Órgão da igreja de Cedofeita em nova experiência musical

Na tarde de 28 de abril a igreja nova de Cedofeita registou uma importante afluência de público, em colocação devidamente distanciada, para escutar algo de novo musicalmente: a apresentação de um concerto da jovem compositora sueca  Ellen Arkbro, que propôs uma utilização diferente do órgão de tubos da igreja. Utilizou o seu teclado e sonoridade organística como sintetizador de sonoridades que habitualmente não são utilizadas no instrumento.

A iniciativa começou com a apresentação de um trio de instrumentos de sopro (trombone, trompa e tuba), por músicos que percorrendo o espaço da igreja dialogaram em expressões sonoras de estilo meditativo (imaginamos que da autoria da compositora) e que serviram de introdução à proposta desta ao órgão de tubos, penso que na sua componente constituída pela reconstrução do antigo órgão do convento da Ave Maria, que foi incorporado pelo construtor suíço Th. Kuhn no complexo do órgão pleno.

Importa salientar a novidade da iniciativa. O conjunto revelou novos relacionamentos sonoros do instrumento, habitualmente orientado para as composições clássicas e para o canto litúrgico, em que a compositora sueca procurou revelar novas capacidades expressivas.

De salientar o enquadramento no conjunto doa vitrais da igreja, que visivelmente deslumbraram muitos dos presentes, àquela hora do luminoso entardecer, no seu jogo expressivo da imagem  e da cor, que orienta para a figura pascal do Cristo em ressurreição.

Olhando os assistentes, notava-se a presença de uma dimensão juvenil, conjugada certamente com detentores de experiências musicais já mais elaboradas, mas que todos seguiram a criatividade e a novidade da proposta original da compositora com visível compenetração.

Para quem tenha escutado os grandes concertos transmitidos por aquele instrumento (o último que recordo foi o de Olivier Latry, organista de Notre Dame de Paris), esta nova proposta contém aquela dimensão da novidade engendradora de novos caminhos musicais, a que se pode aplicar a frase bíblica: se a proposta tem qualidade, há-de notar-se no futuro.

CF