Celebrar a Páscoa em tempo de Pandemia (I)

A incidência da pandemia do COVID-19 abrandou significativamente no nosso país. Demos graças a Deus e invoquemos a sua misericórdia com preces e com um comportamento responsável, para que não venhamos assistir a um novo e indesejado agravamento das condições de saúde. As autoridades políticas tornaram público um plano de normalização gradual e progressivo da vida escolar, social e económica. Também a Conferência Episcopal Portuguesa, em Nota de 11 de março de 2021 da Comissão Permanente, anunciou o recomeço das celebrações da Eucaristia com a presença da assembleia a partir do dia 15 de março, com as cautelas concertadas com as autoridades de saúde em maio de 2020 e que preveem distanciamento entre os fiéis (com drástica diminuição da lotação das nossas igrejas), uso de dispositivos de proteção facial e higienização das mãos dos participantes, para além de outros protocolos de segurança.

Coerentemente também as celebrações do Domingo de Ramos e do Tríduo Pascal estarão abertas à participação presencial dos fiéis, mas com a exclusão de procissões e de outras realizações cultuais que normalmente andam associadas a alguma aglomeração de povo: procissão de Ramos, Vias Sacras na via pública, Procissões dos Passos ou da semana Santa, Visita pascal (Compasso) e outras «Saídas da Cruz»…

A recente Nota da Comissão Permanente da CEP dá também algumas indicações sobre a necessária ou conveniente adaptação cautelar de alguns ritos litúrgicos que foram previstos para situações normais e que podem representar algum risco acrescido para a saúde. Nessas indicações, os nossos Bispos remetem para a Nota da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos de 17 de fevereiro de 2021 a qual, por sua vez, revalida para o corrente ano as indicações de exceção decretadas em 19 e 25 de março de 2020 (Prot. N. 153/20 e Prot. N. 154/20).

Domingo de Ramos

A CP da CEP recomenda que no Domingo de Ramos, a Comemoração da entrada de Jesus em Jerusalém seja celebrada com a segunda forma prevista pelo Missal Romano (MR, p. 223s). Conforme a rubrica, essa comemoração solene faz-se apenas antes da Missa principal (MR, p. 215, rubrica 1); nas outras Missas faz-se a «entrada simples» (terceira forma: MR, p. 224). Haverá cuidado em evitar ajuntamentos dos fiéis. Os ministros e fiéis podem ter nas mãos um ramo de oliveira ou a palma, mas não é permitida e entrega ou troca de ramos.

Entrada solene: convém que os fiéis, com os ramos na mão, já estejam dentro da Igreja. O sacerdote que preside à celebração, com eventuais concelebrantes, diáconos e ministros, dirigem-se para um lugar adequado da igreja, fora do presbitério, onde possam ser vistos ou, pelo menos, ouvidos pelos fiéis. Estes serão convidados a voltarem-se na direção do ponto escolhido, mas sem sair dos seus lugares. Enquanto o sacerdote se encaminha para o lugar previsto, canta-se a antífona Hossana ou outro cântico apropriado. Em seguida faz-se a bênção dos ramos e a proclamação do Evangelho da entrada do Senhor em Jerusalém. Após o Evangelho, o sacerdote, concelebrantes, diáconos e ministros avançam solenemente em direção ao presbitério, enquanto se canta o cântico de entrada próprio ou outro canto adequado. Feita a reverência habitual ao altar, o sacerdote que preside dirige-se para a sua cadeira e a celebração prossegue com a oração coleta e a Liturgia da Palavra.

Entrada simples: em todas as outras Missas em que não se faz a entrada solene, recorda-se a entrada do Senhor em Jerusalém de uma forma simples. Enquanto o sacerdote e os ministros se encaminham para o altar, canta-se a antífona de entrada própria ou outro cântico alusivo à entrada do Senhor em Jerusalém. Tendo chegado ao altar, o sacerdote faz a devida reverência e dirige-se para a sua cadeira, de onde saúda o povo. A Missa prossegue na forma habitual. Se não tiver sido possível cantar o cântico de entrada, o sacerdote, depois de saudar o povo, lê a antífona de entrada do Missal.