D. Vitorino Soares: “chamados a ser atores de misericórdia”

O bispo auxiliar do Porto na sua reflexão quaresmal sublinhou a necessidade de  um “exercício de humildade” para permitir que “a misericórdia de Jesus chegue a cada um de nós”.

Por Rui Saraiva

Foi integrada no programa da iniciativa “24 horas para o Senhor” e transmitida em direto no facebook da diocese do Porto, que na sexta-feira 12 de março, D. Vitorino Soares fez a sua reflexão quaresmal.

Com transmissão também no youtube e no âmbito das 24 horas de oração propostas e garantidas pelo Seminário Maior do Porto, o bispo auxiliar do Porto começou por lembrar o clima de Adoração Eucarística no qual propôs a sua reflexão. Disse mesmo que as “24 horas para o Senhor” procuram evocar a nossa vida pedindo a Deus que esteja connosco.

D. Vitorino Soares, que também é reitor do Seminário Maior do Porto, citou o lema da Caminhada Quaresmal da diocese do Porto neste ano de 2021: “Todos juntos na Arca da Aliança”. A este propósito, assinalou que lhe coube nestas reflexões quaresmai, “recordar os momentos em que a Aliança é quebrada”. Ou seja, aqueles momentos em que “nem sempre fazemos de Deus o nosso Deus”. E “Deus vem ao nosso encontro para refazer a Aliança” – disse D. Vitorino – “é ele que nos recompõem”.

Recordando a leitura do Evangelho proposta pela liturgia do IV Domingo da Quaresma, o bispo auxiliar apontou a “figura de Nicodemos”. Esse homem que era um admirador secreto de Jesus procura Jesus numa noite. Nesse encontro procura “refazer a sua vida” – disse D. Vitorino – ele “quer refazer a sua aliança” e vê em Jesus essa “figura única que o pode levar a uma vida nova”.

Do Evangelho de S. João, no capítulo 3, o bispo auxiliar do Porto recordou o seguinte texto: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”.

É o “coração compadecido” de Deus que se “põe na nossa pele” e que “assume a nossa vida” – disse D. Vitorino Soares. “Deus que se põe ao nosso lado na pessoa de Jesus Cristo” – frisou o bispo sublinhando que Deus com a sua misericórdia permite que criemos “laços entre nós”.

O reitor do Seminário Maior do Porto propôs um guião para um “exercício de humildade” que permita que “a misericórdia de Jesus chegue a cada um de nós”. Um guião com “três atos” no qual se pode utilizar a “ideia da luz”. “No ambiente noturno imaginemos uma luz que incide sobre cada um de nós, trazendo ao de cima o que cada um é” – disse D. Vitorino Soares realçando que assim podemos “reconhecer o pecado” em nós.

O segundo ato “é admitir que por mim não posso libertar-me do pecado”. “Não posso salvar-me a mim próprio” – disse. Surge a descoberta de Jesus como Salvador porque “é o outro que me salva e me refaz”. E “Jesus é essa luz” de “misericórdia” – afirmou. Por isso devemo-nos dispor a exercitar a misericórdia e a “fazer o exercício do sacramento da reconciliação” – afirmou o bispo auxiliar do Porto.

O terceiro ato é “sermos atores de misericórdia”. “Estamos também chamados a sermos atores de misericórdia” – declarou. Por exemplo, assumindo a “imagem do bom samaritano” que é a “imagem perfeita da misericórdia”. E fazê-lo, desde logo, “com as pessoas com quem vivemos”. “Não sejamos indiferentes aos outros” – apelou.

D. Vitorino Soares concluiu a sua reflexão quaresmal com uma oração de S. Leão Magno contra o desânimo:

Não desistas nunca.
Nem quando o cansaço se fizer sentir,
Nem quando os teus pés tropeçarem,
Nem quando os teus olhos arderem,
Nem quando os teus esforços forem ignorados,
Nem quando a desilusão te abater,
Nem quando o erro te desencorajar,
Nem quando a traição te ferir,
Nem quando o sucesso te abandonar,
Nem quando a ingratidão te desconcertar,
Nem quando a incompreensão te rodear,
Nem quando a fadiga te prostrar,
Nem quando tudo tenha o aspeto do nada, nem quando o peso do pecado te esmagar. Invoca sempre a Deus, junta as mãos, sorri… E 
recomeça!