O percurso sinodal

Na inauguração do percurso sinodal, o bispo de Roma e papa Francisco que lhe deu forma e conteúdo, afirma: “Obrigado por estardes aqui na abertura do Sínodo.

Por Joaquim Armindo

Percorrendo diversos caminhos, viestes de tantas Igrejas trazendo cada um no coração questões e esperanças; e tenho a certeza de que o Espírito nos guiará e concederá a graça de avançarmos em conjunto, de nos ouvirmos mutuamente e iniciarmos um discernimento no nosso tempo, tornando-nos solidários com as fadigas e os anseios da humanidade. Reitero que o Sínodo não é um parlamento, o Sínodo não é uma investigação sobre as opiniões; o Sínodo é um momento eclesial, e o protagonista do Sínodo é o Espírito Santo. Se não estiver o Espírito, não haverá Sínodo.” Nestas palavras sente-se o sentido de renovação profunda que sonha para a Igreja. Uma igreja aberta a todos e a todas percebendo que o Espírito do Senhor, ou estará presente ou não haverá Sínodo. Só esta dúvida – embora tenha a certeza da sua presença -, vem encher de esperança que a Igreja precisa de ser transformada, à medida do Espírito que sopra o vento levando a alterações substantivas, que há muito tempo cristãos e cristãs vêm, também, a sonhar.

Numa igreja onde os Conselhos Pastorais Paroquiais, só se formam quando o clero assim o ditar e da forma que quiser, Francisco, recorda que “as palavras-chave sinodais são: comunhãoparticipaçãomissão. Comunhão e missão são expressões teológicas que designam – e é bom recordá-lo – o mistério da Igreja.” Para que se constituam substantivas estas palavras possuem um caminhar vetorial, onde existe um sentido, e não só uma direção. Esse sentido expresso pela palavra “comunhão”, é uma liberdade de dizermos o que nos parece sem omissões, sem religiosamente-correto, entraves ou marginalizações propositadas que colocam em causa a comunhão.

A participação gera a comunhão, mas tem de ser ativa, sem-medos, sem-arreios, igualando a participação de dentro e de fora, ou seja, ouvindo os que estão dentro da Igreja e os que estão fora ou são de outras tradições religiosas. Só quando nos abrimos ao mundo é que percebemos quão incertos estamos, quantos pecados cometemos em julgar os outros que sabem melhor trabalhar com todos.

Por isso, só existe comunhão, quando se reflete uma participação ampla, sem tronos ou dominações, e aí estamos em condições de anunciar a liberdade, com que Jesus nos libertou, como refere São Paulo.

Não sei que caminho vai ter o Sínodo, sei que, como diz Francisco, ou tem o Espírito ou não será Sínodo.