UCP Teologia: refletir sobre o trabalho num mundo globalizado

“Por trás das estruturas estão rostos humanos”, afirma em entrevista o padre Abel Canavarro, que é vice-diretor da Faculdade de Teologia. O responsável afirma que a Igreja deve “ajudar a refletir” os problemas do mundo do trabalho “e sobretudo a ser capaz de congregar” com “uma atitude de apresentar os valores humanos”.

Decorre durante esta semana, até quinta-feira 8 de fevereiro, mais uma edição das Jornadas de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP). Neste ano de 2024 o tema é “O trabalho num mundo globalizado: novas configurações e novos desafios”, numa organização da Faculdade de Teologia, em colaboração com a diocese do Porto e o apoio da Irmandade dos Clérigos.

“Ao pensarmos nestas Jornadas estamos a olhar o mundo”, refere em entrevista à Voz Portucalense (VP), o padre Abel Canavarro, vice-diretor da Faculdade de Teologia. Para o responsável “o mundo muda muito e rápido e muitas vezes não há uma assimilação das descobertas ou da novidade tecnológica onde o Homem, muitas vezes, é despersonalizado”.

O padre Abel Canavarro que é também, coordenador da Faculdade de Teologia no Campus da UCP no Porto, sublinha que estas Jornadas pretendem refletir sobre os novos desafios do mundo do trabalho, trazendo “para o ambiente universitário as problemáticas que as pessoas vão sentindo”. Especial destaque neste evento para uma “aproximação sobre este assunto a partir da psicologia”.

Para o professor de Teologia é importante afirmar que “o trabalho é como uma vocação” sendo necessário construir “uma sociedade onde as pessoas se realizam naquilo que fazem”.

“Não é o Homem que deve estar ao serviço da tecnologia”, salienta, mas é “a tecnologia que deve servir o Homem”. O padre Abel Canavarro assinala ser fundamental afirmar que “por trás da tecnologia estão seres humanos”. “Por trás das estruturas estão rostos humanos”, declara.

Na opinião do vice-diretor da Faculdade de Teologia da UCP “a Igreja não pode ficar a ver o mundo a passar” e tem de entrar “no barco em que navega o mundo”, procurando ser “sinal de esperança”.

“A Igreja não pode ficar alheada dos problemas do mundo, tem que ajudar a refletir estes problemas e sobretudo a ser capaz de congregar”, afirma o responsável apontando que a Igreja deve ter “uma atitude de apresentar os valores humanos” ajudando a “encontrar soluções para os problemas dos jovens”.

“O cristianismo é humanismo”, sustenta o professor, apontando o cristianismo como “estilo de vida” no qual “os cristãos devem ser, não só portadores, mas também testemunhas dos valores” do cristianismo.

“Um cristianismo que não nos ensina a ser mais humanos, mais solidários e a estarmos próximos dos que sofrem, não é um autêntico cristianismo”, afirma o padre Abel Canavarro.

Na sessão de abertura das Jornadas de Teologia, no dia 5 de fevereiro, estiveram presentes Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da UCP e D. Manuel Linda, bispo do Porto. Destaque no programa para as comunicações de Carlos Garcia Andoin do Instituto Diocesano de Teologia e Pastoral de Bilbao sobre “trabalho digno e empresa sustentável” e de Luigino Bruni, da Universidade de Roma, sobre “os desafios do trabalho à luz do humanismo bíblico”.

RS