“Praça Central” lança proposta de itinerário de “amizade social”

Decorreu no sábado dia 20 de novembro em Almada, na diocese de Setúbal, mais uma edição da iniciativa “Praça Central”, atividade promovida pela Conferência Nacional das Associações do Apostolado dos Leigos (CNAL). Teve como tema “A difícil arte da amizade social. Como é importante sonhar juntos!” colhendo inspiração na Encíclica do Papa Francisco: “Fratelli Tutti”.

Um evento que todos os anos convoca “mulheres e homens de Portugal para um dia de diálogo sobre política, cidadania e cultura, tendo por ponto de partida a matriz cristã e por inspiração as propostas do Papa Francisco para a sociedade atual” – como refere a organização.

Damos aqui destaque a algumas das intervenções na informação disponibilizada pela Agência Ecclesia.

O médico cardiologista Luís Parente Martins disse que a “amizade social” proposta pelo Papa Francisco exige unidade e diálogo em todos os âmbitos.

O conferencista sustentou que “uma Igreja fraterna” seria um modelo para a sociedade, para a promoção de transformações necessárias.

Parente Martins falou da sua experiência como católico, marcada pela ligação à espiritualidade dos Focolares, que sublinha a dimensão da unidade. Convidado a falar do tema “recomeçar”, o orador sublinhou três dimensões – iniciar, corrigir, implementar – para promover um itinerário de amizade social, que alimente o dialogo dentro da Igreja, ecuménico, inter-religioso, com os não-crentes e a cultura.

Parente Martins destacou a ligação ao processo sinodal, lançado pelo Papa Francisco, que decorre num momento de “extremar de posições” dentro da Igreja, convidando a valorizar as diversas “sensibilidades” e a evitar os “fundamentalismos”.

A intervenção deixou testemunhos pessoais, como a experiência que levou à criação do Encontro Cristão, em Sintra, a caminho da sua 12ª edição, em 2022, ou a ligação à Associação Ponte, Instituição Particular de Solidariedade Social.

O médico é ainda o mentor da ‘Unidade Mais Sentido’, que designa o Hospital de Dia de Cuidados Paliativos de Insuficiência Cardíaca Avançada, localizado no Hospital Pulido Valente (CHULN).

Parente Martins realçou a necessidade de fazer “verdadeiras escolhas éticas”, convidando os católicos a promover valores e atitudes próprias.

A intervenção deixou uma série de “tarefas” aos participantes, como “verbalizar o amor recíproco” ou promover dinâmicas que tornem a celebração da Eucaristia “mais percetível, mais congregacional e mais bela”.

“Iniciar uma amizade pessoal com um membro de outra religião”, corrigir modelos de ação social ou “implementar a amabilidade” foram outras propostas lançadas.

A manhã de trabalhos incluiu uma mesa-redonda com testemunhos sobre ‘A construção da amizade social nas dimensões da política e cidadania’.

Manuel Carvalho da Silva, investigador e antigo responsável pela CGTP, falou da compreensão da amizade como inclusão e não como “escolha” que limita.

O convidado citou o Papa Francisco, que no número 162 da encíclica ‘Fratelli Tutti’ escreve que “a grande questão é o trabalho”, como dimensão essencial da vida social.

Rita Valadas, presidente da Cáritas Portuguesa, aludiu à sua vivência em Angola e ao percurso académico-profissional de alguém que “não se conforma”.

“Queria encontrar soluções com os recursos que temos”, observou.

Rita Sacramento Monteiro, gestora de voluntariado corporativo e membro da ‘Economia de Francisco’ – Portugal, recordou a experiência como voluntária, alimentada pelo “desejo de ajudar os outros”.

“A amizade social é um movimento de saída”, precisou.

Durante a tarde de dia 20 de novembro decorreram workshops com cerca de 50 intervenientes que abordaram quatro temas centrais: cidadania, política, cultura e diálogo.

RS com Agência Ecclesia