Pacto por uma nova economia

Por Joaquim Armindo

Na minha última cronica aqui no “Voz Portucalense” – escrita antes de ter conhecimento da assinatura do “Pacto por uma nova Economia” -, deixava quatro preocupações que atravessam a implementação da “Economia de Clara e Francisco”, que era não se poder estabelecer uma economia de comunhão, sem um desenvolvimento harmonioso de quatro vetores: economia, ambiente, social e cultural, e dentro eles uma consideração fundamental pela inclusão de mulheres em igualdade com os homens, e dizia que sem isso não poderia existir qualquer desenvolvimento económico. Pois assim, também, o refere o “Pacto por uma nova Economia”, assinado em Assis. Senão vejamos: i) diz o pacto que é necessário “uma economia que cuida da criação e não a saqueia”, o referente à componente ambiental; ii) diz o pacto: “uma economia que não deixa ninguém para trás, para construir uma sociedade em que as pedras descartadas  pela mentalidade dominante se tornem pedras angulares”, referente à componente social; iii) diz o pacto: “uma economia que saiba valorizar as culturas e tradições dos povos, todas as espécies vivas e recursos naturais da Terra, que combata a pobreza em todas as suas formas, reduza as desigualdades e saiba dizer “Bem-aventurados os pobres”- o que se traduz na componente cultural e, mais, engloba as quatro componentes. Poderia citar outros pontos do “Pacto”, mas fico por estes três.

Mas é necessário que, agora e já, as confissões cristãs, e, mormente, as dioceses católica-romanas do mundo interiorizem o “Pacto” e em espírito sinodal, não façam “orelhas moucas”, como têm feito relativamente à encíclica “Louvado Sejas”. Existem muitos movimentos ao nível universal, principalmente de jovens, dispostos a prosseguir com uma vontade férrea de transformação das estruturas existentes e “por uma nova economia”, mas isso não basta, é necessário acordar quem detém “poderes” na Igreja, no sentido de encarar seriamente este “Pacto” e o colocarem no centro das suas políticas pastorais, o que, diga-se, não está a acontecer. Se tal não se der, então o “Pacto” terá o mesmo destino da encíclica “Louvado Sejas”, que, falando em linguagem futebolística, foi “chutada para canto”.

A assinatura do “Pacto” constitui um ato importante, mas mais importante será que as estruturas da Igreja o assumam como centralidade, de resto pode perder-se a assinatura, no mesmo, do bispo de Roma e papa Francisco.