“Neste momento, só temos Deus”, desabafa Irmã Nabila Saleh, apelando à paz e à ajuda para a Faixa de Gaza

Foto: AIS

Ao telefone desde a Faixa de Gaza, a Irmã Nabila Saleh descreve à Fundação AIS Internacional a situação dramática em que se encontram cerca de 700 pessoas que se refugiaram na Paróquia da Sagrada Família, onde não há electricidade nem água corrente, e lança um apelo veemente à paz e à ajuda humanitária, cada vez mais urgente…

“Só queremos paz, paz. Já tivemos seis guerras em Gaza. As crianças só conhecem a guerra”, diz, como num lamento, a Irmã Nabila. Ao telefone com a Fundação AIS Internacional, esta religiosa do Santo Rosário de Jerusalém explica que está cada vez mais difícil a vida de todos os que se acolheram na Paróquia da Sagrada Família, na região norte da Faixa de Gaza.

Neste momento refugiaram-se lá cerca de sete centenas de pessoas, em condições muito difíceis, não havendo electricidade nem água corrente. A Irmã Nabila mostra-se particularmente preocupada com cerca de uma centena de crianças traumatizadas que fazem parte dos que se acolheram na paróquia, assim como com cerca de 50 pessoas com deficiência e alguns feridos que estão a receber tratamento médico.

Sem água corrente, as Irmãs recorrem a um poço, mas temem que este possa secar a qualquer momento. A água engarrafada custa o triplo do preço normal…. Os recursos disponíveis neste momento são muito limitados e as Irmãs – no total estão ali sete religiosas e um sacerdote católico – procuram fazer tudo o que está ao seu alcance para garantirem que cada pessoa possa receber o que necessita de mais urgente. Mas é muito difícil.

A situação está a piorar de dia para dia, especialmente depois de os refugiados se terem deslocado para a paróquia após o complexo ortodoxo grego ter sido atingido por uma explosão que matou 18 pessoas.

“Queremos apenas a paz…”

Apesar destas circunstâncias terríveis, a Irmã Nabila permanece resiliente, acreditando que “manter-se ocupada e ajudar os outros é a melhor maneira de lidar com a devastação”.

A Santa Missa é celebrada duas vezes por dia e as pessoas rezam constantemente o terço, procurando a paz por intercessão da Virgem Maria e de Deus. Ao fim de quase duas semanas a viver no complexo paroquial, a Irmã Nabila só tem um pedido a fazer: Paz, paz, queremos apenas paz. Há tanto mal, tanto sofrimento. É terrível. Neste momento, só temos Deus, disse à Fundação AIS Internacional.

Com o passar do tempo, a situação das populações civis agrava-se acentuadamente. Poucos dias depois de a violência ter irrompido na região, após os sangrentos ataques do Hamas em Israel, a 7 de Outubro, a Irmã Nabila, parceira local dos projectos da Fundação AIS, já descrevia um ambiente muito difícil, com enormes urgências ao nível humanitário, mas assegurando que iria ficar ali junto do povo cristão, que não iria abandonar ninguém.

“Precisamos de medicamentos. Muitos hospitais foram destruídos. A nossa escola também foi danificada, mas não nos vamos embora. As pessoas não têm nada, nem sequer os bens essenciais, para onde é que iríamos? Para morrer na rua? Há aqui pessoas idosas, as Missionárias da Caridade também estão connosco, com um grupo de deficientes e idosos. Para onde é que eles podem ir? Nós ficamos com eles. Rezem por nós, para que esta loucura termine”, diz esta irmã que se vai tornando, por estes dias, num símbolo coragem na adversidade da pequena comunidade cristã na Faixa de Gaza.

O telefonema do Papa

Sinal disso, no domingo, dia 15, a Irmã recebeu uma chamada telefónica do próprio Papa Francisco. Preocupado com a situação humanitária que se está a viver na região, o Santo Padre fez várias perguntas que a Irmã Nabila Saleh descreveria depois ao Vatican News. “O Santo Padre queria saber quantas pessoas estão alojadas nas estruturas paroquiais”, explicou a religiosa.

Na altura, eram cerca de 500, “entre doentes, famílias, crianças, deficientes, pessoas que perderam suas casas e todos os seus pertences”. Agora, como a Irmã contou à Fundação AIS, são já cerca de 700 pessoas, o que diz bem do crescimento do número dos que se refugiaram nas instalações da paróquia. O telefonema do Papa foi, explicou a religiosa “uma grande bênção”. “Ele deu-nos coragem e apoio na oração. Pedimos-lhe que fizesse um apelo pela paz e dissemos-lhe também que oferecemos os nossos sofrimentos pelo fim da guerra, pela paz, pelas necessidades da Igreja e também pelos trabalhos do Sínodo em andamento. Os nossos paroquianos ficaram muito felizes, sabem que o Papa trabalha pela paz e pelo bem da comunidade cristã em Gaza”.

(inf: Departamento de Informação da Fundação AIS-Ajuda à Igreja que Sofre)