Conselho Presbiteral refletiu sobre os desafios pastorais da pandemia

Foto: João Lopes Cardoso

Por padre Amaro Gonçalo, secretário do Conselho Presbiteral

Na manhã do passado dia 10 de fevereiro de 2021, entre as 10h00 e as 13h00, reuniu, via zoom, o Conselho Presbiteral da Diocese do Porto, sob a presidência do Sr. Dom Manuel Linda, Bispo do Porto.

A pandemia: um tempo de graça, uma oportunidade de mudança

Coube ao Sr. Dom Armando Domingues, Bispo Auxiliar do Porto, fazer uma apresentação resumida do Documento de Reflexão dos Bispos Portugueses, intitulado “Desafios Pastorais da pandemia à Igreja em Portugal”, datado de 13 de novembro de 2020. Recordou o essencial dos cinco capítulos do referido Documento e deixou sete tópicos de reflexão e de ação pastorais:

  • Juntos para aprender a voltar e a partir. O tempo da pandemia desvenda fragilidades e potencialidades e desafia-nos a partir de novo. Neste caminharmos juntos, é importante valorizar a participação e a corresponsabilidade de todos.
  • Evangelizar os idosos, com a família, acompanhando os diversos mundos da solidão, envolvendo nesta pastoral dos idosos e frágeis, além dos Ministros Extraordinários da Comunhão, Visitadores de Doentes e Vicentinos, as Associações, as Irmandades, as Confrarias, as IPSS, as instituições sociais em campo, com as quais se deve trabalhar em rede.
  • Apostar na missão da Família enquanto Igreja Doméstica, na certeza de que Deus confiou à família o papel de tornar doméstica a Igreja e tornar familiar toda a pastoral.
  • Fortalecer a vida comunitária e salvar a comunidade. Importa reunirmo-nos e encontrarmo-nos em “novas salas”, em novas redes de ligação. Face à realidade pastoral, é preciso aproveitar as diversas possibilidades de organização das paróquias, conforme as sugestões da recente Instrução sobre “A conversão pastoral da comunidade paroquial ao serviço da missão evangelizadora da Igreja” (de 20 julho 2020). Uma possibilidade em aberto é a de confiar certos setores da pastoral a determinadas paróquias dentro da mesma Vigararia.
  • Cuidar da formação, em ordem ao um novo anúncio. Pede-se um investimento na formação de casais. É preciso renovar itinerários, oferecer percursos diferenciados para a preparação dos sacramentos, para o acompanhamento dos pais e das crianças até à idade da Catequese.
  • Ir e sair para além do Templo: tal implica promover um laicado ativo e organizado. Há que valorizar os ministérios instituídos e reconhecer e potenciar novos ministérios laicais (acolhimento, comunicação e multimédia).
  • Em todo o caso, partir sempre das periferias sociais e existenciais.

Carências e urgências reveladas pela pandemia

Os conselheiros foram convidados a refletir estes desafios, destacando possibilidades e dificuldades, partilhando vivências e testemunhos, de que realçamos as urgências de:

  • Cuidar da vida dos sacerdotes, com uma fraterna e concreta preocupação pelas suas reais condições de vida.
  • Articular as missões da Fraternidade Sacerdotal, da Irmandade dos Clérigos e a Casa Sacerdotal, no sentido de acompanhar todos os sacerdotes.
  • Passar de uma pastoral de manutenção a uma pastoral missionária, renovando o que for preciso, para chegar cada vez mais longe.
  • Atender a todas as formas de pobreza.
  • Incluir a todos, velhos e novos, na ação pastoral, ousando novas propostas pastorais, sem deitar a perder o que ainda resta de válido de antigas expressões e modos de evangelização.
  • Mobilizar toda a Diocese (não só os jovens, mas as famílias e toda a vida comunitária) para a próxima Jornada Mundial da Juventude e para as pré-jornadas na nossa Diocese.
  • Reforçar a Comunicação na Diocese para que seja possível levar a mensagem, divulgar informações, promover convites, lançar desafios, partilhar vivências, de modo que o Evangelho vivo chegue cada vez mais longe e com a imagem e a linguagem apelativa do mundo digital de hoje.

Dom Manuel escutou atentamente esta partilha e deixou cinco pontos de reflexão pastoral, a partir da perspetiva da vida dos presbíteros: a importância do louvor na oração e na celebração da Eucaristia, a necessária formação de discípulos, a familiaridade como estilo pastoral, a aposta na ministerialidade laical e a conversão missionária dos pastores e de toda a pastoral.

Plano Diocesano de Pastoral 2021/2022 em aberto

Quanto ao foco, para dar seguimento ao Plano Pastoral Diocesano, centrado na temática da iniciação cristã, os conselheiros não tiveram opinião unânime. Alguns entenderam que se devia valorizar a Eucaristia e deixar a Confirmação para o ano mais próximo da JMJ 2023, tendo em conta a urgência de “voltar com alegria à Eucaristia” depois das restrições provocadas pela pandemia. Outros entenderam que devia manter-se a ordem dos sacramentos da iniciação, valorizando a relação entre Batismo e Confirmação. Outros insistiram na importância central da preparação e realização da Jornada Mundial da Juventude 2023. E, neste planeamento, recordaram outros, não deveríamos passar ao lado de iniciativas pastorais a nível da Igreja Universal, tais como o Ano de São José e o Ano Famílias Amoris laetitia. A reflexão prosseguirá, como disse Dom Manuel Linda, mediante a auscultação da Equipa de Coordenação Pastoral e de outros órgãos de consulta (Conselho Diocesano de Pastoral e o Conselho Episcopal).

Contributo Penitencial quer valorizar ação da Caritas Diocesana do Porto

Por fim, o Conselho Presbiteral pronunciou-se favoravelmente quanto à proposta do Sr. Dom Manuel Linda de destinar o Contributo Penitencial de 2021 à Cáritas Diocesana do Porto e, como é tradição, também, em parte, ao Fundo Social Diocesano. É intenção do Bispo Diocesano valorizar a nossa Caritas Diocesana e dar-lhe maior expressão no conjunto da Pastoral sociocaritativa. A proposta foi bem acolhida. Foi sugerido ainda que, entre os destinos do Fundo Social Diocesano, se considerasse a “Porta Solidária” da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Porto, como emblemática da resposta pastoral da Igreja, nesta encruzilhada de pandemias.