Diácono Álvaro Sequeira a humildade do serviço

Por Joaquim Armindo

Uma vez me dei conta estar perante um homem do serviço diaconal. Conto. Era o dia 26 de outubro de 2019, lançava então o meu livro “amor de mar”. Tinha convidado quase todos os meus amigos e amigas. Por isto, ou por aquilo, com razões todas atendíveis, não estavam presentes. Até porque a “assembleia” era pequena. Pois Álvaro Sequeira lá estava. Com sua esposa. Ela já estava com dificuldades no andar. Ele, porém, não a queria deixar sozinha em casa. E lá foram os dois. Ele com muito cuidado segurava a esposa. E caminhava. Caminhava com um sorriso nos lábios. Como quem tinha respondido a um convite. Mas para ele era serviço. Estar ali com um irmão no diaconado. E lamentava mais tarde que não estivessem mais. Ora, Álvaro Sequeira tinha todas as razões para não estar presente. Mas não. Para ele estar ali era um serviço. Um serviço para o qual foi chamado. Um serviço diaconal. Recordo esta sua face com carinho. Com o carinho de quem reconhece no Álvaro Sequeira a conquista do serviço diaconal. Nem que fosse a mim. E estou grato. Mas só escreveria isto quando o Álvaro já não estivesse connosco nesta terra. Mas na outra em quem ambos cremos. Faleceu vítima da sua doença. Agora serve-nos junto do Pai em que ambos acreditamos. Na comunhão dos Santos e Santas.

Certa vez perante a minha impulsividade. Que terei sempre. Ele me dizia que o diaconado não era só serviço. Mas humildade perante todos os homens e mulheres. Ele – dizia – subordinava-se a tudo o que lhe ordenassem. Era diácono e tinha prometido servir. Sem olhar até ao seu pensamento. Eu dizia que não era a minha ideia. Mas ele fortemente afirmava que o seu compromisso com Deus e a Igreja era só servir. Bem tínhamos ideias diferentes do servir. Nem por isso deixava de admirar a sua coragem do exercício de uma humildade diaconal que aquele homem encarnava. Por isso o admirei. A sua constância, na amizade. A sua vontade de servir sem mais. E servia. Com uma humildade que invejamos.

De pequena estatura. Mas grande no seu sentido de serviço diaconal. Agora na “Comunhão dos Santos” estará ao serviço mais humilde para cada um de nós. Sei que a comunicação social da sua terra nem deu por isso. Ele também não quereria. Mas penso que não deveria esquecer este servo de Deus. E dizer aquilo que me mais marcou das suas palavras. Aqui está o que vivo com ele. E não esqueço o seu sorriso perante todas as adversidades da vida. A sua confiança do no seu Senhor. Obrigado, diácono Álvaro Sequeira ficarás sempre gravado nos corações dos diáconos da Diocese do Porto.