Bispo do Porto recorda D. António Francisco como exemplo de ternura e caridade

Fotos: João Lopes Cardoso

Na celebração que fez memória dos pastores diocesanos falecidos, D. Manuel Linda pediu aos sacerdotes que sejam “mais paternos e mais amorosos”.

Na sexta-feira, 11 de setembro, cumpriram-se três anos do falecimento de D. António Francisco dos Santos, que foi bispo do Porto entre 2014 e 2017. Na Catedral do Porto foi celebrada uma Missa em sufrágio pelos bispos, sacerdotes e diáconos que serviram a diocese. Uma celebração presidida por D. Manuel Linda na qual concelebraram os bispos auxiliares do Porto, D. Pio Alves e D. Vitorino Soares, o bispo auxiliar emérito D. António Taipa e ainda D. Américo Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa.

Na homilia da missa, o bispo do Porto deixou, desde logo, um alerta: “mal da Igreja se não for o fenómeno no tempo da caridade de Deus”. “E o sacerdote, o bispo e o diácono é a via da Igreja, por isso, para o bispo, o presbítero e o diácono não há outra forma que não seja ser fenómeno temporal da caridade de Deus” – afirmou.

O bispo pediu aos cristãos ajuda para que os pastores possam “ser mais paternos, isto é mais amorosos” e exortou “os ministros ordenados a exemplo de D. António Francisco a seguir esta certeza: a Igreja que está no mundo só pode ser esta incarnação temporal do amor misericordioso e ternurento de Deus”, porque “se assim formos muitos nos seguirão”.

Para o bispo do Porto, D. António Francisco dá-nos o exemplo do caminho que deve ser seguido nas condições que Jesus nos indicou, isto é, “com amor ternurento e misericordioso”.

“E a ternura e a misericórdia eram dois grandes apanágios de D. António Francisco e por isso se tornou simpático, e porventura, por causa disso muitos seguiram o caminho de Jesus” – referiu.

“É este o segredo da pastoral: seguindo com Jesus Cristo e à maneira de Jesus Cristo as pessoas atraem-se” – disse D. Manuel Linda na conclusão da sua homilia.

No final da Missa houve um momento junto do túmulo onde está sepultado D. António Francisco, na Capela de S. Vicente, nos Claustros da Catedral do Porto. Foi um tempo de oração na memória ainda bem fresca do testemunho bondoso e profundamente cristão de D. António Francisco dos Santos.

Nos últimos três anos, desde o seu inesperado falecimento, múltiplas iniciativas evocam e perpetuam a sua memória:

– foi atribuído o seu nome à futura ponte sobre o rio Douro que ligará os municípios de Porto e Gaia;

– foi criado pela Associação Comercial do Porto, a Irmandade dos Clérigos e a Santa Casa da Misericórdia do Porto, o Prémio D. António Francisco, uma iniciativa solidária com o valor de 75 mil euros destinada a apoiar organizações e cidadãos que se distingam na promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, na defesa e promoção dos direitos humanos, no diálogo inter-religioso e ecuménico e na promoção da paz;

– na sua terra natal, Tendais, Cinfães do Douro, foi erguido um monumento em memória de D. António Francisco, numa sentida homenagem dos seus conterrâneos e de um grupo de amigos;

– foram também editados alguns livros e desenvolvidas várias iniciativas culturais.

A ação pastoral de D. António Francisco dos Santos, na diocese do Porto, foi intensa, próxima e profundamente evangélica. Recordamos as suas palavras naquele que foi o seu último grande momento, numa mobilização de dezenas de milhares de fiéis: a Peregrinação Diocesana a Fátima, de 9 de setembro de 2017, dois dias antes de falecer. Nesse momento, tão desejado por D. António Francisco, foram estas as suas últimas palavras:

“Queridos diocesanos e diocesanas, convoco-vos a partir daqui e desta admirável peregrinação e abençoada jornada, para a missão, mas é Jesus, o Enviado do Pai, que vos envia. Igreja do Porto digo-vos aqui como o Papa Francisco nos disse: Temos Mãe! Temos Mãe! Guiados pela sua mão materna e iluminados pelo seu olhar terno, vamos partir rumo ao Porto com a certeza da sua bênção e a garantia da sua proteção. Obrigado, Mãe! Obrigado, Igreja do Porto!”

RS com Henrique Cunha (RR)