Domingo V da Páscoa

28 de Abril de 2024

 

Indicação das leituras

Leitura dos Actos dos Apóstolos                                                                       Actos 9,26-31

«A Igreja gozava de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, edificando-se e vivendo no temor do Senhor e ia crescendo com a assistência do Espírito Santo».

 

Salmo Responsorial                                Salmo 21 (22)

Eu Vos louvo, Senhor, no meio da multidão.

 

Leitura da Primeira Epístola de São João                                                          1 Jo 3,18-24

«Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele».

 

Aclamação ao Evangelho                       Jo 15,4a.5b

Diz o Senhor:

«Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós;

quem permanece em Mim dá muito fruto».

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João                            Jo 15,1-8

«Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor».

«Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer».

«A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».

 

Viver a Palavra

Liberdade e comunhão, entrega e fecundidade são coordenadas fundamentais da vida cristã. A adesão livre e libertadora à vontade de Deus abre o meu coração à comunhão com Deus e os irmãos e desafia-me a uma entrega fecunda que difunde ao longe e ao largo a suave fragrância do amor de Deus. Jesus Cristo é a «a verdadeira vide» que nos revela o coração misericordioso do Pai, «agricultor» paciente que semeia, cuida e espera o tempo da fecunda frutificação.

Fascina-me sempre ver Jesus apresentar o Pai como agricultor. Na verdade, é a única profissão que vemos Jesus atribuir ao Pai: «Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor». Tendo nascido num ambiente rural e tendo sido habituado a ver os meus avós trabalhar a terra, compreendo bem a força destas palavras de Jesus. O agricultor tem um amor apaixonado à terra que lhe está confiada, trabalha afincada e esforçadamente, vive atento aos perigos e adversidades que podem ameaçar a sementeira e procura defendê-la e protegê-la dos perigos que a assaltam, não se resigna a um horário das nove às cinco, mas labuta incansavelmente de sol a sol. O agricultor poda, arranca as ervas e sacha o terreno, uma e outra vez, para que a sementeira possa germinar e crescer.

Por isso, como é belo poder ver Deus como um agricultor que ama e cuida de mim com paciência e desvelo, com uma atenção, cuidado e protecção permanentes para que eu possa crescer e frutificar. Zeloso pela obra das suas mãos, este Agricultor «corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto». Quem faz a experiência de ver uma vinha abandonada e não podada percebe como é assaltada pelas ervas e silvas, emaranha-se sobre si própria e adoece, os seus ramos tornam-se cada vez mais esguios e enredados, dá pouquíssimas uvas e de fraco sabor e as folhas desbotam. Bem diferente é a vide podada e cuidada que se tona bela e viçosa, com frutos abundantes e de delicioso sabor.

A Palavra que Deus nos dirige limpa os nossos ramos, a seiva que a união com Cristo nos comunica fortalece e dá vida e assim podemos crescer firmes e fortes, prontos e disponíveis para frutificar e encher o mundo da alegria e da felicidade que só o amor de Jesus nos pode oferecer e garantir.

Permanecer é imperativo para que possamos dar fruto. Estar unidos a Jesus e, por Ele e Nele, aos nossos irmãos é condição fundamental para que a nossa vida se liberte da auto-referencialidade e alargue os nossos horizontes à comunhão, partilha e fraternidade que converte a vida num lugar mais fecundo e generoso.

Se Jesus é a verdadeira vide à qual a nossa vida se une como os ramos à videira, unidos a Cristo estamos também unidos aos irmãos que se alimentam da mesma seiva e se nutrem da mesma vida. A diversidade daquilo que somos e realizamos muitas vezes cria dificuldades e resistências na comunhão que estabelecemos. Na primeira leitura, vemos a dificuldade da comunidade de Jerusalém em acolher Paulo, vendo nele um adversário e uma ameaça. Sempre que olhamos para o outro como uma ameaça e um concorrente a comunhão rompe-se e a unidade torna-se impossível. Como ramos unidos à videira que é Cristo, somos chamados a cultivar uma atitude de acolhimento e disponibilidade, capaz de instaurar no mundo uma nova fraternidade que rasga horizontes de paz e esperança.

