Celebrar a vida

Por João Alves Dias

“Ter esperança é ter os nossos corações ancorados naqueles que amamos, nos nossos antepassados, nos lugares onde estão os santos, onde Cristo está, onde Deus está.” (Papa Francisco, in A Sabedoria do Papa Francisco)

Aconteceu no ‘Dia de Todos-os-Santos’. Ao ler no Apocalipse (7,9) “Depois disto, vi uma multidão imensa”, saltaram-me à mente os ‘santos’ da minha vida. Era um longo, longo, cortejo…

. Na frente, vinham os da minha família: meus pais, sogros, irmãos, avós, padrinhos, compadres, tios, sobrinho e primos.

E os vizinhos que me acarinharam a meninice: a ‘tia Isabel’ que me ajudou a nascer e a ‘tia Juliana’ que me deu um gato.

. Seguiam-se os que me orientaram nos caminhos da Fé: ‘Mestra Maruja’ a minha catequista; P. Carlos que me batizou; João XXIII que me entusiasmou; P. Vieira Pinto e P. Agostinho, meus diretores espirituais; D. Florentino que me ordenou; Paulo VI que me dispensou ‘das obrigações inerentes ao estado sacerdotal’; D. António Ferreira Gomes que me entregou o ‘’rescrito’ e disse: – “Espero que formeis a retaguarda teológica da Igreja”.

. Depois, os que me ajudaram a progredir no conhecimento: D. Beatriz, a minha professora primária, e Dr. Sousa Marques, o último a falecer. E, em representação dos outros professores, nomeei os reitores dos seminários: Cónego Nédio de Sousa; Dr. Moreira da Rocha; Dr. Pinho Brandão e Padre Miguel Sampaio. E ainda o Professor Ruy Luís Gomes reitor da Universidade do Porto, que tão bem me acolheu.

. Evoquei os companheiros dos ‘bancos de escola’, em especial o Pedro Gradim, o último a deixar-nos.

E dos meus alunos, que me ajudaram a crescer em humanidade, lembrei o André e, dos estagiários, a Maria da Graça.

Dos que partilharam comigo a alegria de ensinar, recordei o Guilherme, colega de estágio, o Brito e o Valério, da direção pedagógica, e o Oliveira e o Serafim, do ‘Boa Memória’.

. E não faltaram os amigos que foram para mim ‘cireneus’ (Mt. 27,32), nas tardes de calvário e ‘madalenas’ (Jo 20,2), em manhãs de páscoa. E veio-me à mente o meu primo Manuel Joaquim e Frei Geraldo, o último a partir.

E, do Coro Gregoriano, lembrei, em especial, o seu fundador, Belarmino Soares, e o Álvaro Ribeiro, o último a falecer.

. Seguiam-se as ‘primícias’ da ‘Obra Diocesana’, entre muitos, P. Teixeira Fernandes, D. Julieta Cardoso e Dr. Pedro Cunha, do Secretariado Diocesano; Victor Capucho e Eng. Resende, da 1ª direção e os senhores Armando e Portela, dos centros sociais.

E, da paróquia da S.ª do Calvário,  Ângelo Jorge e  senhor Costa, da Liturgia; D. Aida, D. Margarida e senhor Joaquim Costa, do apoio à capela da Paz, e D. Miquinhas, D. Maria José e senhor Alexandre, do Calvário;  senhores Mota e Pereira, do Coro; D. Agostinha e  senhor Artur, da Catequese; senhores Barbosa, Branquinho e Ramiro, da C.A. ; senhor Castro e Zé Guilherme, do Convívio; chefes Alcides, Amândio, Rosinha, Carlos Alberto e Joaquim, do Escutismo; D. Celeste e D. Cármen, da Caridade; D. Margarida e senhor José, da C. de Base; senhor Lima, Alcides e Altina Ferronha, do CPM; Olga Celeste e  António Matos, dos M.E.C; Eng. Batalha e senhor Faria, do C. Paroquial; Azuil e Bento, dos estagiários.

Este texto, pensado no ‘Dia de Fiéis Defuntos’, só agora é publicado porque “os últimos são os primeiros…” (Mt.20,16).

A abrir as minhas memórias, vinha um sorriso que nos alegrou a vida e, agora, enche-nos o coração de saudade: era o nosso Zé Carlos. O seu funeral realizou-se em 24 de janeiro de 2010. Faz hoje 14 anos.

No final das exéquias, o João Miguel disse: – “Meu irmão partiu, mas nós continuamos a celebrar a sua presença. No dia 4 de março, faria 30 anos. Convido-vos para um encontro de louvor e gratidão”.

Foram muitos os amigos que aceitaram o convite e encheram o Centro Paroquial da S.ª do Calvário. E o jornalista Marques da Cruz fez um diaporama desse encontro com o título que assumi para este texto.

Gosto de ver a santidade (…) nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes (…) Esta é muitas vezes a santidade ao pé da porta”. (Papa Francisco – Gaudete et Exsultate)