Organizações Femininas Católicas criaram uma Escola Sinodal

Webinars da União Mundial das Organizações Femininas Católicas (UMOFC) são dedicadas ao tema “A missão das mulheres na Igreja sinodal”

A União Mundial das Organizações Femininas Católicas (UMOFC), através do Observatório Mundial das Mulheres(WWO), lançou no dia 27 de fevereiro uma Escola Sinodal com uma primeira iniciativa intitulada “A missão das mulheres na Igreja Sinodal”, desenvolvida em formato webinar.

O objetivo principal da Escola Sinodal é informar e aprofundar, juntamente com participantes na XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, o andamento do caminho sinodal e os conteúdos fundamentais do capítulo 9 do Relatório de Síntese da Assembleia Sinodal de outubro de 2023 com o título “As mulheres na vida e na missão da Igreja”. Esta formação sinodal decorre de 27 a 29 de fevereiro, em espanhol, inglês.

Serão formadoras nesta Escola Sinodal as seguintes participantes na Assembleia Sinodal em Roma: Momoko Nishimura, do Japão, e Maria Dolores Palencia, do México; a jornalista moçambicana, Sheila Pires; a religiosa da UISG, Maria Cimperman, dos Estados Unidos; a filósofa Anne-Béatrice Faye, do Senegal; a professora australiana, Susan Pascoe, e as leigas Eva Fernandez, da Espanha, e Sandra Chaoul, do Líbano.

“O principal objetivo da Escola de Sinodalidade da UMOFC é promover a metodologia sinodal, tanto entre as mulheres como entre outros membros do Povo de Deus, para transformar-nos juntos numa Igreja sinodal em missão, na qual todos possam cumprir plenamente e com corresponsabilidade a sua própria missão, em particular as mulheres”, assinala o comunicado da UMOFC.

Mónica Santamarina, presidente da UMOFC e WWO, refere que esta Escola visa “difundir a cultura da escuta, do silêncio e do discernimento, princípios fundamentais da metodologia sinodal”.

Entretanto, em abril esta Escola Sinodal vai promover “Conversas no Espírito” para centenas de mulheres e homens em todo o mundo, para colocar em prática a metodologia sinodal e aprofundar a missão e ministérios das mulheres na Igreja. Mais informações em www.wucwo.org

Propostas para a missão das mulheres na Igreja

O ponto 9 do Relatório de Síntese assinala que “as mulheres constituem a maioria das pessoas que frequentam as igrejas e são, muitas vezes, as primeiras missionárias da fé na família”. Salienta, contudo, que o “clericalismo, machismo e um uso inapropriado da autoridade continuam a deturpar o rosto da Igreja e causam dano à comunhão”.

O documento sublinha que a Assembleia Sinodal formulou “com clareza o pedido de um maior reconhecimento e valorização do contributo das mulheres e de um crescimento das responsabilidades pastorais que lhes são confiadas em todas as áreas da vida e da missão da Igreja”.

O Relatório de Síntese apresenta as seguintes propostas de trabalho para a missão das mulheres na Igreja:

– As Igrejas locais são encorajadas, de modo particular, a alargar o seu serviço de escuta, acompanhamento e cuidado às mulheres que, nos diferentes contextos sociais, estão mais marginalizadas.

– É urgente garantir que as mulheres possam participar nos processos de decisão e assumir papeis de responsabilidade na pastoral e no ministério. O Santo Padre aumentou de modo significativo o número de mulheres em posições de responsabilidade na Cúria Romana. O mesmo deveria acontecer nos outros níveis da vida da Igreja. Consequentemente, é necessário adaptar o direito canónico.

– Que se dê seguimento à pesquisa teológica e pastoral sobre o acesso das mulheres ao diaconado, beneficiando dos resultados das comissões propositadamente instituídas pelo Santo Padre e dos estudos teológicos, históricos e exegéticos já realizados. Se possível, os resultados deveriam ser apresentados à próxima sessão da Assembleia.

– Os casos de discriminação laboral e de remuneração desigual dentro da Igreja devem ser debatidos e resolvidos, particularmente no que concerne às consagradas que, muitíssimas vezes, são consideradas mão de obra barata.

– É preciso ampliar o acesso das mulheres aos programas de formação e aos estudos teológicos. Insiram-se as mulheres nos programas de ensino e formação dos seminários para favorecer uma melhor formação para o ministério ordenado.

– Os textos litúrgicos e os documentos da Igreja estejam mais atentos não só ao uso de uma linguagem que tenham em igual consideração os homens e as mulheres, mas também à inserção de uma gama de palavras, imagens e relatos que se inspirem com maior vitalidade na experiência feminina.

– Propomos que mulheres, com formação adequada, possam ser juízas em todos os processos canónicos.

Desmasculinizar a Igreja

Recordemos que em novembro de 2023 o Papa Francisco em audiência aos membros da Comissão Teológica Internacional reiterou a importância da contribuição das mulheres para a reflexão teológica.

“Se não soubermos o que é a teologia da mulher, nunca entenderemos o que é a Igreja”, disse o Santo Padre.

Francisco reafirmou que “a Igreja é mulher” e salientou que “um dos grandes pecados que cometemos é ‘masculinizar’ a Igreja”. Devemos “desmasculinizá-la” e fazê-lo a partir da teologia, declarou.

RS