Domingo XVII do Tempo Comum

Foto: Rui Saraiva

25 de Julho de 2021

 

Indicação das leituras

Leitura do Segundo Livro dos Reis                                                                    2 Reis 4,42-44

«Dá-os a comer a essa gente, porque assim fala o Senhor: ‘Comerão e ainda há-de sobrar’».

 

Salmo Responsorial                                            Salmo 144 (145)

Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome.

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios                                     Ef 4,1-6

«Há um só Corpo e um só Espírito, como há uma só esperança na vida a que fostes chamados».

 

Aclamação ao Evangelho            Lc 7,16

Apareceu entre nós um grande profeta:

Deus visitou o seu povo.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João                            Jo 6,1-15

«Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos».

«Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram».

 

Viver a Palavra

Jesus parte para o outro lado do mar… Jesus sobe ao monte… Jesus senta-se com os discípulos! O nosso Deus, em Jesus Cisto, é um Deus a caminho, que nos impele a atravessar para a outra margem, que nos conduz mais alto para contemplarmos o mundo e a humanidade de um modo novo, que nos liberta do nosso comodismo e nos ensina a arte de conceber a vida como um desafiante peregrinar. É curioso que grande parte da acção dos Evangelhos acontece a caminho, percorrendo as vilas e aldeias, o mar e o deserto, o alto do monte ou a planície. A vida cristã não é estática nem paralisadora, mas quando assumida com verdade e ousadia torna-se um lugar de inquietação e desacomodação.

Jesus coloca-se a caminho, convoca os discípulos para caminharem com Ele e no caminho educa o Seu coração para arte de serem peregrinos. Nós, como os discípulos de outrora, queremos aprender a arte de estarmos tranquilos e serenos enquanto nos soubermos inquietos e despertos para a missão. A vida da fé não é um conjunto de conhecimentos a adquirir, mas a entrada num dinamismo de salvação e de vida que tem a marca da incarnação, isto é, que permanentemente parte ao encontro do mundo e da realidade, transformando tudo a partir de dentro. As grandes mudanças não acontecem pela condenação ou acusação, mas pela acção concerta, generosa e gratuita que faz do mundo um lugar favorável e uma imperdível oportunidade para que a obra de Deus se realize.

O relato da multidão saciada por Jesus é narrado pelos quatro evangelhos e Mateus e Marcos narram-no duas vezes. As diferentes versões deste relato convergem na apresentação de um Deus solícito e generoso, que em Jesus Cristo se faz próximo e sacia a nossa fome. O nosso Deus não é um Deus indiferente às nossas dores e angústias, alegrias e esperanças, fomes e sedes… É um Deus atento e misericordioso, que vê e assume consequentemente a tarefa de socorrer as nossas carências.

Na versão de S. João que escutamos este Domingo, sublinha-se ainda mais a gratuidade e a generosidade de Jesus. Este gesto de Jesus é soberanamente gratuito, uma verdadeira acção e não apenas uma reacção a um pedido dos discípulos ou à compaixão pela multidão. A Páscoa aproxima-se e sobre monte começa já a contemplar-se a plenitude da gratuidade de Deus que se antecipa aos nossos pedidos e que nos liberta da nossa auto-suficiência e egocentrismo. Jesus ensina-nos a ter um olhar largo e amplo que não pensa apenas nas necessidades e carências próprias, mas que faz suas as carências e necessidades dos homens e mulheres que se cruzam connosco no caminho.

O primeiro aprendiz desta arte é aquele rapazito. No meio daquela multidão, tendo ouvido falar de que era necessário prover ao alimento de toda aquela gente, coloca à disposição de todos «cinco pães de cevada e dois peixes». Qual de nós teria a coragem de oferecer tão pouco para a fome de tantos? Contudo, a desproporção entre as nossas capacidades e potencialidades e as necessidades que temos diante de nós há-de sempre acompanhar-nos. Devemos aprender a confiar o nosso pouco nas mãos de Deus, para que se torne muito para bem de todos. O verdadeiro milagre acontece quando o meu pão passa a ser o nosso pão. A verdadeira surpresa é que a fome não acaba quando eu como o meu pão até ficar saciado, mas quando partilho o pouco que tenho. Ao contrário, a fome começa quando guardo só para mim o pão.

