Misericórdia do Porto: 525 anos da sua Fundação

No dia 14 de março de 2024, no Auditório D. Pedro IV do Palacete Araújo Porto, junto ao Largo da Paz, na zona da Boavista, acolheu a celebração por parte da Santa Casa Misericórdia do Porto dos 525 anos da sua fundação. Fundada em 14 de março de 1499, inserida no movimento proposto e avançado pela Rainha D. Leonor (1458-1525), que foi esposa do Rei D. João II, cujo primo D. Manuel I, lhe sucedeu após o seu falecimento prematuro (1455-1495). Depois da morte de D. João II, em 1495, e do início do reinado de D. Manuel I, que dele herdou o trono, a “Rainha velha”, como  começou a ser chamada, mulher dotada de um grande sentido do amor do próximo e devotada aos valores artísticos e culturais, promoveu a edificação de hospitais e monumentos que ficaram para a história, como o convento da Madre de Deus, onde está sepultada, concebeu a criação das Casas da Misericórdia, primeiro a de Lisboa e depois a do Porto e outras localidades do país, como as Caldas da Rainha, onde é lembrada em estátua pública.

As Misericórdias promoveram em todo o país um grande conjunto de hospitais e casas de assistência aos enfermos, mas também de outros estabelecimentos humanitários,  procurando por exemplo humanizar as prisões e auxiliar a recuperação dos presos.

Todas estas dimensões foram abordadas no Colóquio realizado no dia 14 de março, na atual sede da Misericórdia do Porto, que continuando a ter a sua igreja e o seu museu na Rua das Flores, tem agora a sua sede na Rua Joaquim Vasconcelos, na zona a Boavista no Porto.

O Colóquio foi orientado pelo Provedor, António Tavares, e pelo mesário das Ates, do Culto e  Cultura da instituição, Francisco Ribeiro da Silva. O colóquio desenvolveu-se ao longo de 10 sessões, nas quais foram abordados os aspectos mais relevantes da vida da instituição, como os seus “traços identitários no tempo longo”, salientando-se o valor das obras de Misericórdia, tanto as corporais como as espirituais (sendo esta uma dimensão valorizada em várias intervenções), que serviram de base aos compromissos aprovados e realizados os longo dos tempos.

Foram também analisadas muitas situações históricas, como a situação no período da transição absolutista e liberal (Fernando Sousa), a atenção às diversas situações marginais – a situação social da mulher e as suas fragilidades (Inês Amorim), a motivação, valorização e orientação dos “legados pios” (Isabel Sá e António Rodrigues), o património único em Portugal, humanizado, representativo de práticas sociais e espirituais, uma cultura de identidade própria (Mariana Cabaço), a motivação das diversas estruturas e personalidades sociais para o exercício das funções diretivas e seus compromissos (Paula Fernandes), a ação na valorização dos recolhimentos femininos nos séc. XVII a XIX (Rita Costa), a promoção dos valores e obras da Arte, da arquitectura  e da pintura e seus autores (Vítor Serrão), o tratamento das doenças venéreas e o tratamento da prostituição (Beatriz Camões). Para além das obras de Misericórdia, corporais e espirituais, Ribeiro da Silva assinalava que a presença e valorização do culto católico foi uma marca sempre presente, como é visível no universo das capelas e igrejas promovidas pelas Misericórdias ao longo do país.

Em todos estes sentidos e em muitos outros, esta efeméride dos 525 anos da Misericórdia foi também assinalada em várias mensagens, entre as quais a do Bispo do Porto, Manuel Linda, que assinala a “história de tanta generosidade”, tanto nas obras corporais como nas espirituais, salientando a “matriz cristã” do seu trabalho e dedicação, valorizando a solidariedade, salientando que a história se valoriza orientando para o futuro. “Coragem para o enfrentarmos” são as palavras finais da sua mensagem.

CF