JMJ 2023: símbolos no Algarve ao encontro das periferias

Na primeira semana da peregrinação da cruz peregrina e do ícone mariano no Algarve, foram notícia as visitas ao Estabelecimento Prisional de Olhão e à Fundação Irene Rolo, instituição que acolhe pessoas portadoras de deficiência.

Os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) continuam a percorrer o Algarve, primeira diocese de Portugal a receber a cruz peregrina e o ícone mariano. Na sua permanência na Vigararia de Tavira, destaque para as visitas dos símbolos a pessoas que estão nas margens da sociedade, vivendo em periferias existenciais.

Foram notícia as visitas dos símbolos da JMJ ao Estabelecimento Prisional de Olhão e à Fundação Irene Rolo, instituição que acolhe pessoas portadoras de deficiência.

Segundo informa o jornal diocesano “Folha do Domingo”, a cruz e o ícone estiveram em Olhão na terça-feira dia 2 de novembro, no Estabelecimento Prisional. Foram levados pelo padre Rafael da Rocha que é membro da equipa do Setor da Pastoral Prisional da Diocese do Algarve e responsável por acompanhar aquela comunidade prisional. Estiveram com o sacerdote dois colaboradores e ainda o padre Nuno da Rocha, pároco de Castro Marim.

O padre Rafael explicou aos reclusos o que são a cruz e o ícone. Esta cruz “veio aqui para vós” – disse-lhes. “Alguns de vós podem não acreditar em Deus ou achar que não têm perdão. Mas isso é a vossa cabeça, porque Deus continua a acreditar em vós. Deus continua a querer fazer história convosco” – acrescentou o sacerdote.

Na reportagem do jornalista Samuel Mendonça, ficamos a saber que alguns reclusos rezaram junto dos símbolos, sendo “visível a expressão de comoção”. O diretor do Estabelecimento Prisional de Olhão, Alexandre Gonçalves, revelou ao jornal “Folha do Domingo” que a presença dos símbolos naquela instituição é uma “mensagem de paz que é sempre bem-vinda”.

“Atendendo mesmo até aos momentos conturbados que vivemos a todos os níveis e toda a carga emocional que isso traz associada, a vinda destes símbolos é uma mensagem muito animadora e muito entusiasmante para as pessoas que cá estão e que também representa uma esperança no futuro” – sublinhou ainda Alexandre Gonçalves que dirige um estabelecimento prisional que acolhe cerca de 60 reclusos pertencentes aos círculos judiciais de Loulé, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António.

Entretanto, na quarta-feira dia 3 de novembro, os símbolos da JMJ visitaram a Fundação Irene Rolo, instituição que conta com cerca de 180 utentes dos três meses aos 80 anos de idade e que tem como missão “apoiar pessoas com deficiência e incapacidades e suas famílias, bem como outros públicos vulneráveis, no âmbito da prevenção, acolhimento, reabilitação, formação profissional e inserção social, com vista à promoção da qualidade de vida”.

À reportagem do Jornal “Folha do Domingo”, a presidente da instituição, Carla Pires, agradeceu o facto da JMJ 2023 no Algarve se ter lembrado da Fundação Irene Rolo. “Há aqui muita gente católica” – disse a presidente acrescentando que muitas dessas pessoas “não podem dirigir-se à igreja, ou onde estão aos símbolos, e virem até nós foi lembrar-se da inclusão e de podermos também participar ativamente nas jornadas que vão acontecer em 2023 em Portugal” – afirmou Carla Pires.

Ao jornal diocesano, aquela responsável referiu ainda que as pessoas portadoras de deficiência “não podem ser catalogadas por isso”. “Antes de terem alguma deficiência, são pessoas”, frisou, considerando que aqueles símbolos representam para todos, “a união entre os povos, a inclusão e a não discriminação, independentemente do credo ou da religião que cada um tenha”.

Esta instituição tem como respostas sociais um Lar Residencial para Pessoas com Deficiência Profunda, dois Centros de Atividades Ocupacionais, um Centro de Reabilitação e Formação Profissional, um serviço de Intervenção Precoce, uma Unidade de Novos Projetos para a comunidade imigrante, um programa de Contrato Local de Desenvolvimento Social que trabalha com a população vulnerável do concelho de Tavira, o Apoio ao Estudo do 1º, 2º e 3º ciclos do ensino e Campos de Férias.

A cruz peregrina e o ícone mariano passaram no dia 7 de novembro da Vigararia de Tavira para a Vigararia de Faro. Seguem depois para a Vigararia de Loulé no dia 14 e para a Vigararia de Portimão a 19 de novembro. A 27 de novembro os símbolos serão acolhidos pela diocese de Beja.

RS