“Fratelli tutti”: Um hino à educação

Por Joaquim Armindo

O meu amigo de infância e de lutas, Professor Doutor David Rodrigues, escreveu no jornal “Público”, em 27/10/2020, sob o título “Fratelli Tutti: Interpela a Educação”, um artigo onde afirma: “Quem já leu o documento [FRATELLI TUTTI](ato que vivamente se aconselha) sabe o quão telegráficas e resumidas são estas referências. Todo o documento ressuma uma ética de relação humana fraternal num mundo certamente colonizado por pensamentos que distorcem o valor cimeiro dos Direitos Humanos. Francisco evoca a imprescindibilidade do diálogo, da amizade social, da amabilidade e do perdão para nos aproximemos uns dos outros porque “uma coisa é sermos obrigados a viver juntos, outra é apreciar a beleza e a riqueza das sementes de vida em comum que devem ser procuradas e cultivadas em conjunto” (§31), Quando Francisco escreve: “(…) Sozinho corres o risco de ter miragens vendo aquilo que não existe; é juntos que se constroem os sonhos” (§8) reafirma a base fundamental da Educação como atividade essencial de conhecimento, de troca, de interação, de relacionamento, de Humanidade e de construção de cada um de nós. Uma Educação de irmãos para formar irmãos.”

Profundo conhecedor da educação, membro do Conselho Nacional da Educação, o David, que não é propriamente um frequentador de igrejas, perdeu-se de amores com esta encíclica do papa Francisco, que é um abanão a todas as cristãs e a todos os cristãos, tocando num ponto fundamental que é a Educação Inclusiva, afinal a área que David bem domina, e é reconhecido nacional e internacionalmente, obtendo já, por unanimidade um voto de louvor, da nossa Assembleia da República. Esta “educação de irmãos para irmãos”, tão ao jeito do grande pedagogo brasileiro Paulo Freire, constituiu um desafio a que se “ninguém ensina ninguém, mas antes nos ensinamos uns aos outros” – como refere Freire -, também a evangelização há de ser esta decisão de que “ninguém evangeliza ninguém, antes nos evangelizamos uns aos outros”. Se alguém pensa que é a verdade está enganado, porque ela é atingida no cume do nosso caminhar comum.

Esta encíclica é educativa, mas de inclusão, nunca de integração, como bem refere o David Rodrigues, naquilo que escreve. Esta inclusão é um ir buscar os costumes, as culturas dos outros, para as incluirmos nas nossas; nesta teia que tão bem Jesus viveu e Francisco espalha pelo mundo.

Obrigado David, pelo teu testemunho!