Em Assis um Pacto por uma nova Economia

O Papa assinou em Assis com os jovens um compromisso por uma “economia de paz e não de guerra”

Mais de 1200 jovens vindos de 120 países, incluindo Portugal, reunidos em Assis, Itália, assinaram no sábado dia 24 de setembro com o Papa Francisco um pacto global, em favor de uma “Economia do Evangelho”, atenta aos mais pobres e à natureza.

O texto, divulgado no final do encontro ‘Economia de Francisco’ 2022, propõe “uma economia de paz e não de guerra, uma economia que cuida da criação”.

Os economistas, empresárias e empresários, agentes de mudança, estudantes, trabalhadoras e trabalhadores que estiveram reunidos em Assis e que estiveram com Francisco, defendem “uma economia ao serviço da pessoa”, sobretudo dos mais frágeis e vulneráveis, que não deixa “ninguém para trás”.

No seu discurso, o Santo Padre apelou a “Uma nova economia, inspirada em Francisco de Assis”. Segundo o Papa esta “hoje pode e deve ser uma economia amiga da terra e uma economia de paz” – declarou.

“Trata-se de transformar uma economia que mata numa economia da vida, em todas as suas dimensões” – frisou o Papa.

O Pacto do Papa com os jovens foi assinado logo após o pronunciamento do pontífice e destaca a importância de “trabalho digno e seguro para todos, onde as finanças sejam “amigas e aliadas da economia real e do trabalho”.

Esta grande iniciativa foi lançada pelo Papa Francisco através de uma carta em maio de 2019, mas teve o seu primeiro encontro presencial adiado devido à pandemia de covid-19.

Nessa carta, datada de 11 de maio de 2019, Francisco convida jovens economistas e empresários de todo o mundo a participarem com ele de um evento e de uma ‘aliança’ a ser consolidada em Assis.

O Santo Padre escolheu Assis por considerar ser o mais apropriado para “inspirar uma nova economia”, pois foi ali que S. Francisco se despojou de toda a mundanidade para escolher Deus como bússola da sua vida, tornando-se pobre com os pobres e irmão de todos.

Nessa primeira carta de 2019, o Papa destacava que a salvaguarda do meio ambiente não pode ser dissociada da garantia da justiça para os pobres e assinalava que “universidades, empresas e organizações são laboratórios de esperança para criar novas formas de compreender a economia e o progresso, combater a cultura do desperdício, dar voz a quem não tem nenhuma e propor novos estilos de vida”.

Foi neste ideal de fraternidade que se inspirou esta grande iniciativa que ficou logo conhecida com o nome ‘Economia de Francisco’. Desde esse ano transformou-se num movimento internacional de jovens, para repensar modelos económicos, financeiros e de desenvolvimento, com várias iniciativas online em volta de 12 “aldeias” sobre temáticas que vão do papel da mulher na economia à sustentabilidade e a crise ecológica.

Após a edição online que decorreu em 2020, unindo mais de 2 mil participantes de 120 países, os jovens assinaram uma carta-compromisso pelo direito ao trabalho digno, respeito pelos pobres, investimento na educação, apoio à sustentabilidade, igualdade de oportunidades e o fim de paraísos fiscais.

O percurso levou à criação de um movimento, com “hubs” nacionais, como a ‘Economia de Francisco Portugal’, que promoveu formações, lançou um podcast e uma equipa específica para os temas do combate à pobreza.

RS com Agência Ecclesia

 

Publicamos aqui na íntegra o Pacto assinado pelo Papa com os jovens da iniciativa “Economia de Francisco”:

Pacto por uma nova Economia

Nós, jovens, economistas, empreendedores, agentes de mudança, chamados aqui a Assis de todo o mundo, conscientes da responsabilidade que pesa sobre a nossa geração, comprometemo-nos agora, individualmente e todos juntos, a gastar as nossas vidas para que a economia de hoje e de amanhã se torne uma Economia do Evangelho.

Portanto:

uma economia de paz e não de guerra,

uma economia que cuida da criação e não a saqueia,

uma economia ao serviço da pessoa, da família e da vida, respeitosa de cada mulher, homem, criança, pessoa idosa e sobretudo dos mais frágeis e vulneráveis,

uma economia onde o cuidado substitui o desperdício e a indiferença,

uma economia que não deixa ninguém para trás, para construir uma sociedade em que as pedras descartadas pela mentalidade dominante se tornem pedras angulares,

uma economia que reconheça e proteja o trabalho digno e seguro para todos, especialmente para as mulheres,

uma economia onde as finanças sejam amigas e aliadas da economia real e do trabalho e não contra eles,

uma economia que saiba valorizar e preservar as culturas e tradições dos povos, todas as espécies vivas e os recursos naturais da Terra, que combata a pobreza em todas as suas formas, reduza as desigualdades e saiba dizer “Bem-aventurados os pobres”,

uma economia guiada pela ética da pessoa e aberta à transcendência,

uma economia que crie riqueza para todos, que gere alegria e não apenas bem-estar, porque a felicidade não partilhada é muito pouco.

Acreditamos nesta economia. Não é uma utopia, porque já a estamos a construir. E alguns de nós, em manhãs particularmente claras, já vislumbramos o início da terra prometida.

Assis, 24 de setembro de 2022

Economistas, empresárias e empresários, agentes de mudança, estudantes, trabalhadoras e trabalhadores