Dia dos Avós e dos Idosos

No passado dia 31 de janeiro, na alocução após a oração do Angelus, o Papa Francisco anunciou a decisão de «instituir o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que terá lugar na Igreja inteira todos os anos no quarto domingo de julho, na proximidade da festa dos Santos Joaquim e Ana, os “avós” de Jesus». Será, portanto, no próximo dia 25 de julho o primeiro «Dia mundial dos avós e das pessoas idosas».

Por Secretariado Diocesano da Liturgia

A preparar esse dia, foi divulgada, no passado dia 22 de junho (com data de 31 de maio), uma mensagem do Papa. O tema escolhido pelo Santo Padre para a ocasião é: “Eu estou contigo todos os dias” (cf. Mt 28, 20) e tem por objetivo exprimir a proximidade do Senhor e da Igreja à vida de cada idoso, especialmente neste momento difícil de pandemia. No mesmo dia, em que foi apresentada a mensagem, o Dicastério da Santa Sé para os Leigos, a Família e a Vida tornou público, na sua página na Internet, um «kit pastoral» com reflexões, propostas e subsídios para a vivência e celebração desse dia.

Uma constatação: a pastoral familiar tem-se concentrado predominantemente na preparação para o matrimónio e nas relações de casal ou entre pais e filhos; tem prestado bem menos atenção à relação entre pais idosos e filhos adultos, ou entre avós e netos. A crise mundial da pandemia não só vitimou maioritariamente pessoas de idade mais avançada, mas também pôs a nu que, nas nossas sociedades ocidentais, supostamente “mais evoluídas”, a vida familiar tem vindo a ser amputada da presença das gerações mais idosas, cada vez mais «institucionalizadas» à medida que vão perdendo capacidades e autonomia, havendo um deficit crescente na convivência habitual entre as pessoas de idade mais avançada, os filhos adultos e os netos.

Uma outra abordagem deficiente que importa superar consiste em olhar para os mais idosos como destinatários de cuidados e de solicitude pastoral e não como sujeitos a corpo inteiro da família e da Igreja e, portanto, protagonistas da ação pastoral. Antes de uma pastoral para os idosos ou sobre a velhice, há que equacionar toda a pastoral com eles. O Papa Francisco dá o seu próprio exemplo: numa idade em que já só podia aspirar à aposentação, foi chamado a ocupar a cátedra de Pedro e a presidir à comunhão universal na caridade, guiando a Igreja “em saída” por novos rumos na alegria do Evangelho.

Na pastoral litúrgica, entre nós, não é nem pode ser diferente. Basta olhar para a média etária do nosso clero, a subir de ano para ano. É com estes padres (e diáconos) – poucos jovens e muitos “veteranos” e anciãos – que vamos anunciar o Evangelho, catequizar, celebrar e animar a comunhão e o serviço na nossa Igreja. Como não pode deixar de ser, terão de se graduar e ajustar progressivamente as solicitações que se lhes fazem para os aliviar do peso de tantas tarefas absorventes que os esmagam, chamando à corresponsabilidade outros agentes. Aliviados de pesos (e pesadelos) incomportáveis para as suas forças (pensemos, por exemplo, em responsabilidades administrativas) e que só podem acelerar e precipitar o seu declínio e morte, poderão envelhecer com felicidade, sem deixar de sonhar, como tantas vezes recorda o Papa, prestando com qualidade e dignidade os serviços pastorais que ainda estão ao seu alcance e declinando gradualmente outros, até ao momento em que se limitarão ao mais importante: a oração.

Algo de semelhante se pode dizer do serviço litúrgico dos Ministros Extraordinários da Comunhão, dos que servem a comunidade no setor da música, da proclamação da Palavra, do «zelo» de igrejas e capelas que permite que continuem abertas e habitadas, da animação de tantos momentos de oração das nossas comunidades… Na vida da fé não há idade de reforma. Se, porventura, nos falta juventude na Igreja, não são os cabelos brancos que estão a mais.

As sugestões disponibilizadas pela Santa Sé para o dia dos avós e pessoas mais idosas precisam de ser vertidas para português de Portugal e trabalhadas. Mas há algumas que se podem concretizar, mesmo sem grande tempo de preparação: promover as visitas – os idosos aguardam a visita de um «anjo» que pode ser um neto ou oura pessoa –, reunir a família em festa com a presença dos avós (presumivelmente, estes já estarão vacinados, o que não dispensa algumas cautelas), promover o encontro e diálogo entre gerações, tratar os mais velhos como sujeitos da vida familiar e comunitária e não apenas como «objeto» de cuidados e da prestação de serviços.