G7: Francisco diz que dependência de «escolhas das máquinas» coloca humanidade em risco

O Papa afirmou hoje que a dependência de “escolhas das máquinas”, no desenvolvimento da inteligência artificial, coloca a humanidade em risco, falando perante os líderes do G7, reunidos na localidade italiana de Borgo Egnazia, região da Apúlia.

“Precisamos de garantir e proteger um espaço de controlo significativo do ser humano sobre o processo de escolha dos programas de inteligência artificial: está em jogo a própria dignidade humana”, declarou, no seu discurso, durante a parte da cimeira aberta a países convidados, onde falou dos temas da paz e da inteligência artificial.

“Condenaríamos a humanidade a um futuro sem esperança se retirássemos às pessoas a capacidade de decidir sobre si mesmas e sobre as suas vidas, obrigando-as a depender das escolhas das máquinas”, acrescentou.

Francisco deslocou-se à Apúlia, a convite do Governo italiano, tornando-se o primeiro Papa a participar cimeira do G7, num programa que inclui audiências privadas com dez responsáveis internacionais, incluindo os presidentes Zelenskyy, Macron, Biden e Lula da Silva.

O grupo dos sete países mais industrializados do mundo (G7) é constituído pelos Estados Unidos da América, a Alemanha, a França, o Canadá, a Itália, que, atualmente, preside ao grupo, o Japão e o Reino Unido.

O Papa, que foi recebido pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, saudou os líderes do Fórum Intergovernamental do G7, a quem apresentou uma reflexão sobre os “efeitos da inteligência artificial no futuro da humanidade”.

“Não podemos esconder o risco concreto de que a inteligência artificial limite a visão do mundo a realidades expressáveis em números e encerradas em categorias pré-concebidas, excluindo o contributo de outras formas de verdade e impondo modelos antropológicos, socioeconómicos e culturais uniformes”, alertou.

Francisco mostrou-se crítico de um “paradigma tecnocrático”, que vem denunciado desde o início do seu pontificado, em 2013.

“Não podemos permitir que um instrumento tão poderoso e indispensável como a inteligência artificial reforce tal paradigma; pelo contrário, devemos fazer da inteligência artificial precisamente um baluarte contra a sua expansão”, sustentou.

(inf: Agência Ecclesia)