Papa condena ameaças de uso de armas nucleares

O Papa condenou hoje em Roma os responsáveis políticos que ameaçam com o recurso a armas nucleares, falando no final do encontro inter-religioso pela paz promovido pela comunidade católica de Santo Egídio.

“O uso de armas atómicas, que, de forma condenável, continuaram a ser produzidas e testadas depois de Hiroxima e Nagasáqui, é agora uma ameaça aberta”, alertou Francisco, falando aos participantes na cerimónia conclusiva do evento ‘O grito da paz. Religiões e Culturas em Diálogo’, no Coliseu.

Francisco, que se deslocou em cadeira de rodas, falou dos “horrores da guerra” citando uma intervenção de São João XXIII, a 25 de outubro de 1962, perante uma “grave crise internacional” [a crise dos mísseis de Cuba, ndr], na qual “a deflagração nuclear parecia próxima”.

O Papa João XXIII pedia então aos responsáveis políticos que evitassem uma guerra “cujas terríveis consequências” não poderiam ser previstas.

Após um momento de oração com os líderes cristãos, Francisco foi ao encontro de representantes de outras religiões e da sociedade civil, evocando “o espírito de fraternidade que inspirou a primeira convocação histórica” destes encontros, por São João Paulo II em Assis, a 17 de outubro de 1986.

“Este ano a nossa oração tornou-se um grito, porque hoje a paz é gravemente violada, ferida, espezinha: e isto na Europa, o continente que viveu as tragédias das duas guerras mundiais no século passado”.

O Papa assinalou que, nas últimas décadas, “as guerras nunca pararam de sangrar e empobrecer a terra”.

“O momento que vivemos, no entanto, é particularmente dramático. Por isso, elevamos a nossa oração a Deus, que ouve sempre o grito angustiado dos seus filhos”, acrescentou.

A intervenção sublinhou que a paz está no “coração das religiões”, lamentando a “indiferença” e o “ódio” que alimentam a “retórica da guerra”.

“Que todos, começando pelos governantes, se inclinem para ouvir com seriedade e respeito. O clamor pela paz expressa a dor e o horror da guerra, mãe de toda pobreza”, pediu.

“Não nos deixemos contaminar pela lógica perversa da guerra; não caiamos na armadilha do ódio ao inimigo. Coloquemos a paz no centro da visão de futuro, como objetivo central da nossa ação pessoal, social e política, a todos os níveis”.

O encontro iniciou-se no domingo, reunindo líderes religiosos e representantes de povos e culturas dos cinco continentes no Centro Congressos de La Nuvola, da capital italiana.

Durante as várias sessões foram evocadas, em particular, as guerras na Ucrânia e na Síria, os desafios da crise migratória e o combate às alterações climáticas.

A cerimónia conclusiva contou com uma intervenção de Esther, refugiada da Nigéria, que falou da sua experiência na Líbia, onde chegou aos 23 anos de idade e ficou presa durante seis anos, vivendo “um verdadeiro inferno”.

A sua libertação aconteceu por causa dos corredores humanitários geridos pela comunidade de Santo Egídio, em Roma.

A refugiada pediu que “este caminho de salvação possa ser dado a muitas pessoas que fogem da guerra, da seca e da pobreza” e “estão em perigo de vida”.

O encontro no Coliseu de Roma concluiu-se com a leitura de um Apelo de Paz.

Os participantes observaram um minuto de silêncio pelas vítimas da guerra, do terrorismo, da violência e do tráfico humano.

(inf: Agência Ecclesia)