Papa em prisão feminina de Veneza: não “isolar a dignidade”, mas dar novas possibilidades

O primeiro compromisso oficial de Francisco em Veneza neste domingo (28) foi na Casa Feminina de Detenção na ilha de Giudecca. O espaço sedia até 24 de novembro o Pavilhão da Santa Sé na Bienal de Artes com obras que envolvem 9 artistas e inclusive detentas. “Deus nos quer juntos porque sabe que cada um de nós, aqui, hoje, tem alguma coisa única para dar e receber, e de que todos nós precisamos”, disse o Papa.

A ilha de Giudecca, ao sul de Veneza, recebeu o Papa neste domingo (28), como a primeira etapa do dia da visita pastoral do Pontífice à cidade italiana. “Quis encontrá-las no início da minha visita a Veneza para lhes dizer que ocupam um lugar especial no meu coração”, logo antecipou Francisco às 80 mulheres da Casa Feminina de Detenção, um espaço de reabilitação com capacidade para 111 pessoas. Além de local de reabilitação, até 24 de novembro vira sede do Pavilhão da Santa Sé na Bienal de Artes de Veneza.

No discurso, o Pontífice pediu para que todos vivessem este encontro não como uma “visita oficial” do Papa, mas um momento importante de dedicação de “tempo, oração, proximidade e afeto fraterno”:

“É o Senhor que nos quer juntos neste momento, tendo chegado por caminhos diferentes, alguns muito dolorosos, também por causa de erros pelos quais, de várias maneiras, cada pessoa carrega feridas e cicatrizes. E Deus nos quer juntos porque sabe que cada um de nós, aqui, hoje, tem alguma coisa única para dar e receber, e de que todos nós precisamos.”

A penitenciária feminina de Giudecca tem capacidade para 111 detentas, mas atualmente acolhe 80 e é tem sido um espaço de reabilitação, já que algumas começaram a costurar e trabalhar na lavanderia, por exemplo. Mas “a prisão é uma realidade dura, e problemas como a superlotação, a carência de instalações e de recursos, os episódios de violência, geram muito sofrimento”, comentou o Papa em discurso, mas que também pode se tornar num “lugar de renascimento, moral e material, onde a dignidade de mulheres e homens não é ‘colocada em isolamento’, mas promovida através do respeito mútuo e do desenvolvimento de talentos e habilidades, talvez que ficaram adormecidos ou aprisionados pelas vicissitudes da vida, mas que podem ressurgir para o bem de todos e que merecem atenção e confiança”.

A redescoberta da beleza na prisão

Por essa razão, garantiu Francisco, “paradoxalmente, a permanência em uma prisão pode marcar o início de algo novo, através da redescoberta de belezas inesperadas em nós e nos outros”. Como é o caso da prisão de Giudecca que foi escolhida para receber uma exposição de artes da Bienal de Veneza e através da qual as próprias detentas contribuem ativamente, lembrou ainda o Papa. No Pavilhão da Santa Sé, as obras de 9 artistas são dedicadas aos direitos humanos e aos mundos marginalizados, às periferias onde vivem os últimos.

“Todos nós temos erros a serem perdoados e feridas a serem curadas”, reforçou o Pontífice, exortando a renovar, a partir de hoje, “eu e vocês, juntos, a nossa confiança no futuro”. Uma mensagem de humanidade que se estende além da ilha de Giudecca, em Veneza, para se redescobrir os valores intrínsecos colhidos a partir da experiência diária vivida dentro um cárcere:

“É fundamental que inclusive o sistema penitenciário ofereça aos detentos e às detentas ferramentas e espaços para o crescimento humano, espiritual, cultural e profissional, criando as condições para a sua reintegração saudável. Não ‘isolar a dignidade’, mas dar novas possibilidades!”

(inf: Vatican News)