São José, modelo dos acólitos

Na parte final da sua mensagem aos acólitos portugueses, por ocasião do 25ª PNA, o papa Francisco propôs-lhes como modelo São José, «acólito de Jesus».

Por Secretariado Diocesano das Liturgia 

O epíteto, que julgamos inédito, poderá terá sido  inspirada no facto de a PNA ocorrer, habitualmente, no dia 1 de maio, memória litúrgica de São José Operário. Acresce ainda a circunstância de estar a decorrer um ano especial, dedicado a São José. Demos a palavra ao Papa:

«A concluir e resumindo de algum modo quanto fica dito, deixo-te uma figura santa e original de acólito de Jesus: São José! Talvez tenhas dificuldade em vê-lo ajudar à Missa, mas, se pensares como se fez em quatro para o Filho de Deus poder descer do Céu à terra, fazer-Se homem e crescer até Se transformar em alimento para a vida do mundo, verás que foi um grande acólito. E mesmo quando precisas de correr para remediar esquecimentos ou surpresas de última hora, não terás dificuldade em reconhecer-te em São José aflito à procura do Filho com doze anos que ficou perdido no templo de Jerusalém. Por nada deste mundo, queria perder Jesus! Por nada deste mundo, queria perder Maria de Nazaré, a noiva que já lhe estava prometida e agora aparece-lhe de bebé: José põe de parte os seus planos para seguir os de Deus, agarrando a Virgem Mãe com o Filho que traz no seio e levando-Os para a sua casa. E por nada deste mundo, São José quer perder-te a ti, generoso e bom acólito; invoca confiadamente e imita zelosamente São José, para servires sempre dignamente o milagre da descida de Jesus à terra que diariamente se realiza nos nossos Altares».

A palavra acólito provém do termo grego akóluthos e, originariamente, significa «o que acompanha», alguém que caminha com outro, assistente; sucessivamente o acólito é quem acompanha e serve, é «ajudante». É sempre alguém «relativo», nunca é o principal, o protagonista, o foco da atenção. São José, podemos dizer, é protagonista do não protagonismo. Está ao serviço, acompanha, ajuda, acolhe. Assim também deverão ser os acólitos: sempre presentes mas nunca no centro, sempre disponíveis para ajudar, sempre focados no protagonista principal que é Cristo, que realmente se torna presente com a sua obra redentora na Eucaristia e nos outros sacramentos.

Os dois amores de José, são Jesus e Maria; os dois amores dos Acólitos são a Eucaristia e a Igreja. Na formação dos acólitos é preciso capacitá-los para pequenos gestos, ações e movimentos que devem realizar de forma eficaz, com beleza e alegria. Frequentemente absorvidos pelo cuidado das intervenções ministeriais que lhes são confiadas, os acólitos correm o risco de se distrair do essencial. A sua participação ativa (interior e exterior) não se pode resumir à execução da parte que lhes compete no «cerimonial». O mais importante é que tenham consciência de que estão a acompanhar e servir Jesus que continua a tornar-se presente e a realizar a obra da redenção graças também ao humilde contributo dos acólitos e, certamente não por último, para a santificação dos mesmos. Por isso, a sua presença e desempenho têm de estar penetrados do sentido de reverência e do fervor da devoção.

A Igreja há de ser o outro amor dos acólitos. Participando assiduamente na Eucaristia, sabem que esta é sempre celebrada em comunhão com o Papa e com o Bispo, cujos nomes se lhes tornam familiares. Mas a Igreja, para eles, não pode ser algo de abstrato e distante: amam a «sua» Igreja, a «sua» comunidade, as assembleias de que fazem parte e que são presididas pelo sacerdote que conhecem bem e ajudam com dedicação porque sabem que ele faz as vezes de Jesus Cristo quando consagra, quando batiza, quando perdoa, quando anuncia a Palavra, quando bendiz e abençoa… E têm a alegria e o brio de pertencer ativamente a esta Igreja, bem inseridos numa comunidade concreta.

Terminamos com palavras do Papa:

«Guardião da Sagrada Família e Padroeiro da Igreja Universal, São José guarde e proteja todos os acólitos de Portugal com quantos os acompanham, dinamizam e instruem, desde as famílias e catequistas às estruturas diocesanas e nacionais, sob o olhar paterno dos párocos e sacerdotes a quem de bom grado recordo este apelo de São João Paulo II (na sua Carta aos Sacerdotes por ocasião da Quinta-feira Santa de 2004): “nas regulares celebrações dominicais e feriais, os acólitos encontram-vos a vós, nas vossas mãos veem ‘fazer-se’ a Eucaristia, no vosso rosto leem o reflexo do mistério, no vosso coração intuem a chamada a um amor maior. Sede para eles pais, mestres e testemunhas de piedade eucarística e de santidade de vida!” A todos chegue, portadora de graça e alegria, a minha Bênção. Rezai por mim».