O Sorriso – Centelha do Divino – I

Por João Alves Dias

O Menino que queria encontrar-se com Deus”. É o título dum texto que corre na ‘Net’ de que me faço eco.

“Pôs o lanche na mochila e saiu para brincar no parque. Depois de andar um bocado, encontrou um velhinho sentado num banco da praça a observar os pássaros.

O menino sentou-se a seu lado, abriu a mochila e preparava-se para comer qualquer coisa quando olhou para o velhinho e percebeu que ele estava com fome. Decidiu oferecer-lhe um pão.

O velhinho muito agradecido aceitou e sorriu. O seu sorriso era tão bonito que o menino quis vê-lo de novo; então, ofereceu-lhe um sumo de fruta.

Mais uma vez o velhinho sorriu. O menino estava feliz!

Continuaram sentados o resto da tarde, comendo e bebendo em silêncio e trocando sorrisos. Quando começou a escurecer, o menino resolveu voltar para casa, mas, antes de sair deu um grande abraço ao velhinho. Foi então que o velhinho retribuiu o abraço com o maior sorriso que o menino já havia recebido.

Quando o menino chegou a casa, a mãe surpreendida ao ver a sua cara de felicidade, perguntou:

– O que é que te deixou tão feliz assim?

Ele respondeu:

– Passei toda a tarde com Deus. Ele tem o mais lindo sorriso que eu alguma vez vi…

Enquanto isso, o velhinho chegou também a casa com o mais radiante sorriso no rosto e o filho perguntou:

– Onde é que o pai esteve, que está tão feliz?

E o velhinho respondeu:

– Estive a lanchar no parque com Deus. Sabes que Ele é bem mais novo do que eu pensava.” (Autor desconhecido)

Foi no verão passado que o lemos e comentámos. Era tempo de pausa na vida de dois avós… Tempo propício à meditação e à partilha…

Então lembrei-me da Filosofia Escolástica que afirma o riso como um ‘próprio’ do homem, isto é, só o ser humano tem o privilégio de rir. Ao que minha esposa acrescentou “Mais que o riso – que pode ser uma reação nervosa como quando nos fazem cócegas – é o sorriso que é um riso com intenção”.

Esta consideração fez-nos reler o livro “A Alegria de um sorriso” do Papa Francisco que o inicia dizendo: ”O meu desejo resume-se numa palavra: o sorriso”. E, logo na primeira página, confirma a nossa conversa: “O riso é uma expressão de amor, de afeto, tipicamente humana”.

E vai mais longe ao afirmar “Jesus é o sorriso de Deus” (pág. 9).

Como assim? – perguntámo-nos, se os Evangelhos nunca falam do sorriso de Jesus?

Deixando a explicação para quem sabe, considerámos que, sendo verdadeiro Deus, mas também verdadeiro Homem, Jesus terá sorrido muitas vezes ao longo da sua vida. E demorámo-nos a evocar momentos propícios ao sorriso.

. Não imaginamos Jesus, nas Bodas de Caná (Jo 2,1), de cara sisuda, sem participar com um sorriso na alegria da festa nupcial.

. E também não o vemos, em casa dos seus amigos Lázaro, Marta e Maria (Lc 10,38), de rosto fechado, sem um sorriso de agradecimento aos seus anfitriões.

. O mesmo aconteceria quando se sentava à mesa com “pecadores e publicanos” (Mt 9,10).

. E quando teve palavras tão carinhosos para mulher que sofria de hemorragias: “Tem coragem, filha, a tua fé te salvou” (Mt  9,22)

. E nem o podemos imaginar a entrar em Jerusalém num jumentinho sem acenar e sorrir para a multidão que “apanhou ramos de palmeira, saiu ao seu encontro, e gritava: Hossana!” (Jo 12,12).

Há, porém, uma situação em que o menino Jesus, não tenho dúvidas, sorriu. Dizem os psicólogos que, por volta dos três meses, surge o chamado ‘sorriso social’, como reação espontânea da criança ao sorriso da mãe e doutras figuras que lhe são familiares.

O Papa Francisco confirma-o… Mas isso ficará para a semana…

Se não fosse abuso, atrever-me-ia a:

.  Sugerir-vos, caros leitores, que pegásseis nos Evangelhos e partísseis em busca destas e outras situações propícias ao sorriso. Garanto-vos que é uma tarefa reconfortante para a alma;

. Pedir aos biblistas o favor de nos explicar o que terá levado os evangelistas a nunca referir o sorriso de Jesus quando, pelo contrário, várias vezes nos dizem que Ele chorou (Jo 11,35; Lc 19, 41).