Advento: “Vamos meter as mãos nos bolsos?”

Por Joaquim Armindo

Esta figura das cristãs e cristãos estarem a “meter as mãos nos bolsos” – deles, claro -, é elucidativa do caminho que podemos ou não percorrer em tempo de Advento. A figura, não é da minha autoria, mas de uma outra pessoa, que, com discernimento da realidade, configura a paixão ou não dos cristãos, pela Boa Nova, ou seja, descansar com as mãos nos bolsos, esperando que chegue o nascimento e a ressurreição de Jesus. “Meter as mãos nos bolsos”, é descartar e descartar-se dos acontecimentos eclesiais e da humanidade. Quem assim faz, poderá não ser inconveniente, e até não “arranjar discussões e desentendimentos”, mas em nada contribui para a unidade na pluralidade das filhas e dos filhos de Deus. Quem assim faz, “não arranja problemas”, e tudo estará bem, no conforto que este tempo nos dá, de meter as “mãos nos bolsos”. Pensar, refletir e orar, é uma posição de mãos a acenar ao vento, das tempestades e das marés, dos montes e das montanhas, de Pedro e Barnabé, que cada qual foi pregar para sentidos diferentes, por não resolverem uma questão, que, nós, agora, podemos considerar uma não-razão.

Por isso, caminhar para o Natal – neste Advento -, não pode ser fácil, como não está a ser, e quem “mete as mãos nos bolsos”, é porque não vislumbra a chuva diluviana que nos caiu nos últimos meses, em cima da humanidade. O nascimento de Jesus, é uma festa familiar, que congrega a humanidade, é um tempo novo que nasce, assim nos preparamos numas tantas reflexões no Advento. Há, até, quem meta as mãos nos bolsos seus e dos outros, não é uma atitude de seriedade, nem, muito menos, cristã. O Advento é um tempo de denúncia, causando engulhos em tantos grupos, igrejas ou famílias. Mas, principalmente, é de uma denúncia da nossa incapacidade de “tirar as mãos dos bolsos”. A denúncia dos nossos erros, e a denúncia do pecado estrutural, que cria, fomenta, aumenta, o fosso entre os “afortunados” e quem nada possui. Deste pecado pessoal e estrutural, que cada um, e todos em conjunto, cometemos contra este cosmos, onde vivemos.

A discordância entre Paulo e Barnabé, era só por um dos seus irmãos, ir ou não ir com eles, e assim se produziu uma contenda. Nem um, nem outro, tinham as mãos nos bolsos, se tivessem não teriam discutido. Também não estou a dizer para “andarmos para aí em discussões”, mas somente que nesta Humanidade ferida, por cada um de nós, saibamos que as mãos se aquecem no presépio de Jesus, isto é, na ORA+AÇÃO.