Uma vida colocada nas mãos de Jesus, feita acção de graças ao Pai pelos dons que deposita em nossas mãos, torna-se uma vida partida e repartida que rasga horizontes de esperança e nos fala da abundância da ternura e da misericórdia que nenhuma dúzia de cestos poderá conter.

 

Homiliário patrístico

Do Comentário de São Cirilo de Alexandria, bispo,

sobre o Evangelho de São João (Séc. V)

Ora se todos nós formamos um só Corpo em Cristo, não só uns com os outros, mas também com Aquele que em nós habita pela sua Carne, porque é que não vivemos plenamente esta união que existe entre nós e com Cristo? Cristo, com efeito, é o vínculo da unidade, porque é ao mesmo tempo Deus e homem.

Seguindo o mesmo caminho, podemos falar da nossa união espiritual, afirmando que todos nós, ao recebermos o mesmo e único Espírito, isto é, o Espírito Santo, nos unimos uns com os outros e com Deus. Embora separadamente sejamos muitos e em cada um de nós Cristo faça habitar o Espírito do Pai que é também o seu, todavia o Espírito é uno e indivisível, e com a sua presença e acção reúne aqueles que individualmente são distintos uns dos outros, e em Si mesmo faz com que todos sejam um só. E julgo que, assim como a virtude da Carne santa de Cristo transforma num só Corpo os que dele participam, do mesmo modo o único e indivisível Espírito de Deus, ao habitar em cada um, os vincula a todos numa unidade espiritual.

Se de facto habita em nós o único Espírito, também em nós estará, por seu Filho, o único Deus e Pai de todos, unindo entre Si e consigo todos os que participam do Espírito. Já desde agora se torna manifesto, de alguma maneira, que estamos unidos ao Espírito Santo por participação. Com efeito, se abandonamos a vida puramente natural e obedecemos às leis do Espírito, é evidente que, prescindindo da nossa vida anterior e unindo-nos ao Espírito Santo, adquirimos uma nova configuração espiritual e nos transformamos, até certo ponto, noutra natureza. Deste modo já não somos simplesmente homens, mas filhos de Deus e habitantes do Céu, pelo facto de nos termos tornado participantes da natureza divina.

 

Indicações litúrgico-pastorais

  1. No dia 31 de Janeiro, o Papa Francisco instituiu o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos a ser celebrado anualmente, no quarto domingo de Julho, junto à celebração litúrgica de São Joaquim e Santa Ana. Celebraremos o primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos no dia 25 de Julho e para este dia o Santo Padre escreveu uma mensagem intitulada «Eu estou contigo todos os dias». O Papa dirige aos nossos mais velhos uma palavra de encorajamento e esperança para que possam enfrentar este tempo exigente de pandemia que estamos a atravessar. As comunidades cristãs podem fazer chegar esta mensagem aos avós e idosos e manifestar através de algum gesto de proximidade a solicitude para com aqueles que estão mais sós e isolados.

 

  1. Para os leitores: na primeira leitura devem ter cuidado na pronunciação da palavra Baal-Salisa (Báál-Salisa) e ter em atenção os verbos que introduzem o discurso: «disse», «respondeu» e «insistiu». A segunda leitura é constituída por duas partes distintas e a proclamação deve reflectir isso mesmo. Devem ter especial cuidado na repetição da expressão: «Há um só…». As repetições devem ser proclamadas com especial cuidado para que se possa aproveitar toda a expressividade do texto.

 

Sugestões de cânticos:

Entrada: Deus vive na sua morada santa – F. Santos (CEC II 83); Salmo Responsorial: Vós abris, Senhor, a vossa mão e saciais a nossa fome (Sl 144) – M. Luís (SRML, p. 142-143); Aclamação ao Evangelho: Aleluia | Apareceu entre nós um grande profeta – C. Silva (CN 47); Ofertório: Bendito sejas Senhor, nosso Pai – F. Santos (CN 254); Comunhão: Formamos um só corpo – C. Silva (CN 501); Pós-Comunhão: Dai graças ao Senhor – F. Santos (CN 335); Final: Quero cantar o vosso nome – A. Cartageno (CN 851).