Corpo de Deus: bispo do Porto afirmou que a sociedade precisa de bênção, dádiva e partilha

Foto: João Lopes Cardoso

Para D. Manuel Linda são aqueles que habitualmente frequentam a Missa dominical “quem mais se implica na generosidade concreta e na caridade atuada”. Recordou a ação das paróquias, das Misericórdias, das Ordens Terceiras e de tantos crentes que ajudam quem precisa.

Regressou a Procissão do Corpo de Deus à cidade do Porto após dois anos de em que este evento foi suspenso devido às restrições sanitárias ditadas pela pandemia de covid-19. Na quinta-feira, dia 16 de junho, após as Vésperas Solenes na Igreja da Santíssima Trindade, saiu o Santíssimo Sacramento da Eucaristia em Procissão até ao Terreiro da Sé do Porto.

Autoridades, instituições, paróquias, movimentos, obras e milhares de fiéis fizeram-se presentes para concretizar um gesto “que torna mais sólida a nossa fé” – disse D. Manuel Linda nas suas palavras no final da Procissão.

O bispo do Porto recordou o essencial da homilia da Missa a que presidiu na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Na manhã deste mesmo dia na Igreja da Santíssima Trindade, D. Manuel Linda celebrou Eucaristia e assinalou “o tema da bênção e suas implicações”.

“Falava-se de um tal Melquisedec, pagão, que abençoou Abraão e obteve deste não só grande quantidade de bens materiais como o grande dom da paz entre povos e culturas distintas” – disse D. Manuel Linda citando a primeira leitura.

Lembrou também a leitura que nos faz “o relato da instituição da Eucaristia” afirmando que “a partir do pão e do vinho abençoados, cria-se uma nova cultura de partilha e doação total”.

“E o Evangelho relatava como o Senhor, de poucos pães e ainda menos peixes, deu de comer a cinco mil homens, depois de abençoar esse alimento” – lembrou o bispo do Porto.

“É que a bênção – etimologicamente, «dizer bem» – exprime um coração sensível e amistoso. Consequentemente, gera densidade humana e atitudes de generosidade, grandeza de alma, sensibilidade, compaixão. E produz verdadeiros milagres, pois do pouco sabe fazer muito e socorrer sem limites” – disse.

Para D. Manuel Linda, “a nossa sociedade precisa urgentemente deste quadro de valores. Precisa de bênção, pois se ela falta, entra em cena a maldição, etimologicamente, o «dizer mal», a maledicência, a não preocupação pelo semelhante, a possível destruição do outro mediante o desafogar da raiva e do insulto”.

“A bênção, significa dádiva, partilha, capacidade de fazer obra grandiosa mesmo a partir do pouco que se possua; a maldição ou maledicência, pelo contrário, afasta do outro, gera agressividade, rouba o que o outro tem de próprio, pois quando não se dá, tira-se” – declarou o bispo do Porto.

Para D. Manuel Linda são aqueles que habitualmente frequentam a Missa dominical e “celebram esta bênção” do Corpo e Sangue de Cristo, “quem mais se implica na generosidade concreta e na caridade atuada”.

“Pense-se na ação das nossas Paróquias, nas Misericórdias e Ordens Terceiras e nos crentes que levam comida e cuidam dos sem-abrigo ou percorrem os restaurantes para recolher as sobras que estes generosamente oferecem e as levam, às escondidas, a casa de quem sofre carências” – afirmou.

O bispo do Porto afirmou mesmo que “nesta zona do Grande Porto há fome, há imensas necessidades de todo o género”.

“Que a nossa cidade se afirme cada vez mais pela participação eucarística e, consequentemente, por uma nova cultura de bênção, de paz, de generosidade, de efetiva solidariedade” – frisou D. Manuel Linda na conclusão da sua intervenção após a Procissão do Corpo de Deus.

RS