Domingo XXXI do Tempo Comum

Foto: João Lopes Cardoso

Solenidade de Todos os Santos

1 de Novembro de 2020

 

Indicação das leituras

Leitura do Apocalipse de São João                                                                    Ap 7,2-4.9-14

«Vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas».

 

Salmo Responsorial                                            Salmo 23 (24)

Esta é a geração dos que procuram o Senhor.

 

Leitura da Primeira Epístola de São João                                                          1 Jo 3,1-3

«Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto».

 

Aclamação ao Evangelho           Mt 11,28

Aleluia.

Vinde a Mim, vós todos os que andais cansados e oprimidos

e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus                         Mt 11,28

«Ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se».

«Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los».

«Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

 

Viver a Palavra

«Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto». Somos filhos muito amados de Deus, por isso, chamados a adquirir os traços da santidade de Deus. Filhos do Deus três vezes santo, nós somos chamados a ser homens e mulheres que percorrem com alegria, radicalidade e coragem a estrada da santidade.

A Solenidade de Todos os Santos renova no nosso coração a consciência da vocação universal à santidade e une-nos àqueles que nos precederam e cujas vidas se tornaram rastos de luz que rasgam horizontes de esperança e nos recordam que, não obstante a nossa fragilidade, somos chamados a ser santos, isto é, somos chamados a ser felizes pelo generoso acolhimento do projecto de amor que Deus tem para cada um de nós.

Celebrar esta solenidade é recordar a santidade de tantos homens e mulheres que na normalidade das suas vidas souberam preencher a sua existência com a marca do amor divino. Já estamos longe do tempo em que se pensava que a santidade estava reservada aos que abraçavam vocações de especial consagração. Como afirma o Papa Francisco na Gaudete e Exsultate: «gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da «classe média da santidade» (GE 7).

O Evangelho que proclamamos neste Domingo apresenta-nos as coordenadas fundamentais para a construção de uma vida santa. A primeira indicação que o evangelista nos oferece é a localização desta cena: «ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se». A santidade é um caminho exigente e radical que nos obriga a subir ao monte e nos envia a caminhar contracorrente. É verdade, que caminhar contracorrente é uma tarefa árdua e desgastante, mas como afirmava o Papa S. João Paulo II: «caminhar contracorrente é o único caminho para chegarmos à fonte». Por isso, a imagem de Jesus sentado sobre o monte e proclamando as bem-aventuranças do Reino reveste-se de especial significado. Subir ao monte tem uma simbologia profunda na longa tradição bíblica. Sabemos como o cimo do monte é sempre lugar de maior proximidade com Deus, não apenas porque geograficamente parece mais próximo do Céu, mas também porque encontramos tantos relatos de Teofanias sobre o Monte.

Subir ao monte permite-nos olhar para a planície e o vale e ver o mundo e a realidade de um modo novo e diferente. É este novo olhar que faz despertar uma nova forma de ser e de estar que se traduz numa nova forma de servir e amar. Sentado sobre o monte, Jesus é o novo Moisés que oferece a Carta Magna do Reino dos filhos de Deus e anuncia uma lei absolutamente nova que já não é gravada em tábuas de pedra mas no coração de cada homem e cada mulher. É uma Lei absolutamente nova que nunca os ouvidos humanos foram capazes de escutar. Lei Nova que deve ser gravada com a marca do amor. Uma Lei que já não é apofática, isto é, que é marcada pela negativa (não matarás, não roubarás, não levantarás falsos testemunhos) mas uma lei positiva que não é apenas a evitação o mal mas a prática generosa do bem. Esta lei nova e recriadora já não é uma lei de mínimos, mas uma proposta de máximos. Um caminho exigente e árduo mas o único capaz de nos fazer verdadeiramente felizes, isto é, Bem-aventurados.

 

Homiliário patrístico

Das Homilias de São Gregório de Nazianzo, bispo (Séc. IV)

Diz a Escritura: Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. A misericórdia não é certamente a última bem-aventurança. Lemos também: Bem-aventurado o que pensa no pobre e no indigente. E ainda: Bem-aventurado o homem que se compadece e empresta. E noutro lugar: O justo está sempre pronto a compadecer-se e a emprestar. Tornemo-nos dignos destas bênçãos divinas, de sermos chamados misericordiosos e benignos.

Nem sequer a noite interrompa as tuas obras de misericórdia. Não digas: Vai e volta, e amanhã te darei o que pedes. Não ponhas intervalo algum entre o teu bom propósito e o seu cumprimento. Só a prática do bem não admite adiamento. Devemos alegrar-nos, e não entristecer-nos, quando prestamos algum benefício.

Por isso, se me julgais digno de alguma atenção, servos de Cristo, seus irmãos e co-herdeiros, visitemos a Cristo, alimentemos a Cristo, tratemos as feridas de Cristo, vistamos a Cristo, recebamos a Cristo, honremos a Cristo, não só sentando-O à nossa mesa como Simão, não só ungindo-O com perfumes como Maria, não só dando-Lhe o sepulcro como José de Arimateia, não só provendo o necessário para a sepultura como Nicodemos, não só, finalmente, oferecendo ouro, incenso e mirra como os Magos; mas, uma vez que o Senhor do Universo prefere a misericórdia ao sacrifício, uma vez que a compaixão tem muito maior valor do que a gordura de milhares de cordeiros, ofereçamos a misericórdia e a compaixão na pessoa dos pobres que hoje na terra são humilhados, de modo que, ao sairmos deste mundo, sejamos recebidos nas moradas eternas pelo mesmo Cristo, Nosso Senhor, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Ámen.

 

Indicações litúrgico-pastorais

  1. Na semana de 1 a 8 de Novembro assinalamos a Semana de Oração pelos Seminários. Este ano tem como tema: «Jesus chamou os que queria e foram ter com Ele» (Mc 3,13). No site da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios (http://ecclesia.pt/cevm/) já estão disponíveis os diversos materiais para esta semana e que poderão ser bons recursos para uma dinamização desta semana nas comunidades. Nas actividades catequéticas, tal como nas diversas celebrações ou em momentos programados e dinamizados para o efeito, é uma oportunidade de dar a conhecer a importância do seminário na vida da Igreja e valorizar a vocação ao ministério ordenado.

 

  1. Para os leitores: a primeira leitura é a descrição de uma visão relatada na primeira pessoa. É necessário ter especial atenção nas intervenções em discurso directo que devem ser lidas com especial cuidado e bem articuladas com a parte narrativa e descritiva. A segunda leitura é o anúncio jubiloso de que somos filhos muito amados de Deus. A primeira frase do texto deve ser proclamada com especial cuidado pois abre a leitura e aponta para a boa notícia que marca todo o texto.

 

Sugestões de cânticos

Entrada: Os povos proclamam a sabedoria – M. Simões (CN 780); Salmo Responsorial: Esta é a geração (Sl 23) – M. Simões (CN 424); Aclamação ao Evangelho: Aleluia | Vinde a Mim, vós todos que andais cansados… – J. Roux (CN 54); Ofertório: Com hinos, preces e cantos – A. Cartageno (CN 296); Comunhão: Bem-aventurados sois vós – F. Santos (CN 239); Pós-Comunhão: Eles receberam a bênção do Senhor – F. Silva (CN 397); Final: Os santos resplandescem – J. Santos (CN 786).