Bispo do Porto: “Levantemo-nos e vamos. Não para a sacristia. Mas para o mundo”

Fotos: João Lopes Cardoso

D. Manuel Linda na Missa Crismal exortou os sacerdotes, diáconos e bispos a passarem da prostração ao levantamento. Recordou os difíceis momentos da pandemia e fez memória dos consagrados falecidos no último ano. Lembrou também os que se ordenaram e os que celebram datas significativas de serviço neste ano 2021.

“Celebramos esta Missa Crismal fora do contexto da Semana Santa, âmbito em que se insere com mais naturalidade, pois nos recorda a dádiva que o Salvador faz de Si à humanidade, e a nós, em concerto, o inexcedível dom de nos tornar participantes do seu ministério profético, sacerdotal e real” – foi com estas palavras que D. Manuel Linda iniciou a sua homilia na Missa a que presidiu na Catedral do Porto no sábado dia 11 de setembro.

O bispo do Porto dirigiu as suas palavras sobretudo aos bispos, sacerdotes e diáconos presentes. A pandemia impediu esta celebração da Missa Crismal que se realiza normalmente no início do Tríduo Pascal. Foi assim transferida para a data em que se recordam os pastores falecidos na diocese que é no aniversário do falecimento de D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto entre 2014 e 2017. Neste quarto ano da sua súbita partida para a casa do Pai foi lembrada a sua memória logo nas primeira palavras de D. Manuel Linda.

Numa celebração marcada pela renovação das promessas dos sacerdotes perante o seu bispo e ainda a bênção dos Santos Óleos, do Batismo, do Crisma e dos Enfermos, o bispo do Porto recordou o ato de prostração por terra que os ordinandos fazem no dia da sua ordenação assinalando a “essência do ministério” e o “louvor” a Deus”. Lembrou que “não temos aqui morada permanente, pois esperamos e pregamos outra pátria, essa sim, de eternidade gozosa e feliz” – disse D. Manuel Linda.

O bispo do Porto recordou todos os sacerdotes e diáconos que faleceram no último ano: “Padres Avelino Alves, João de Sousa (Carmelita), Joaquim Cardoso, Horácio Gomes (Vicentino) Pires Bastos, Pedro Fernandes (Dominicano), Cón. Orlando Mota e Costa, Manuel da Silva Pereira (Obra da Rua), Cândido Silva, Fernando Rodrigues (Vicentino), Faustino Caldas Ferreira (Redentorista), Alberto Laranjeira, Edgar Afonseca, Carlos Ribeiro, Marinho Santos, Elias Rocha, Carlos Alberto Pereira, César Pedrosa (Capuchinho), Luís Queirós, João de Deus Costa Jorge (Dehoniano) Fernando Carvalho e Cón. António Augusto de Sousa Marques. Também faleceu um Diácono: Abel Carneiro”.

Partindo da sugestiva imagem do ordinando que depois da prostração se levanta “para a imposição das mãos” e a “receção do Espírito”, D. Manuel Linda recordou todos os que se levantaram em missão assumindo no último ano a consagração como presbíteros e diáconos:

“Neste mesmo período, «levantaram-se» para servir a nossa igreja os seguintes irmãos sacerdotes: a 12 de julho de 2020, César Pinto, Filipe Vales, José Almonte, José Coelho e Misael Fermín. A 11 de julho de 2021, Carlos Maurício, Davide Costa, Edgar Leite, José Pedro Novais, Leonel Rocha, Luís Delindro, Luís Lencastre e Marcos Silva. E os Diáconos Permanentes Joaquim Pinheiro e Rui Campos” – recordou o bispo do Porto.

Lembrados também aqueles que neste ano 2021 celebraram datas significativas do seu serviço à Igreja: “Bodas de prata (25º aniversário de ordenação, 1996), os Padres José Malenga (Salettino), Nuno Antunes, Paulo Sousa (Passionista); bodas de ouro (cinquenta anos de ordenação, em 1971), os Padres António Correia, António Carvalho e Rui Pinheiro; sessenta anos de ordenação (em 1961), os Padres Américo Monteiro, António Santiago, Pinho Nunes, Carlos Rocha Moreira, Celestiano Ruas, Joaquim Martingo e Rodolfo Ferreira; cumpriu setenta anos de sacerdócio (ordenação em 1951), o Mons. Soares Jorge. No episcopado, o senhor D. Pio Alves de Sousa cumpriu dez anos de ordenação. A todos, sinceros parabéns e obrigado pelo trabalho dedicadíssimo” – disse.

Neste momento da sua homilia, o bispo do Porto recordou o lema pastoral para o novo ano que começa: “Levanta-te! Juntos por um caminho novo”. “Neste tempo concreto, levantar-se para reconfigurar a comunidade eclesial profundamente abalada pela crise da pandemia; para envolver toda a Diocese, em família e com as famílias, na preparação desse esperado momento de graça e de efusão do Espírito que serão as Jornadas Mundiais da Juventude; e para, evangelicamente, tornar mais luminoso o rosto da nossa Igreja mediante o princípio da sinodalidade, qual responsabilidade de quem se compromete com o que lhe diz respeito” – sublinhou D. Manuel Linda.

No final da sua homilia, o bispo do Porto lembrou o tempo duro da pandemia no qual “quase metade” do clero do Porto “foi contagiado pelo vírus”. “Muitos de nós fomos obrigados a ficar em isolamento, alguns deram entrada nos hospitais, outros estiveram internados nos cuidados intensivos e quase uma dezena faleceram de Covid ou com Covid. Fizemos funerais e outras ações litúrgicas em contexto de muito medo, escutamos desabafos sem saber que responder, tentamos animar as pessoas mesmo quando a esperança parecia esvair-se, tivemos de aprender a comunicação à distância pelas novas tecnologias, demos voltas à imaginação para descobrir como proceder nos lares e ERPI’s quando os poderes públicos nos abandonaram, choramos por ver as nossas igrejas vazias, fornecemos alimento e ânimo a bocas esfomeadas e a corações despedaçados e levantamos continuamente as nossas mãos para o Alto a implorar a Salvação do nosso povo” – afirmou.

“Em pé de igualdade com os profissionais de saúde e com as forças de socorro e segurança, ninguém esteve mais com o povo do que nós! Ninguém sofreu mais com ele e por ele do que nós! Este é o nosso título de glória, a nossa honra. Parabéns!” – disse D. Manuel Linda dirigindo-se aos sacerdotes, diáconos e bispos presentes na celebração.

A todos exortou a um novo tempo de “levantamento”. “Levantemo-nos e vamos. Não para a sacristia. Mas para o mundo” – declarou o bispo do Porto exortando os sacerdotes a um novo tempo: “Recuperar a alegria das nossas celebrações, refazer o tecido da comunidade, revitalizar os grupos de apostolado, criar outros novos que correspondam às necessidades do momento, ousar novas propostas e respostas pastorais, usar de uma maior caridade e coragem criativas, enfim, implicar todos os fiéis em Cristo nesta tarefa sinodal e bela de amarem e se comprometerem com a Igreja que formam e a quem pertencem”

Na conclusão da celebração, o bispo do Porto recomendou prudência a todos os sacerdotes e suas comunidades no aprofundar do atual desconfinamento da pandemia de covid-19.

RS

Após a celebração o bispo do Porto acompanhado pela assembleia dirigiu-se à capela de S. Vicente, nos Claustros da Catedral do Porto,  junto ao túmulo de D. António Francisco dos Santos no quarto aniversário do seu falecimento num significativo momento de oração.