Economia popular solidária

Por Joaquim Armindo

Na passada semana, numa feliz organização das Cáritas Portuguesa e da Brasileira e da Universidade Católica -Casa Comum, pudemos assistir às interessantes iniciativas para promover a “Economia Popular Solidária”, que é um passo muito mais à frente, talvez em direção à Carta da Terra, que ao que chamamos “Economia Solidária ou do Terceiro Setor”, em Portugal. A promoção da economia popular solidária consiste no apoio a pequenos produtores, sejam alimentares, de vestuário ou outros, cuja organização tem base neles próprios, e a realização de feiras onde os produtos podem ser vendidos a preço justo. Segundo o testemunho de uma irmã brasileira, este tipo de economia opõe-se ao neoliberalismo e a todos os tipos de economia de que o neoliberalismo se tem apoderado, tentando ser uma verdadeira alternativa ao sistema capitalista. A economia popular solidária parte dos próprios produtores, em autogestão, a sua criação ou fabrico, até à sua venda. A Igreja e a Cáritas brasileira, dão o seu apoio, principalmente ao nível da organização das feiras e, curiosamente, diz, à espiritualidade de todo o sistema, porque ele precisa disso.

Em Portugal existem várias organizações de economia social ou economia do terceiro setor, ou, até, comunitária, mas dependente, sempre, do setor privado ou estatal, ambos neoliberais. Embora afirmando-se como um modelo económico determinante para a erradicação da pobreza e exclusão social tem-se desenvolvido, muito porque o estado não tem dado resposta aos extremos clamores de quem já não tem nada. Representarão à volta dos 4% de empresas portuguesas e 4% do emprego.

Existem diferenças acentuadas entre o modelo brasileiro e o português, se ambos visam o servir, o primeiro é autogestionário, mas o segundo não o é, por muitas voltas que dermos. No nosso país constitui um baluarte forte, principalmente em IPSS pertencentes a várias tradições cristãs, e são de apoiar. A necessidade, porém, de uma evolução caraterizadora da criação dos pequenos agricultores, de microempresas, que espelhem uma organização partida das bases, é premente e necessária. À Igreja, cujas IPSS, estão centradas mais nos jardins de infância ou de velhice, compete unicamente fomentar e dar visibilidade à economia popular solidária, e, como disse, a irmã brasileira, dar apoio espiritual. Nunca nos podemos esquecer que não é bem verdade, em vez de dar o peixe, dar a cana e ensinar a pecar; é preciso dar o peixe, dar a cana, ensinar a pescar, e dizer qual o rio onde se pesca, e depois retirar. À Igreja compete o acompanhamento sua espiritualidade do serviço de diaconia, afinal evangelizar e ser evangelizada.