Da Jornada da Juventude ao Sínodo dos Bispos

Por M. Correia Fernandes

Continuemos a lembrar com justificado orgulho e sentido ético e pastoral a realização da Jornada da Juventude, nos primeiros dias de agosto. Quer pela presença papal, quer pelo número de participantes, quer pela qualidade das celebrações, reconhecida pelas mensagens que foram divulgadas, a Jornada Mundial da Juventude constituiu um acontecimento digno de memória e rico de sugestões pastorais e sociais. Apesar das censuras laicistas inevitáveis, que não souberam entender e aprofundar o sentido da laicidade como abertura às iniciativas da sociedade em ordem ao seu aperfeiçoamento, a Jornada realizou a sua tarefa religiosa e humanista. E importa reconhecer que foi o papel dos jovens, na ação e nas mensagens, que proporcionou à Jornada a sua força e o seu êxito.

Deve por isso quer a sociedade quer a Igreja saber ler os sinais e colher os frutos de dinâmica e de espírito que ela encerrou. Segundo afirmou o novo Bispo de Setúbal nos Açores, “a Jornada foi uma ocasião de evangelização, anúncio de Cristo Vivo; agora as conversões acontecem no coração de cada um. Apressemo-nos a ser empreendedores de sonhos. Vamos lá sonhar e concretizar esses sonhos”.

Esses sonhos passarão por novas iniciativas pastorais e evangelizadoras da Igreja e em iniciativas de valorização social, cultural  e humana de toda a sociedade civil, nas iniciativa das estruturas religiosas e de toda a laicidade social. Importa por isso que em todos se sinta o apelo de tornar a nossa sociedade mais intercultural e mais humanizada, na compreensão, no diálogo e na solução de problemas tão centrais como o sentido da vida, a promoção da saúde, a valorização ecológica, a procura de paz e mais justiça social.

Passada a Jornada, importa agora lançar o olhar e as ações para o Sínodo, que se iniciará em 4 de outubro, com a reunião da Assembleia Sinodal, para a qual o seu Secretário-geral, cardeal Mario Grech, acaba de lançar um pedido à oração por parte das comunidades cristãs, apelando a que  façam oração para que a ação do Espírito Santo seja o grande protagonista do evento eclesial.

Foi anunciado que a reunião da Assembleia vai ser antecedida por uma vigília de oração ecuménica, a realizar em30 de setembro, na Praça de São Pedro, que assume um valor simbólico, ao contar com a presença de responsáveis das Igrejas Ortodoxa, Protestante e Evangélica, neste início de caminho sinodal que, tendo as suas raízes nas propostas nascidas do Concílio Vaticano II, continua a constituir um caminho essencial da Igreja nas suas propostas para o mundo moderno.

A primeira sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos vai ter lugar de 4 a 29 de outubro de 2023, com o tema “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão”. O papa Francisco anunciou que uma segunda etapa se realizará em 2024. Nesta Assembleia de outubro a Conferência Episcopal Portuguesa estará representada pelo seu presidente, D. José Ornelas e pelo vice-presidente D. Virgílio Antunes.

Devemos recordar que a grande novidade desta assembleia do Sínodo dos Bispos foi a sua preparação, em que se procurou mobilizar todas as comunidades cristãs pera fazerem chegar à Assembleia as dimensões pastorais de cada comunidade, os seus desafios e projetos, que constituirão a temática da reflexão, certamente aprofundada por múltiplos especialistas, sobre os grandes problemas do mundo e da Igreja nestes tempos. O Papa quis assim que o Sínodo fosse dos Bispos, mas até eles fizesse chegar e todos os anseios e dramas das diferentes comunidades cristãs em todo o mundo. É este sentido do “caminhar juntos” (que é o significado especial da palavra “Sínodo”) que constitui o principal sentido e projeto da reunião.

Todos recordaremos esse caminho percorrido nas diferentes comunidades, a expressão das propostas  e sugestões que foram solicitadas e que certamente serão consideradas nos diversos momentos do encontro.

O Sínodo tornar-se-á assim um ponto de chegada e uma proposta de ponto de partida para a renovação constante das comunidades eclesiais e da sua inserção na sociedade humana e nas suas culturas.