexões que as dioceses de todo o mundo promoveram a partir do Relatório de Síntese da primeira sessão. Publicamos o comunicado da Secretaria Geral do Sínodo na conclusão dos trabalhos.

Decorreram na primeira quinzena de junho no Vaticano os trabalhos para a redação do documento para a segunda sessão da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos.

Por uma igreja sinodal em missão

O instrumento de trabalho (instrumentum laboris) para a sessão que vai decorrer no próximo mês de outubro foi preparado por um grupo de cerca de vinte teólogos de todo o mundo e que será divulgado no início do mês de julho.

O Relatório de Síntese da primeira sessão do Sínodo, que teve lugar no Vaticano em 2023, renovou o caminho de reflexão da Igreja iniciado em outubro de 2021 com o processo sinodal de discernimento aberto pelo Papa Francisco.

A Secretaria Geral do Sínodo pediu em dezembro de 2023 às dioceses de todo o mundo que aprofundassem esse mesmo Relatório de Síntese. Uma proposta com uma pergunta orientadora: “Como ser uma Igreja sinodal em missão?”

Comunicado da Secretaria Geral do Sínodo

A Secretaria Geral do Sínodo publicou um comunicado na conclusão do trabalho do grupo de teólogos e teólogas que aqui publicamos na íntegra:

“O Santo Povo de Deus pôs-se em movimento pela missão graças à experiência sinodal. Esta conhece respostas entusiásticas e criativas, mas também resistências e preocupações. A maior parte dos relatórios mostra, porém, a alegria do caminho feito, que deu nova vida a muitas comunidades locais e provocou também mudanças significativas no seu modo de viver e de ser Igreja. As sementes da Igreja sinodal já estão a germinar!”, disse o Cardeal Jean-Claude Hollerich S.J., Relator Geral da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, na conclusão dos trabalhos do grupo de teólogos e teólogas que, de 4 a 14 de junho, trabalhou nos relatórios que chegaram à Secretaria Geral do Sínodo em vista da Segunda Sessão da XVI Assembleia (2-27 de outubro de 2024).

O grupo de teólogos (homens e mulheres, bispos, sacerdotes, consagrados/as e leigos), provenientes de vários continentes, trabalhou sobre os 107 relatórios das Conferências Episcopais e das Igrejas Católicas Orientais, sobre o contributo da USG-UISG (respetivamente União Internacional dos Superiores Maiores e União Internacional das Superioras Gerais), e sobre as mais de 175 observações, provenientes de realidades internacionais, faculdades universitárias, associações de fiéis ou de comunidades e pessoas particulares. Outra fonte significativa de reflexão foram os relatórios apresentados pelos párocos na reunião de trabalho de três dias do encontro Os Párocos pelo Sínodo.

Estes relatórios são o fruto do trabalho que as Igrejas locais realizaram a partir do Relatório de Síntese da Primeira Sessão da XVI Assembleia. Mostram uma Igreja viva e em movimento. Entre os temas que mais se repetem estão: a formação para a sinodalidade, o funcionamento dos órgãos de participação, o papel das mulheres, os jovens, a atenção aos pobres, a inculturação, a transparência e a cultura da responsabilidade por parte de quem assume um ministério na Igreja, mas também a catequese e a iniciação cristã, a colaboração entre Igrejas, a figura do bispo, etc. …. Estes relatórios são também ricos em testemunhos.

“Os relatórios contam muitas vezes a experiência de pessoas que fizeram uma verdadeira conversão pessoal. Outros, porém, falam de pessoas que continuam a experimentar confusão, preocupação ou ansiedade. Em particular, há o medo de que o que é enviado não seja levado a sério ou que ideologias e lobbies de fiéis se aproveitem do caminho sinodal para impor a sua própria agenda”, diz o Cardeal Mario Grech, Secretário Geral da Secretaria Geral do Sínodo, e continua, “por isso é bom recordar que a Assembleia de outubro não é sobre este ou aquele tema, mas sobre a sinodalidade, sobre como ser uma Igreja missionária em caminho. Todas as questões teológicas e propostas pastorais de mudança têm este objetivo. A Assembleia será sobretudo um momento em que cada participante, situando-se num caminho iniciado em 2021 e trazendo a ‘voz’ do povo de Deus de onde provém, invocará a ajuda do Espírito Santo e a dos seus irmãos e irmãs para discernir a vontade de Deus para a sua Igreja, e não uma oportunidade para impor a sua própria visão da Igreja”.

O processo de elaboração do Instrumentum Laboris continuará com outras etapas: neste momento, em que se articulou o material recebido pelo grupo de teólogos e teólogas, o Conselho Ordinário fará um primeiro discernimento do que foi elaborado. Seguir-se-ão as fases de redação do documento propriamente dito e um sistema de verificação alargado até ao momento em que o Conselho Ordinário aprova o documento a apresentar ao Santo Padre para aprovação final.

“O Instrumentum Laboris para a Segunda Sessão da XVI Assembleia será diferente do anterior. Se para a Primeira Sessão era importante evidenciar a amplitude dos temas a tratar, o documento de trabalho para a sessão de outubro pretende, pelo contrário, evidenciar alguns nós a desatar para responder à pergunta Como ser uma Igreja sinodal em missão, tendo em conta o caminho feito até agora e propondo argumentos teologicamente fundamentados, juntamente com algumas propostas concretas para ajudar ao discernimento confiado aos membros da assembleia”, disse Mons. Riccardo Battocchio, Secretário Especial da XVI Assembleia.

Os trabalhos, que tiveram lugar na sede da Secretaria Geral do Sínodo, foram orientados pelos dois Secretários Especiais da XVI Assembleia, Mons. Riccardo Battocchio e P. Giacomo Costa S.J., e contaram com a presença do Cardeal Mario Grech e do Cardeal Jean-Claude Hollerich S.J.

Vaticano, 14 de junho de 2024

RS