Encontro de Diáconos permanentes no termo do ano pastoral

Decorreu na tarde de sábado, 4 de julho, o convívio geral do diaconado permanente que habitualmente encerra as atividades do ano pastoral. Trata-se de uma atividade que se vem realizando anualmente com um papel significativo na dinâmica do diaconado permanente.

Para além de proporcionar um momento de encontro e convívio informal entre os diáconos, com o bispo diocesano, permite que as famílias dos diáconos possam também encontrar-se. Junta-se ainda a possibilidade de encontro entre os diáconos e aqueles que se encontram em formação – aspirantes e candidatos – e as respetivas famílias.

Nalguns anos tem também sido ocasião de proximidade do diaconado permanente às comunidades cristãs, habitualmente comunidades que contam com algum diácono ao seu serviço.

A presente crise pandémica alterou os projetos iniciais de realizar o convívio final presencialmente com a eucaristia seguida de lanche-convívio partilhado. Foi realizada, contudo, uma sessão à distância que procurou cumprir os objetivos do convívio, ainda que não integralmente, e que permitiu apresentar as conclusões dos trabalhos de grupo de preparação da Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes agendada para março passado e, entretanto, suspensa devido à pandemia. Versaram esses trabalhos sobre «A iniciação cristã na missão do diácono permanente: realidade e desafios», o tema indicado pelo bispo diocesano para a dita Assembleia.

Depois de uma saudação inicial de D. Manuel Linda, bispo do Porto, e do P. Adélio Abreu, delegado diocesano para o diaconado permanente, que juntou algumas informações sobre o andamento das atividades ao longo do ano, houve um momento informal de apresentação dos candidatos e aspirantes em formação e de partilha de um ou outro assunto que alguns diáconos colocaram à consideração dos restantes.

Seguiu-se a referida exposição das conclusões dos trabalhos dos três grupos, da qual emergiram várias sugestões e pontos de reflexão, entres os quais os seguintes: o acolhimento pelas comunidades das famílias que vêm pedir o batismo para os filhos e também daqueles que procuram a iniciação cristã de adultos; o acompanhamento do crescimento na fé no seguimento da celebração do batismo; a participação dos diáconos não apenas na liturgia batismal, mas em toda a pastoral da iniciação cristã; a constituição de equipas de pastoral do batismo que integrem também diáconos permanentes; a organização de itinerários de formação querigmática e mistagógica e de preparação próxima para o batismo; a formação de batizados adultos que não percorreram uma conveniente iniciação cristã; a sugestão de iniciativas tendentes a fazer memória do batismo. Após a apresentação dos trabalhos de grupo, alguns diáconos prolongaram a reflexão enriquecendo os dados decorrentes dos trabalhos. Também se partilharam experiências paroquiais de organização da pastoral batismal com a participação de diáconos.

Seguiu-se a intervenção de D. Manuel Linda, bispo do Porto, com algumas palavras sobre o diaconado, designadamente as relativas à participação dos diáconos nalgumas atividades, entre as quais a celebração de ordenações diaconais habitualmente realizadas a 8 de dezembro. No seu entender, essa celebração deveria contar com a participação dos diáconos da diocese no seu conjunto. Ainda sobre o diaconado, sublinhou o seu papel no âmbito da caridade e da evangelização, partindo daí para a reflexão sobre a sua participação no processo de iniciação cristã. Reclamando-se a evangelização à Igreja no seu todo, mais se pede aos ministros ordenados e entre eles aos diáconos. D. Manuel sublinhou a específica capacidade que os diáconos têm no campo da evangelização, nomeadamente pelos seus ambientes de inserção familiar, profissional e cívica. Os diáconos têm uma envolvente de referências mentais de família que lhes permite compreender aqueles que chegam, ajudando-os a caminhar na fé.

O bispo do Porto sublinhou ainda o papel do diácono enquanto ministro da celebração do sacramento do batismo, remetendo, contudo, para o necessário discernimento de acordo com as circunstâncias locais. A celebração do sacramento não deixa de ser um momento privilegiado para os párocos se encontrarem com pessoas e famílias que só esporadicamente de abeiram da Igreja. Os diáconos devem, contudo, também acompanhar os adultos no quadro da sua iniciação cristã. Dos resultados das conclusões dos trabalhos de grupo, D. Manuel sublinhou dois aspetos: a importância de um bom acolhimento na aproximação à fé; a iniciação como integração na vida comunitária. Aludiu posteriormente a alguns setores da pastoral diocesana que se encontram a descoberto e que se podem colocar à missão dos diáconos, nomeadamente a pastoral em contexto prisional e hospitalar e a pastoral da caridade, na qual são relevantes na Diocese do Porto as Conferências de São Vicente de Paulo e a Caritas. Pediu expressamente aos diáconos que, em diálogo com o pároco, integrem, animem e ajudem a desenvolver estes setores tão adstritos ao ministério diaconal.

A última palavra de D. Manuel serviu para constatar a baixa participação dos diáconos nas suas próprias atividades, por vezes menos de um terço, e apelar à melhoria dessa participação. Ao nível dos diáconos, seria muito importante aprofundar a noção de “família” que constituem, expressa também na presença nas suas atividades.

O encontro concluiu-se com a oração de Vésperas e a despedida de todos. A iniciativa revelou-se uma boa oportunidade de encontro e de partilha, só ensombrada pela baixa participação. Aos aspirantes e candidatos, juntaram-se 22 diáconos dos 99 que a diocese tem atualmente ao seu serviço.

(inf: Diaconado Permanente – Diocese do Porto)