Proximidade do Senhor e da Igreja nas situações diversas

Por Joaquim Armindo

Muito se tem discutido sobre as situações ditas “irregulares” e as possíveis bênçãos que qualquer ministro da igreja possa fazer. Neste caso encontram-se os casais chamados de recasados ou as pessoas divorciadas, que não obtiveram a nulidade do casamento na igreja, porque nem disso se lembraram, ou os homossexuais, na sua diversidade de género. Há o caso, até, de não se poderem aproximar do altar para o sacramento da eucaristia. A Igreja Anglicana Inglesa e muitas das diversas Igrejas nacionais que se expressam na Comunhão Anglicana já resolveram o problema, há bênção e ninguém poderá impedir um homem ou uma mulher de se aproximar em consciência do altar do Senhor. Outras Províncias Anglicanas não aprovaram tal nos seus países. Existem culturas diferentes que se têm de valorizar, o que interessa, sobretudo, o que interessa, é a consciência de cada um a necessitar da bênção ou da comunhão com o Senhor. Lembro-me de um missionário que apresentou numa conferência em Fátima a questão de num país africano – não me lembro o nome -, um homem casado – segundo a tradição local – com três mulheres. Abraçou o cristianismo com afinco e consciência profunda, mas existia a questão das três mulheres. Que fazer, despedir duas e ficar com uma? Ficar com as três? O que Jesus diria, para lá das leis canónicas da igreja? Esta uma questão que talvez Jesus não tivesse de pensar sobre o caminho a seguir, mas hoje os canonistas, os teólogos, os especialistas em moral, poderiam colocar duas das mulheres na “rua”. Jesus não faria tal!

Num discurso dirigido ao Dicastério para a Doutrina da Fé, diz o papa Francisco: “Neste contexto de evangelização menciono também a recente Declaração Fiducia supplicans. A intenção das “bênçãos pastorais e espontâneas” é mostrar concretamente a proximidade do Senhor e da Igreja a todos aqueles que, encontrando-se em situações diversas, pedem ajuda para continuar – às vezes para iniciar – um caminho de fé. Gostaria de sublinhar brevemente duas coisas: a primeira é que estas bênçãos, fora de qualquer contexto e forma litúrgica, não requerem perfeição moral para serem recebidas; a segunda, que quando um casal se aproxima espontaneamente para pedi-lo, não é abençoada a união, mas simplesmente as pessoas que o solicitaram juntas. Não a união, mas as pessoas, tendo naturalmente em conta o contexto, as sensibilidades, os locais onde se vive e as formas mais adequadas para o fazer.” Aqui pergunta-se porque não a união? Mas as palavras de Francisco “situações diversas” são diferentes da expressão “irregular”, o caminho se vai fazendo.

Um pai ou uma mãe não abençoarão um filho por estar numa situação diversa – esta palavra é a usada pelo papa Francisco -, ou tê-lo sentado à sua mesa, quer casado novamente, quer tendo uma relação homossexual? Então o Pai de todos nós vai obstaculizar tal? O Pai, Deus do Amor, nunca faria isso, nós talvez façamos.