Rainha Isabel II: Sete décadas de «serviço público» marcadas por uma «fé profunda»

As considerações do padre Peter Stilwell, sacerdote com raízes britânicas. Para o sacerdote nas mensagens da rainha assistiu-se de «forma crescente ao testemunho público da fé cristã»

O diretor do Departamento das Relações Ecuménicas e Diálogo Inter-Religioso do Patriarcado de Lisboa salienta que lembrar a rainha Isabel II, que faleceu na quinta-feira 8 de setembro, aos 96 anos de idade, “é falar também da sua fé profunda”.

“Foi nas suas mensagens à nação que assistimos de forma crescente ao testemunho público da sua fé cristã. Fazia-o com naturalidade e elegância, sem imposição, prestando também nisso um serviço”, explica o padre Peter Stilwell, numa nota enviada à Agência Ecclesia.

O sacerdote, com raízes britânicas, acrescenta que se a rainha de Inglaterra partilhava “com simplicidade os valores que a motivavam”, o público étnica e religiosamente plural a que se dirigia também o podia fazer, “mas com a delicadeza e o respeito com que ela a todos tratava”.

Para o diretor do Departamento das Relações Ecuménicas e Diálogo Inter-Religioso do Patriarcado de Lisboa, recordar Isabel II “na sua vida pública ou familiar, é falar, portanto, também da sua fé profunda”.

A Família Real britânica anunciou a morte da rainha Isabel II, aos 96 anos de idade, no final da tarde de quinta-feira, 8 de setembro; a rainha morreu no Castelo de Balmoral, e estavam presentes, nesta residência da família na Escócia, os quatro filhos – o príncipe Carlos e a esposa Camila, André, Ana e Eduardo, e os netos William e Harry.

O padre Peter Stilwell recorda que neste reinado de 70 anos, como rainha de Inglaterra e chefe temporal da Igreja Anglicana, visitou cinco dos sete Papas em funções durante o seu reino, “e fez questão de criar pontes com dirigentes de outras comunidades religiosas”.

Isabel II foi recebida pelos pontífices no Vaticano, e também os recebeu no seu país: João XXIII foi o primeiro, em 1961, e Francisco o último, em 2014; a rainha de Inglaterra encontrou-se em Roma com João Paulo II em 1980, passados dois anos na Inglaterra (1982) e, novamente, no Vaticano no ano 2000; Bento XVI saudou a monarca na Escócia, em setembro de 2010; ainda como princesa de Gales, Isabel encontrou-se com o Papa Pio XII, em 1951.

O diretor do Departamento das Relações Ecuménicas e Diálogo Inter-Religioso de Lisboa termina lembrando que a monarca com o reinado mais longo da História britânica faleceu no dia da Festa da Natividade de Nossa Senhora.

Isabel II subiu ao trono com 25 anos, coroada “num ritual feito de referências bíblicas”, assumiu o juramento e a unção desse dia como “estruturantes da sua missão”: “Abdicou do interesse e opinião pessoal para promover a confiança no estado e a estabilidade das instituições públicas”.

“Foram sete décadas de dedicação ao bem comum das 56 nações da Commonwealth, a que presidia, mas sobretudo das 14 de que era chefe de estado.  E o exemplo, por todos reconhecido, transpôs largamente essas fronteiras”, acrescenta o padre Peter Stilwell.

(inf. Agência Ecclesia)