Faleceu o Padre Manuel Pires Bastos

Faleceu no domingo 8 de novembro de 2020 o Padre Manuel Pires Bastos, pároco de S. Cristóvão de Ovar. Era natural da freguesia de Loureiro, no concelho de Oliveira de Azeméis, última paróquia da diocese do Porto que faz fronteira com a diocese de Aveiro (Avanca e Beduído), nascido a 7 de maio de 1935 (contava 85 anos). Frequentou os seminários do Porto e foi ordenado presbítero em 3 de agosto de 1958.

Desempenhou depois as funções de vigário cooperador de Santo Tirs0 (1958-60), foi assistente da JOC, pároco de Macinhata de Seixa (1961-75). Foi nomeado pároco de Ovar em 7 de dezembro de 1975, completaria este ano 45 anos. Em 2008 celebrou as Bodas de Ouro sacerdotais e foi agraciado pela Câmara Municipal de Ovar com a Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro. Iniciando o seu trabalho pastoral naquela paróquia num momento difícil da nossa história recente (após o movimento e a consolidação política de 25 de novembro de 1975), no dizer de uma nota do Município, destacou-se “pelo seu espírito aberto e dialogante”, congregando os paroquianos e desenvolvendo múltiplas atividades quer pastorais quer sociais em benefício e promoção humana de todos crentes ou não crentes.

Um dos seus projetos de dedicação ao serviço da formação da população foi o entusiasmo cm que assumiu a direção do “João Semana, quinzenário ovarense”, propriedade da Fábrica da Igreja paroquial, de que foi diretor até ao seu falecimento. O nome da publicação, inspirada na personagem de Júlio Dinis (antepassado bem simbólico do médico de aldeia ou do médico de família que conhecia e acompanhava os fregueses), que em Ovar, onde residiu algum tempo e onde hoje tem uma Casa Museu, traduz bem essa presença do pároco junto do povo. Fundado em 1915, é um dos órgãos mais antigos da imprensa em Portugal. Nele se sentia o palpitar da população, na sua história, no seu quotidiano, nos dados culturais e nos movimentos sociais.

Licenciado em História, entre os seus pontos de interesse descobriu e divulgou os restos de um espaço (nicho) de origem judaica, existente na freguesia de S. Vicente de Pereira, um local Ehkal (“arca sagrada”), promovendo o seu estudo por peritos  e classificação pelas entidades competentes (Câmara Municipal e Património Arquitetónico e Arqueológico do Ministério da Cultura).

A notícia da Câmara Municipal assinala também outra das suas iniciativas: o Projeto Mãos Solidárias para apoio alimentar e social a famílias ou pessoas carenciadas. Pelo seu trabalho no pico da pandemia em Ovar, foi distinguido com a Medalha de Mérito Municipal Cobre, em julho de 2020. Lembramos também o seu trabalho pela valorização da grandiosa igreja matriz paroquial de S. Cristóvão de Ovar, datada do séc. XVII, e dos seus valores artísticos e patrimoniais. Entre as iniciativas que sempre acompanhou e valorizou encontra-se a grandiosa Procissão dos Passos, um ícone cultural da cidade de Ovar, com as suas capelas que recordam os momentos da Paixão.

O Município, por determinação do Presidente Salvador Malheiro, decretou Luto Municipal e colocação da bandeira a eia haste em 9 de novembro de 2020, “pela irreparável perda humana, paroquial, social e cultural” da ação do Padre Pires Bastos.

Foi a sepultar de forma privada na sua terra natal (Loureiro) em 9 de novembro.

Recordando a sua participação nos encontros da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã (AIC), Voz Portucalense associa-se ao luto pelo seu falecimento, reconhecendo a perda humana e pastoral que ele representa, seguindo o seu ânimo e dedicação aos valores evangélicos e da construção do espírito fraterno.

CF