Nem guerras atómicas, nem económicas, nem de vacinas

Por Joaquim Armindo

Num mundo em guerra contra uma pandemia, em que existe uma única “arma” de defesa, a vacina, é atroz o que estamos a viver, uma guerra não comum, correr atrás da vacina, fique quem ficar. Se soubéssemos que enquanto os mais recônditos lugares, seja em África, no meio da selva, seja no Brasil, onde a loucura chegou através de um presidente que continua a negar a essência da pandemia, seja na Europa ou não Coreia do Norte, onde se diz que a fortaleza de um homem entretido a enviar misseis, fez com que não chegasse a COVID-19, enquanto – dizia eu -, em todos estes locais não existirem meios para uma vacina, o mundo estará emerso numa situação atroz. Não vale a pena qualquer país dizer que a sua população está vacinada, porque correu com dinheiro para ter as vacinas, a pandemia só acabará quando todos percebermos o que é a Fraternidade e a Humildade, correndo para que qualquer homem e mulher sejam vacinados. Não podemos fazer da pandemia, uma guerra atómica, nem económica, é uma luta de toda a Humanidade.

Numa guerra atómica, destruidora de toda a Criação, ainda percebemos quem são os “inimigos” e onde estão; numa guerra económica sabemos, concretamente, as soluções entre o Viver-Bem e o Bem-Viver, e podemos concretizar que só a Fraternidade, a Igualdade e a Liberdade, põe fim a esta guerra dramática; numa guerra de vacinas, não é possível ter vencedores ou vencidos, ou todos vencem ou ninguém estará a salvo. Sei que estamos no mesmo barco, embora alguns tenham camarotes de luxo e outros dormem tendo por teto as estrelas, sendo este o seu confinamento, mas seja na classe de luxo ou na casa das máquinas, o vírus pode, e tem entrado, para que nunca mais nos esqueçamos.

A “guerra das vacinas” é o contrário da Fraternidade. Cada país quer – uns podem, outros não-, puxa o maior número de vacinas para si, esforçando-se para que não existam “fugas”. Não tem sentido algum este procedimento, porque, afinal, forja na Humanidade a não-Fraternidade. Os cientistas e todos os laboratórios de todos os países devem estar voltados unicamente para vencer a pandemia, em todo o lugar, e não para verem as suas ações a subir na bolsa. Nós, os cristãos e as cristãs, não podemos ignorar que na pandemia não existem “Pátrias”, mas sim homens e mulheres que têm de ser vacinados. E os chamados “negacionistas” também se ensinam. Não pode existir uma “guerra de vacinas”, isso não é Fraternidade.