Mosteiro de Grijó em roteiro de visita

Com o título O Mosteiro de São Salvador de Grijó: Roteiro de uma visita, da autoria de Deolinda Maria Pedrosa Moreira, com Fotografia de Fernando Ferreira, a Paróquia de São Salvador de Grijó acaba de publicar (agosto de 2020) uma edição de 298 páginas em que o protagonista é o próprio Mosteiro, na sua arquitectura, na sua história, na sua arte (pintura, escultura, azulejaria, mobiliário e figuração simbólica). Contou a edição com os apoios da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e da União das Freguesias de Grijó e Sermonde.

A primeira observação é que se trata de uma obra modelar tanto na sua concepção como na sua estruturação. No dizer do pároco, Cónego António Coelho de Oliveira na apresentação da obra, o roteiro é um projeto antigo, “um guia que nos ajude a descobrir a riqueza” do monumento operada ao longo de vários séculos.

A obra começa por enquadrar historicamente o mosteiro, a sua inserção no senhorio, que se estendia desde o Douro ao Vouga, conforme refere Luís Carlos Amaral no seu estudo histórico.

Lembra-se que a origem se reporta a muito antes da nacionalidade portuguesa, como se pode deduzir do nome, que deriva de ecclesiola, por formas diversas até à atual Grijó (nome que surge em outras localidades do país) e que traduz ter começado por uma “pequena igreja” que depois  foi crescendo desde a Ordem de Santa Cruz aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, sendo o atual edifício, após outras edificações  anteriores, iniciado nos finais do século XVI e início do séc. XVII (os fundamentos da capela mor são referenciados em 1626, mas a construção definitiva decorreu a partir de 1710, em tempo já do período barroco). As vicissitudes dos séculos XIX e XX (Liberalismo e República) não impediram que tão nobre edifício acabasse por manter a dupla dimensão de monumento nacional e de igreja paroquial, tendo a colaboração nesta dupla dimensão garantido a sua grandiosidade atual.

A obra agora apresentada descreve e valoriza todas as dimensões, com oportuna ilustração fotográfica: a fachada, o interior da igreja, o claustro e a sua galeria superior, as capelas laterais, a sacristia, o arco triunfal que introduz no coro e no altar mor, o coro alto e o seu cadeiral  e vitrais, e o órgão de tubos restaurado, bem como o valor das esculturas e dos azulejos. Servindo de motivo da capa desta edição, mostra-se a grandiosa escultura de São Salvador, obra de Irene Vilar com que a paróquia celebrou o Jubileu do ano 2000. Os vitrais do coro alto são da autoria de Júlio Resende.  Não foi descurada a descrição do espaço envolvente, a sua “porta nobre” e o seu “padrão valho”.

Ilustrada com excelentes fotografias, que vão desde a visão total aos mais diversos e significativos pormenores, como o túmulo medieval de D. Rodrigo Sanches, ou das imagens da Senhora do Rosário ou da Senhora da Silva, esta obra, de que foram elaborados 500 exemplares, merece uma saudação e reconhecimento pela valorização excelente de um património de inspiração religiosa e cultural, que constituem  o melhor da nossa tradição histórica a artística.

CF