Cazaquistão: Francisco encontrou-se com representante da Igreja Ortodoxa Russa

O Papa encontrou-se hoje no Cazaquistão com o responsável pelo Departamento das Relações Externas do Patriarcado de Moscovo (Igreja Ortodoxa), metropolita António.

A reunião privada decorreu após a abertura do VII Congresso de Líderes de Religiões Mundiais e Tradicionais, na qual os dois tomaram a palavra, tendo durado cerca de 15 minutos.

No final da reunião, o metropolita António de Volokolamsk disse esperar que o encontro possa vir a concretizar-se.

“Teremos de ver quando, onde e, sobretudo, ter uma declaração, um apelo bem preparado para o fim do encontro, tal como aconteceu em Havana [2016], no primeiro encontro que tiveram”, observou, numa intervenção citada pela Rádio Renascença, acrescentando que “o segundo encontro estava a ser preparado para Jerusalém, depois foi adiado”.

O ‘número 2’ Patriarcado de Moscovo considera que “o encontro entre o Papa e o patriarca [Cirilo] é uma coisa muito importante, por isso, terá de ser bem preparado”.

“Nós estávamos prontos para este encontro, mas foi cancelado pela Santa Sé. No entanto, no nosso encontro de [5 de] agosto, quando fui a Roma, e agora, o Papa confirmou ser necessário haver outro encontro. Teremos de ver quando e como, mas não discutimos os detalhes”, precisou.

No início de maio, o Patriarcado Ortodoxo de Moscovo reagiu a uma entrevista concedida pelo Papa ao jornal ‘Corriere della Sera’, considerando que Francisco “deturpou a sua conversa” com Cirilo.

Em comunicado, o Departamento para as Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa Russa repete argumentos que justificam o que Moscovo denomina como intervenção militar e acusa o Papa de ter dado conta da conversa com o patriarca Cirilo, a 16 de março, num “tom errado”.

Francisco disse então que o patriarca ortodoxo não se pode tornar um “acólito de Putin”, neste conflito, que tem sido justificado pela Rússia com recurso a questões culturais e religiosas.

“Eu disse-lhe: irmão, não somos clérigos de Estado, não podemos usar a linguagem da política, mas a de Jesus. Somos pastores do mesmo povo santo de Deus. Para isso, devemos procurar um caminho de paz, para acabar com o fogo das armas”, explicou.

O metropolita António declarou hoje que a intervenção do Papa, nesta matéria, foi “muito inesperada” e “não foi útil para a unidade dos cristãos”.

“Foi uma surpresa, mas devemos continuar em frente”, concluiu.

A 30 de agosto, a Santa Sé emitiu um comunicado para sublinhar que as intervenções do Papa Francisco sobre a guerra na Ucrânia “devem ser lidas como uma voz em defesa da vida humana” e não como “posturas políticas”.

“As intervenções do Santo Padre Francisco são claras e unívocas em condená-la como moralmente injusta, inaceitável, bárbara, insensata, repugnante e sacrílega”, sustentou o Vaticano.

(inf: Agência Ecclesia)