Um tesouro que vem de longe…

Por João Alves Dias

Era um desejo antigo. Vinha dos tempos em que me apercebi do papel decisivo dos mosteiros na formação da Europa, a partir dos escombros do Império Romano. Com especial relevo para o de ‘Sant Gallen’, no Alto Reno, que a UNESCO, em 1983, classificou como Património da Humanidade “pela sua importância histórica e civilizacional”.

Foi, pois, com especial emoção que, no verão passado, o pude visitar.

Fundado em 612 por São Gallen, monge irlandês, muito contribuiu para o ‘Renascimento Carolíngio’, quando, com ‘Penino, o Breve’, rei dos francos (751-768), nele, foi criada a escola de artes, literatura e ciência. Os manuscritos, obra dos ‘monges copistas’ estão na origem da sua biblioteca, uma das mais ricas e mais antigas do mundo.

Para o seu prestígio muito contribuiu, ainda, o Canto Gregoriano, quando Carlos Magno, imperador do ‘Império Sacro Romano-Germânico’ a partir do ano 800, pediu ao Papa alguns dos seus mais distintos cantores.

E, o ‘Gregoriano’,o mais rico e artístico manancial melódico medieval” que influenciou toda a música europeia, encheu catedrais e mosteiros. E chegou ao nosso tempo através dos ‘Seminários’ onde era ensinado.

Desejosos de perpetuar este valioso património cultural, antigos seminaristas de Vilar, por iniciativa do Dr. José Belarmino Soares, criaram, em 1995, o Coro Gregoriano do Porto.

A partir daí, tem cantado em celebrações litúrgicas e concertos nas mais diversas instituições de índole científica, cultural e religiosa, desde Melgaço até Ferreira do Alentejo; chegou a Santiago de Compostela e a Roma; atuou na televisão, gravou para a rádio. E editou quatro CDs…

Aqui chegados, apraz-me evocar alguns passos significativos do seu já alongado caminho.

3/12/1995, 1.º Domingo do Advento –  Cantou, na igreja da Lapa, o motete ‘Rorate’.

20/1/1998 – Oficialização do ‘Coro Gregoriano do Porto’, com sede na igreja da Trindade, no Porto.

4/2/1999 – Gravação do CD ‘Os melhores Coros Amadores da Região Norte’.

8/12/2000 – Apresentação do CD ‘Rorate’, na igreja da Trindade.

23/3/2001 – Concerto na Universidade de Trás-os-Montes.

5/4/2003  –  Concerto na igreja do Convento das Carvalhiças, em Melgaço.

3/12/2004 – Apresentação, na igreja da Trindade, do CD ‘Gaudete

19/3/2005 – Concerto na igreja da Senhora da Oliveira, em Guimarães.

27/11/2005 – ‘Te Deum’ na igreja do Mosteiro de Tibães, Braga.

8/4/2006 – Concerto na igreja de Santa Maria de Óbidos.

1/12/2007- Concerto na igreja de Arrabal, Leiria.

11/4/2008 – Concerto na capela da Universidade de Coimbra.

17/4/2008 – Concerto na Sala do Senado da Assembleia da República, Lisboa.

4/5/2008 – Apresentação do CD ‘Ecce Mater Tua’, na igreja da Trindade

30/12/2008 – Participação na ‘Praça da Alegria’ da RTP1.

18/4/2009 – Concerto na igreja de Santa Maria, na Covilhã.

3/6/2009 – Concerto do 50.º aniversário do Hospital de S. João, em S. João Novo.

24/1/2010 – Eucaristia na Sé, no 1.º ‘Dia da Voz Portucalense’.

11/12/2010 – ‘Missa do Peregrino’, em Santiago de Compostela – ‘Ano Xacobeo’.

4/9/2011 – Romagem à terra de D. António Barroso, presidida por D. Manuel Clemente.

19/3/2012 – Apresentação do CD ‘Cantate’, na igreja de S. João da Foz.

9/5/2012 – Audiência Geral, na Praça de S. Pedro, Roma, com o ‘Salve Mater Misericordiae’.

Interpretando o nosso júbilo, o Marques Cruz deu o título “Roma, Meu Último Sonho’ ao álbum que organizou.

22/5/2012 – Carta do Vaticano que transmitia ao Coro os agradecimentos e votos de Sua Santidade Bento XVI: “O Santo Padre, envolvendo-vos a todos na Sua solicitude de Pastor Universal, confirma esses votos e preces com uma propiciadora Bênção Apostólica”.

4/6/2017 – Eucaristia no Monte da Virgem, no último ‘Dia da Voz Portucalense’, presidida por D. António Francisco que viria a falecer no dia 11 de setembro.

20/10/2022. A partir desta data, passou a cantar a Eucaristia das 11h30, no 3.º domingo de cada mês, na capela de Fradelos.

3/12/2023, 1.º Domingo do Advento – Na ‘Missa Solene’ da tomada de posse da ‘irmandade jovem’ de N.ª S.ª da Boa Hora, de Fradelos, presidida por D. Manuel Linda, o Coro deu graças a Deus pelos 28 anos de existência e lembrou ‘Rorate’, o seu cântico fundador.

Amigo, se quiser sentir a magia deste canto que nos transporta ao silêncio meditativo dos claustros medievais, apareça, que o tempo urge…