Gaza, Advento entre bombas e esperança. O pároco: o Papa telefona todos os dias

As explosões que mais uma vez atingem a Faixa de Gaza colocam em risco também a única paróquia latina da cidade, onde está abrigada quase toda a comunidade cristã. O padre Gabriel Romanelli conta com que espírito o Natal está sendo preparado: meus paroquianos estão vivendo esse período à espera da salvação, confiam no Senhor: estão convencidos de que Ele porá fim a esse conflito dramático.

Na paróquia da Sagrada Família em Gaza, o Advento começou em meio a explosões e estilhaços de foguetes que também atingiram o pátio da igreja. Os bombardeios, que recomeçaram com extrema violência depois de uma breve pausa em toda a Faixa, também colocam em risco a vida dos 700 cristãos – quase toda a comunidade da Faixa – que se refugiaram na única paróquia latina da cidade palestina desde o início do conflito. Quando cruzaram pela primeira vez as portas desse lugar de salvação, muitos haviam perdido tudo: casa, parentes, amigos. Mas não a esperança.

Confiança, apesar de tudo

“A situação é realmente dramática”, explica o padre Gabriel Romanelli com extrema preocupação. O pároco da Sagrada Família responde de Jerusalém, onde estava antes do início da guerra e de onde não pode mais voltar: na Faixa, por enquanto, ninguém entra ou sai. E, no entanto, apesar de seu “coração doer com a distância forçada”, o padre consegue ser informado de tudo o que está acontecendo, até mesmo da maneira como seus paroquianos estão se dirigindo para o Natal. “Eles estão fazendo isso”, diz ele, “preparando-se para um evento que consideram ser de salvação. Eles confiam no Senhor e estão convencidos de que Ele, mais cedo ou mais tarde, colocará um fim a essa tragédia”.

Orações pela paz

Era o último dia 3 de dezembro, o primeiro domingo do Advento, quando todos os cristãos da Sagrada Família se reuniram em frente ao altar para rezar pela paz: “Eles acenderam a primeira das quatro velas tradicionalmente usadas durante esse período de preparação e, diante dessa luz, pediram ao Senhor que atendesse ao seu desejo”, diz o padre Romanelli. E não importa se água, comida, remédios e até mesmo o gás necessário para a eletricidade são cada vez mais uma miragem: o corpo pode estar enfraquecido, mas o espírito não. “Basta pensar”, revela o padre, “que as religiosas da paróquia conseguem cozinhar três vezes por semana, distribuindo a comida até mesmo na vizinhança. Um verdadeiro milagre.

Cartões postais de esperança

As crianças que a Sagrada Família está acolhendo são muitas. Algumas são portadoras de deficiências, outras sobreviveram à destruição da paróquia ortodoxa de São Porfirio, em Gaza, em 19 de outubro, na qual foram abrigadas como refugiadas junto com seus pais. Todos elas, em preparação para o Natal, desenharam um cartão endereçado diretamente ao Menino Jesus. A Ele, revela o Padre Romanelli, “eles pediram para voltar para casa. Afinal, as crianças estão vivendo a essência do Advento porque estão olhando para o céu”.

Telefonemas do Papa Francisco

Mesmo neste momento, o Papa não deixa de mostrar sua proximidade para com os cristãos da Faixa de Gaza. Padre Romanelli confirma que “Francisco telefona para a paróquia todos os dias. Ele fez também quando, há alguns dias, não estava muito bem. Sua voz mal podia ser ouvida e, mesmo assim, ele continuou ligando. Esse gesto de amor é um grande apoio para nós que não nos sentimos abandonados pela Igreja”.

(inf: Vatican News)