 

Homiliário patrístico

Do Comentário de São Cirilo de Alexandria, bispo

sobre o Evangelho de São João (Séc. V)

Querendo mostrar a necessidade que temos de estar unidos a Ele pelo amor e a grande vantagem que nos vem desta união, o Senhor afirma que é a videira e chama sarmentos aos que estão de certo modo enxertados e incorporados n’Ele e se tornaram já participantes da sua mesma natureza pela comunicação do Espírito Santo. É, de facto, o Espírito de Cristo quem nos une a Ele.

A adesão dos que se aproximam desta videira nasce da boa vontade e intenção; a união da videira connosco procede do seu afecto e natureza. Foi, de facto, pela boa vontade que nos aproximámos de Cristo na fé, mas participamos da sua natureza por termos alcançado d’Ele a dignidade da adopção filial. Efectivamente, segundo São Paulo, o que se une ao Senhor forma com Ele um só espírito.

N’Ele e por Ele fomos regenerados no Espírito Santo, para produzirmos frutos de vida, não da vida antiga e envelhecida, mas daquela vida nova que procede do amor para com Ele. Esta vida nova, porém, só a podemos conservar, se nos mantivermos perfeitamente inseridos em Cristo, se aderirmos fielmente aos santos mandamentos que nos foram dados, se guardarmos com solicitude este título de nobreza adquirido e se não permitirmos que Se entristeça o Espírito que habita em nós, aquele Espírito que nos revela o sentido da habitação divina.

O evangelista São João nos ensina sabiamente de que modo estamos em Cristo e Ele em nós, quando diz: Nisto conhecemos que estamos n’Ele e Ele em nós, porque nos deu o seu Espírito. Assim como a raiz faz chegar aos sarmentos a sua seiva natural, também o Unigénito de Deus concede aos homens, sobretudo aos que Lhe estão unidos pela fé, o seu Espírito, eleva-os à santidade perfeita, comunica-lhes a afinidade e parentesco com a natureza d’Ele e do Pai, alimenta-os na piedade e dá-lhes a sabedoria de toda a virtude e bondade.

 

Indicações litúrgico-pastorais

  1. O mês de Maio é tradicionalmente dedicado a Nossa Senhora e as comunidades cristãs reúnem-se para levar a cabo as mais variadas práticas de piedade popular marianas, sobretudo a recitação comunitária do terço e as procissões de velas. Na exortação apostólica Evangelii Gaudium, o Papa Francisco fala da «força evangelizadora da piedade popular». Através das diversas iniciativas e actividades, é importante ajudar os fiéis a redescobrir a beleza de acreditar, a centralidade da fé em Jesus Cristo e a necessidade de uma vida consentânea com a fé professada e celebrada.

 

  1. Para os leitores: na primeira leitura, é necessário ter em atenção o carácter descritivo do texto, esforçando-se para que a proclamação se torne fluída e evite a transmissão de um conjunto de informações telegráficas. Na segunda leitura, o leitor deve ter presente o carácter exortativo do texto expresso nas formas verbais no imperativo, bem como o tom de esperança que permeia toda a leitura e deve estar presente na proclamação do texto.

 

Sugestões de cânticos:

Entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo – F. Silva (CN 273); Salmo Responsorial: Eu Vos louvo, Senhor (salmo 21) – M. Luís (SRML, p. 206-207); Aclamação ao Evangelho: Aleluia | Diz o Senhor: “Permanecei em Mim” – M. Simões (CN 53); Ofertório: Não fostes vós que me escolhestes – Az. Oliveira (CN 638); Comunhão: Eu sou a veradadeira vide – C. Silva (CN 447); Pós-Comunhão: Louvai o Senhor, louvai – J. Santos (CN 467); Final: Alegria-vos, Mãe de Jesus  – A. Cartageno (CN 190).