Domingo de Ramos: bispo do Porto denunciou a normalização do mal e valorizou a força da esperança

Foto: Miguel Mesquita

Apelou à vivência da esperança na oração para a construção da paz, da comunhão, do perdão, da defesa da vida e da dignidade humana.

Semana Santa é “Semana Maior” que começa com o relato da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. “Também nós sentimos vontade de nos colocarmos entre a multidão daquele tempo e gritarmos a plenos pulmão: Bendito o que vem em nome do Senhor! Hossana nas Alturas!, disse D. Manuel Linda na sua homilia na Missa de Domingo de Ramos, no dia 24 de março.

Numa Catedral do Porto cheia de fiéis, D. Manuel Linda assinalou que a leitura da narração da Paixão naquela celebração faz com que “o nosso coração” se sinta “pequeno e esmagado perante a maldade de quem não conhece outra linguagem que não seja a do ódio e da violência, o sofrimento atroz causado ao próximo e o sangue derramado”, afirmou. “Então, afinal, onde nos situamos?”, perguntou.

O bispo do Porto denunciou a normalização do mal e a prepotência dos poderosos e valorizou a força da esperança. “A esperança é impossível de apagar-se”, declarou.

“Ela é virtude das mulheres e homens que fazem projetos e participam na Criação. Que sonham e plantam a novidade da graça. Ela é estímulo para meter mãos à obra e transformar os rastos de destruição em primavera de vida. Ela é garante que da cruz ensanguentada surgirão raios de luz da ressurreição e vida nova que nenhum túmulo poderá encarcerar. Ela, de facto, anima a fé nos tempos humanos e fortalece a caridade”, afirmou.

Para D. Manuel Linda, “a esperança liga-nos ao céu e motiva-nos a avançar”. “A Igreja que somos, que amamos e servimos, é uma Igreja que não desiste de anunciar o Evangelho e de querer mostrar Jesus Cristo ao mundo”, acrescentou.

“Construamos a esperança na oração. Ao elevarmos ao Pai os nossos hinos de louvor e os nossos pedidos, por todos intercedemos, louvando também aquelas e aqueles que, por causa do amor a Jesus e à sua Igreja, estão presentes e agem no meio de tantas dificuldades por esse mundo fora. E há muitos Cireneus e muitas Verónicas por esses caminhos do mundo! Olhemos à nossa volta: no vasto mundo e na nossa Diocese, a Igreja e muitas pessoas de boa vontade contribuem, decididamente, para a paz, a comunhão, o perdão, a defesa da vida e da dignidade humana. E sempre que assim se faz, alivia-se o sofrimento e devolve-se ou alimenta-se a esperança”, disse o bispo do Porto na conclusão da sua homilia.

RS