Líbia: para quando a luz ao fundo do túnel?

Por António José da Silva

Pelo menos em Portugal, há já bastante tempo que a Líbia deixou de ser tema importante dos noticiários de carácter internacional. Este alheamento foi, no entanto, quebrado há já umas semanas atrás por notícias referentes a um importante encontro que teve a participação de altos representantes da ONU e ainda de conhecidas figuras da política europeia. Isto com o objectivo de se encontrar uma solução para a crise política e militar em que aquele país se encontra mergulhado, praticamente desde 2015. Esse encontro parecia não ter sido completamente em vão, já que os dois grandes grupos que se enfrentam na Líbia pareciam dispostos a negociar. E dizemos pareciam, porque as últimas notícias não vieram confirmar essa esperança.

Não é fácil entender o que se passa realmente neste país que continua a ser, apesar da crise militar e política em que mergulhou desde 2011, um grande exportador de petróleo e de gaz, embora hoje em menor quantidade do que nos anos que antecederam a guerra que opunha então o exército de Khadafi às forças da comunidade internacional, mandatadas e apoiadas pela ONU para implementar a democracia naquele território. Era um objectivo que passava pelo fim da ditadura que há mais de três década governava a Líbia, e que foi alcançado com a derrota e a morte de Kadhafi

Depois dos festejos internos e dos aplausos externos que se seguiram ao desaparecimento daquele excêntrico ditador, aconteceu na Líbia o que costuma suceder em muitos países que se libertam de ditaduras prolongadas quando não existe ainda uma verdadeira alternativa. A ausência dessa alternativa deu lugar à multiplicação de grupos que ambicionavam o poder ou, pelo menos, a partilha desse poder, isto num país onde não faltavam as riquezas decorrentes da exploração do petróleo e do gaz. E o receio de uma guerra civil que se poderia seguir ao desaparecimento de Kadhafi acabou por se concretizar.

Por todas estas razões, e ainda por funcionar como uma das portas de saída para a imigração africana com destino à Europa, são vários os países do velho continente envolvidos, entre surpresas e contradições, na busca de uma solução estável para a crise em que mergulhou o antigo país de Kadhafi. Pode mesmo dizer-se que, até agora, poucas coisas positivas resultaram desse envolvimento, já que as preocupações da ONU relativamente à Líbia nunca foram verdadeiramente assumidas pelas grandes potências, restando saber se esse comportamento poderá vir a mudar nos tempos mais próximos. Trata-se da única hipótese que permitiria ver, finalmente, alguma luz ao fundo do túnel…