Transformaremos as espadas em relhas de arado?

Espero que esta reflexão encoraje a fazer com que os progressos no desenvolvimento de formas de inteligência artificial sirvam, em última análise, a causa da fraternidade humana e da paz. Não é responsabilidade de poucos, mas da família humana inteira. De facto, a paz é fruto de relações que reconhecem e acolhem o outro na sua dignidade inalienável, e de cooperação e compromisso na busca do desenvolvimento integral de todas as pessoas e de todos os povos.” – ao terminar a sua “reflexão”, com estas palavras, sobre o dia mundial da paz de 2024, Francisco, bispo de Roma e papa, surpreende-nos por não chamar – como era normal-, a ela não uma “mensagem”, mas uma sua “reflexão”, o que vem contribuir para que seja, também, uma nossa profunda reflexão com ele, um principio de sinodalidade que tantos não compreendem. Esta reflexão sobre a paz, tendo em consideração a inteligência artificial, é um convite a que o género humano não faça da tecnologia a sua destruição, porque para caminhar no sentido da paz, os seus fazedores, vão encontrar escolhos dum mundo preocupado em estabelecer a “inteligência artificial” como contributo para mais armas e mais dinheiro. Por isso continua: “Nestes dias, contemplando o mundo que nos rodeia, não se pode ignorar as graves questões éticas relacionadas com o setor dos armamentos. A possibilidade de efetuar operações militares através de sistemas de controle remoto levou a uma perceção menor da devastação por eles causada e da responsabilidade da sua utilização, contribuindo para uma abordagem ainda mais fria e destacada da imensa tragédia da guerra. A pesquisa sobre as tecnologias emergentes no setor dos chamados “sistemas de armas letais autónomas”, incluindo a utilização bélica da inteligência artificial, é um grave motivo de preocupação ética.”

Assim nos chama à introspeção que a “inteligência artificial” faz sentido “Quando os seres humanos, “recorrendo à técnica”, se esforçam por que a terra “se torne habitação digna para toda a humanidade”, agem segundo o desígnio divino e cooperam com a vontade que Deus tem de levar à perfeição a criação e difundir a paz entre os povos.” E, assim, “torna-se necessário interrogar-nos sobre algumas questões urgentes: quais serão as consequências, a médio e longo prazo, das novas tecnologias digitais? E que impacto terão elas sobre a vida dos indivíduos e da sociedade, sobre a estabilidade e a paz?”.

Transformar as “espadas” em “relhas de arado” e, mais que isso, ser fazedores deste desígnio, é lutar pela paz, no uso das tecnologias, as “inteligências artificiais” do hoje, sejam para promover a paz e a convivência humana. Uma chamada a todos os homens e todas as mulheres de boa vontade, mas exigida a todos os cristãos e todas cristãs que pugnam por relações de paz, de amizade e não de neocapitalismos forjadores de guerras.