Conselho Presbiteral do Porto reuniu de olhos fitos na Pastoral Vocacional

Foto: João Lopes Cardoso

Na manhã da passada quarta-feira, dia 28 de outubro, sob a presidência de Dom Manuel Linda, reuniu, via zoom, o Conselho Presbiteral da Diocese do Porto, com três pontos de reflexão: a pastoral vocacional diocesana, no nascimento, discernimento e acompanhamento das vocações, a implementação do tempo propedêutico no Seminário e a apreciação de um pedido de celebração no Rito Extraordinário.

Quilómetro zero

Relativamente ao primeiro ponto, foi dada a palavra ao Pe. André Machado que, apenas há dois meses, dirige o Secretariado da Pastoral das Vocações e é o vice-reitor do Seminário do Bom Pastor. Apresentou, com grande ânimo e manifesta alegria, um projeto criativo para a Pastoral das Vocações, em três eixos fundamentais, dando resposta ao mundo de hoje, que é marcado e pode ser compreendido – segundo disse – a partir de três caraterísticas: um mundo digital, um mundo sensitivo e um mundo intimista e pessoal.

Neste enquadramento, apresentou algumas iniciativas de promoção e provocação vocacionais, no mundo digital, tais como o Happy life, com testemunhos breves de várias pessoas felizes, em diversas vocações, a publicar nos sites (www.sdpv.pt;www.seminariodobompastor.pt ) e nas redes sociais (Facebook, Instagram).

Em resposta a um mundo que procura o sensitivo, propõe a iniciativa “quilómetro zero” destinada a promover o encontro pessoal e vocacional, como ponto de partida para um itinerário de acompanhamento, tomando como paradigma o caminho de Emaús. Neste âmbito, foi recordada a importância do acompanhamento em contexto paroquial e escolar, por parte de párocos, catequistas e professores de EMRC. Em mente, está também a revitalização do encontro de Acólitos.

Para desenvolver o terceiro eixo, o da “intimidade pessoal”, está projetada a experiência de uma Oração de Taizé no Seminário, a reativação da cadeia diocesana de oração “Rogai” e a publicação online de um guião para rezar em família pelas vocações.

Quanto ao Pré-Seminário, no contexto da pandemia, tem-se apostado mais na visita às famílias, com algum encontro mais ocasional para as crianças e adolescentes do 5.º ao 7.º ano. Para os adolescentes do 8.º ao 9.º anos propõe-se um encontro de ritmo mensal. Para os mais velhos, o acompanhamento tem uma marca mais pessoal e é pensada, caso em caso, em articulação com o Seminário Maior.

De realçar, que a maior parte das atividades do Secretariado da Pastoral Vocacional têm sido trabalhadas de forma transversal e colaborativa com os secretariados da Juventude e da Pastoral Universitária, apostando-se mais numa pastoral de projetos do que numa pastoral por setores.

Sem partir do zero

Foi destacada pelos presentes a necessidade de não se cair na tentação de partir do “zero” na pastoral vocacional, mas de avaliar as experiências feitas, valorizar e revitalizar as estruturas criadas, tais como as Equipas Paroquiais e Vicariais de Vocações e os Assessores das Vocações.

Foram referidas experiências importantes no campo vocacional, como a Missão País, os campos de férias católicos, algumas iniciativas das Equipas Jovens de Nossa Senhora. Os padres testemunharam e foram sensibilizados para o seu papel imprescindível na pastoral vocacional, como primeiros animadores, convocadores e acompanhantes, cuidando para que a dimensão vocacional esteja presente de modo claro e transversal, no projeto pastoral das comunidades.

O tempo de pandemia – pese embora as dificuldades – pode ser também um tempo de descoberta de novos dons, de novos serviços, um despertador de novas vocações e novo ardor missionário. Essa é a esperança de uma pastoral, que tanto se faz “à linha” como “em rede” (mais do que «à rede»).

Um tempo propedêutico que não equivale a um ano zero

O segundo ponto da agenda tratou da implementação na Diocese do Porto do chamado Ano Propedêutico, recomendado no Decreto Conciliar Optatam Totius (n.ºs. 12-14), sobre a formação sacerdotal, reiterado na Exortação Pastoral Pastores Dabo Vobis (n.º 62) sobre a formação dos sacerdotes (1992) e desenvolvido minuciosamente em 1998, num documento emanado da Congregação da Educação Católica. A nova Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis (n.ºs 57-60), publicada em 8.12.2016, dá orientações mais precisas sobre os objetivos, formas e conteúdos deste tempo propedêutico.um tempo de discernimento vocacional, não inferior a um ano nem superior a dois, levado a cabo no seio de uma vida comunitária e no âmbito de uma preparação para as etapas sucessivas da formação inicial. O Documento também intitulado “O dom da vocação presbiteral” frisa a conveniência de que esta fase propedêutica, no ano anterior à entrada no Seminário Maior, seja vivida numa comunidade distinta da do Seminário Maior e, se possível, com sede específica. Não se trata de mais um ano letivo, mas de um tempo livre dos compromissos académicos e centrado em assentar sólidas bases para a vida espiritual de modo a favorecer, nos candidatos ao Seminário Maior, um melhor conhecimento de si e o seu crescimento espiritual e pessoal.

O Cónego Joaquim Santos fez uma apresentação sumária da experiência de implementação deste tempo propedêutico, em algumas dioceses, como Milão e em Paris, com a sua “Casa de Santo Agostinho” ou, em Portugal, nos Seminários de Évora, Leiria, Lisboa e Braga. No Porto, a primeira experiência remonta ao ano de 2002-2003, ligada ao Seminário Menor, só para alunos da Diocese do Porto e ainda não livre da componente letiva. A nível nacional espera-se para breve a publicação de uma “Ratio Fundamentalis”, que está a ser preparada pela Comissão Episcopal de Vocações.

Dom Manuel Linda pediu sugestões para a implementação deste Tempo propedêutico na Diocese do Porto e os presentes partilharam algumas:

  • Que este seja, para todos os alunos (quer os que fizeram o ensino secundário no seminário menor quer outros candidatos de percursos e proveniências diferentes; quer os da diocese do Porto quer os das dioceses de Vila Real e Coimbra, que têm neste momento alunos no nosso Seminário Maior);
  • Que este seja um tempo de “fundamentação” pessoal e espiritual, onde não faltem estas componentes essenciais: experiência séria de vida comunitária com saudável “afastamento” de dependências afetivas familiares; experiência da oração pessoal e comunitária, com tempos generosos para exercícios espirituais; experiência da leitura pessoal, integral e orante da Bíblia; um tempo completamente livre do percurso e calendários escolares; um tempo para o estudo do Catecismo da Igreja Católica; um tempo marcado pela experiência de integração paroquial e/ou em âmbitos concretos da pastoral sociocaritativa, em casa própria. Algum tempo (dois a três meses) pode ser vivido fora do Seminário, em alguma experiência missionária (se possível, ad gentes).
  • Que este tenha a sua “sede” num dos espaços físicos do Seminário Maior do Porto e que, independentemente do espaço disponível, seja organizado e orientado na dependência direta do Seminário Maior.
  • Que seja nomeado, em exclusividade de funções, um padre, para acompanhar este ano propedêutico, em estreita ligação com a Equipa Formadora do Seminário Maior.
  • Que a designação de “Ano Propedêutico” seja renomeada por uma expressão mais feliz, pois esta tem, no contexto português, uma conotação escolar antiga, que não se recomenda.

(padre Amaro Gonçalo, Secretário do Conselho Presbiteral)