No “Ano de São José”

Neste dia em que a Igreja assinala a memória litúrgica de S. José, celebrando-se o Dia do Pai, divulgamos o texto do nosso colaborador João Alves Dias que evoca a figura de S. José. 

Recordemos que estamos a viver um ano especial dedicado a S. José, nos 150 anos da sua declaração como padroeiro universal da Igreja feita pelo Papa Pio IX a 8 de dezembro de 1870.

Por João Alves Dias

Ao aproximar-se o dia de São José, relembro as palavras da Carta Apostólica “Patris Corde” com que o Santo Padre convocou o ‘Ano dedicado a São José’:

“Com coração de pai: assim José amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como «o filho de José».

Sabemos que era um humilde carpinteiro (cf. Mt 13, 55), desposado com Maria (cf. Mt 1, 18; Lc 1, 27); um «homem justo» (Mt 1, 19), sempre pronto a cumprir a vontade de Deus manifestada na sua Lei (cf. Lc 2, 22.27.39). Depois duma viagem longa e cansativa de Nazaré a Belém, viu o Messias nascer num estábulo, «por não haver lugar para eles» (Lc 2, 7) noutro sítio. Foi testemunha da adoração dos pastores (cf. Lc 2, 8-20) e dos Magos (cf. Mt 2, 1-12), que representavam respetivamente o povo de Israel e os povos pagãos.”

Esta invocação fez-me recuar aos meus tempos do Seminário Maior onde existia a ‘Pia Associação de S. José’, uma espécie de ‘’associação de estudantes’. Os estatutos da ‘Pia’ consagravam e a tradição impunha que, na festa do seu patrono, na igreja de S. Lourenço (Grilos), o sermão da tarde fosse pregado pelo seu presidente. É um desses sermões – aprovado, previamente, pelo reitor, Monsenhor Miguel Sampaio – que aqui evoco. De manhã, o orador fora o P. Vaz, assistente dos Cursos de Cristandade.

“São José – o Homem Justo da Escritura – é o nosso modelo!

Ele santificou-se cumprindo a Vontade de Deus em todos os seus atos, vivendo e encarnando a sua fé nos seus deveres humanos.

… Santificou-se cumprindo o preceito do trabalho. De tal modo se identificou com a sua profissão que era apenas conhecido por “ O carpinteiro”, como se vê no Evangelho em que o povo admirado com a ciência de Jesus, perguntava entre si: “Não é este o filho do carpinteiro? (Mt 13,55)

… Santificou-se pelo cumprimento exemplar do seu dever de estado. Como chefe de família, trabalha para alimentar os seus. Como marido, em Belém, procura uma hospedaria para a esposa. Como “pai virginal” de Jesus, foge (Mt 2,13) com o Menino para o Egipto e regressa com Ele para a Galileia (Mt,2,19). Durante três dias (Lc 2, 42), com Maria, procura Jesus que tinha ficado em Jerusalém.

… Santificou-se cumprindo o seu dever de cidadão. E assim, vai a Belém dar o nome para o recenseamento, obedecendo à autoridade civil que, então, mandava na Judeia – o Imperador Romano (Lc 2,1).

… Santificou-se cumprindo os seus deveres de membro de uma sociedade religiosa – o Judaísmo. E assim, apresenta o Menino no templo (Lc 2,22) e vai ao templo todos os anos pela Festa da Páscoa (Lc 2,41).

Irmãos, que a Fé penetre todos os sectores da nossa vida e não se confine a um compartimento que se abre uma hora ao domingo. Vivifiquemos a heroica vulgaridade do nosso dia-a-dia!

Na medida em que nos santificarmos assim estamos a instaurar o Reino de Deus, estamos a contribuir para, como disse Pio XII, “ transformar o mundo de selvagem em humano e de humano em divino”.

Uma sugestão. Através da leitura, na Bíblia, dos versículos supracitados, sigamos os passos de S. José e, da ladainha em sua honra, rezemos:

– ‘Esposo da Mãe de Deus, rogai por nós’.

– ‘Amparo do Filho de Deus, rogai por nós’.